SAV MAUA

SAV MAUA Serviço para Animar as Vocações Religiosas e Leigas em nossa Região Serviço de Animação Vocacional - Região Mauá

10/08/2016
01/08/2016

Nossa vocação toma conta de nós, mesmo quando não a conhecemos; é o futuro que dita a regra do nosso hoje.
Nietzsche

28/10/2013

Aguardar o tempo de Deus, e aprender a viver obdiencia

15/07/2013

VOCÊ CONHECE O SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL?
Há três anos temos em nossa paróquia o Serviço de Animação Vocacional (SAV), mas você o conhece? Sabe o que é? Porque existe? Para que? Onde ele atua? Quando? E quem pode fazer parte desse serviço?
Bem, de uma maneira simplificada e resumida, tentaremos esclarecer essas duvidas e curiosidades.
O que é?
Antes de qualquer coisa, o SAV não representa mais um serviço ou pastoral, que vem concorrer com as demais ou para ocupar o lugar de outras. Ele vem para somar com cada uma delas, soprando sobre elas o Espírito Santo, o doador de dons. E diferentemente do que você pode pensar, não acompanha apenas os vocacionados a vida consagrada (padres e freiras). O SAV é uma ação pastoral que visa despertar TODOS os batizados para a vocação humana, cristã e eclesial, ajudando-os a descobrir ou discernir os sinais indicadores do chamado de Deus nas suas vidas (crianças, jovens, adultos e idosos), impulsionando assim, as ações da Igreja.
Porque existe?
Bem, pensando que todo o serviço pastoral necessita ser feito por vocação, o SAV é o despertador de vocações. Das consagradas até as demais modalidades: vocação matrimonial, a vocação de servir a Deus em algum trabalho pastoral, a vocação de ensinar, de ser solidário ou voluntário em trabalhos sociais, de aguçar a espiritualidade através de atos devocionais, e tantas outras. Enfim, ele irá se ocupar da vocação humana em seu sentido mais amplo, sendo um elo entre as diversas formas de vida que constituem a Igreja de Cristo, presente na paróquia, visando assim, a realização do ser humano como membro atuante do corpo místico de Cristo.
Para que?
O objetivo do SAV é, entre outros, oferecer ferramentas teológicas e espirituais para que a pessoa vocacionada vá descobrindo sua verdadeira vocação e possa segui-la. Depois dessa descoberta, a pessoa é acompanhada na formação e na assistência material, caso necessite. Ou seja, promover o discernimento vocacional, orientando e conduzindo crianças, jovens e adultos a refletir sobre o chamado que Deus faz a todos os batizados às diversas vocações presentes na Igreja, descobrindo, portanto, o sentido da vida e o projeto que Deus tem para cada um, acompanhando-os em seu processo de discernimento. Também o SAV possui o papel de rezar pelas vocações envolvendo o maior numero de pessoas possíveis, o que possibilita uma maior sensibilidade e receptividade diante desse chamado. Por fim, o de acompanhar e auxiliar os vocacionados (padres, consagrados, leigos) em suas necessidades, apontando o caminho e ajudando a superar dificuldades e crises de cunho vocacional.
Onde ele atua?
Sendo um pouco redundante, o SAV paroquial atua principalmente na paróquia, que é o campo primordial onde se encontram as sementes das vocações, que precisam ser cultivadas, mas também, pode atuar nas famílias, nas instituições de ensino, nas instituições de acolhimento, nos locais de trabalho, nos espaços de lazer, nos espaços de manifestação popular, nas pastorais e nos demais serviços da Igreja, nas casas paroquiais e conventos, entre outros.
Quando?
Este é um serviço atemporal, isto é, não tem um tempo especifico, embora exista um tempo mais forte como o mês vocacional (agosto) ou o missionário (outubro), o SAV não pode limitar suas ações apenas nesse período. Sua atuação precisa ser constante, desenvolvendo ações que movimentem a consciência vocacional na paróquia o ano todo.
E quem pode fazer parte desse serviço?
É importante ter em mente que os agentes do SAV não podem se resumir a um grupo de pessoas que refletem sobre vocação ou que acompanham os que manifestem interesses religiosos, mas sim uma equipe que contagie os demais e esteja presente em todas as ações da paróquia. Estes podem ser homens, mulheres, jovens, adultos, idosos, desde que tenham vocação e queiram aprender a trabalhar com todas as vocações.
Referencia:
Trechos do livro Serviço de Animação Vocacional Paroquial: subsidio de implantação, formação e atuação dos agentes – José Carlos Pereira.

11/07/2013

POR QUE SOU CATÓLICO?
Autor: Hombre EVC Sociedade do México
Fonte: Ethernal Word Television Network
Tradução: Carlos Martins Nabeto


"Um só Corpo e um só Espírito, como uma é a esperança a que fostes chamados. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai" (Ef. 4,4-5).
A Fé Vale mais que o Ouro

A fé vale mais que o ouro. Assim, se a dúvida te assalta, certifica-te antes; se tua fé estiver correta, compartilha-a; se a perdeste, recupera-a.

"Eu antes era católico, porém agora sou..." Eu não aprovo, porém respeito tua decisão de ter trocado a fé que Deus te deu por aquela que gostas. Entretanto, permita-me dizer ao menos o porquê de eu ser católico e o porquê de eu querer continuar sendo...

Eu sou católico porque esta é a Igreja que Cristo fundou. Isto é franco e sincero! Tudo o que Cristo faz, o faz para a nossa salvação. Se Cristo fundou uma Igreja, isto fez para nos salvar e todos devem aderir a ela (LG 14). Se Cristo não fundou nenhuma Igreja, então todas as igrejas são falsas e não devemos pertencer a nenhuma. Apesar de reconhecermos que muitos elementos de santidade e verdade podem ser encontrados em outras igrejas, para o católico não há sentido abandonar a Igreja de Cristo para ingressar em outra igreja fundada por um homem, por mais inteligente e famoso que seja. Cristo, nosso único Salvador, instituiu a sua Igreja Santa... Esta única Igreja subsiste na Igreja Católica (LG 8). Isto é lógico: se há um único Salvador, deve haver uma só Igreja. Respeito e reconheço as muitas coisas boas que existem nas outras igrejas cristãs, porém quero viver e morrer na Igreja que Cristo fundou.
Eu sou católico porque a minha Igreja é uma família. Há quem afirma: "Eu sou cristão: sigo a Bíblia e não preciso da Igreja". Porém, isto é um erro pois ser cristão é viver em comunhão com os demais; Deus quer que nos ajudemos uns aos outros no caminho da salvação. Javé mandou Noé construir uma barca e se salvaram todos os que estavam dentro dela (v. 1Ped. 3,21). Se salvaram juntos, em família. Por isso a barca é símbolo da Igreja. Os israelitas se salvaram juntos, tendo Moisés como chefe e guia. A Igreja é o novo povo de Deus. Se tu crês que podes atravessar o deserto usando como mapa tua própria interpretação da Bíblia, não deveis culpar a Deus caso vierdes a se perder (v. CIC 781ss). Por isso, Cristo não escreveu um livro, mas fundou uma Igreja (CIC 108). Por isso, Paulo não chama a Igreja de "clube de Jesus", mas de "Corpo de Cristo", para que entendas que ao separar-te da Sua Igreja, estarás te separando de Cristo (v. Jo. 15,1-6).
Eu sou católico porque na Igreja posso conhecer com certeza e totalidade a doutrina de Cristo. Cristo mandou seus apóstolos ensinar toda a sua doutrina a todos, por todos os séculos (v. Mat. 28,16-20). Cabe a nós escutá-los: "Quem vos escuta, a mim escuta; quem vos rejeita, a mim rejeita" (v. Luc. 10,16). Hoje há muitos que pregam a Cristo e, como São Paulo, nos alegramos; porém, queremos escutar somente aqueles que Cristo enviou. Estes são os apóstolos e seus legítimos sucessores. Estude Lumen Gentium nº 8.
Minha Igreja é a Casa de Deus. Conheço templos protestantes enormes e belas; Cristo pode fazer-se presente aí se se reúnem em seu nome (Mat. 18,20). Porém não os troco pelo menor, silencioso e pobre templo católico porque aí está Cristo realmente presente, sob as espécies eucarísticas (v. SC 14). Aí posso falar com Deus como se fala a um amigo (v. Ex. 33,11). Há quem diga que todas as igrejas são iguais e é verdade, mas somente por fora; por dentro, na minha Igreja, sempre está acesa a lâmpada do santuário, símbolo da presença de Deus (v. 1Sam. 3,3). Com razão diz São Paulo que a Igreja é a casa do Deus vivo (v. 1Tim 3,15). Não estou disposto a deixar a Casa de Deus e ir para a casa do vizinho.
Eu sou católico porque é a única Igreja que me oferece Cristo como Pão da Vida. Não quero que Cristo me reprove: "Examinais as Escrituras... porém não quereis vir a Mim para ter vida" (v. Jo. 5,39-40). Ele me convida: "Eu sou o Pão da Vida... o que vem a Mim não o encontra fora" (v. Jo. 6,34.37). Todas as igrejas cristãs examinam as Escrituras - é verdade - porém apenas a Igreja Católica me oferece Cristo: o Pão da Vida Eterna (v. Jo. 6,55-58). Se Cristo me deixou a Eucaristia como memorial de seu amor, como vou duvidar de seu amor? (v. CIV 1380). Não há dúvidas que todas as igrejas pregam coisas belas sobre Cristo, porém o que podem me oferecer em troca de receber em meu coração a Cristo realmente presente na Eucaristia?
Eu sou católico porque Cristo me confiou sua Mãe. O discípulo amado ao pé da cruz representava todos os cristãos. Se Cristo me disse: "Eis aí a tua Mãe" como vou mudar para uma igreja que me diz: "Não, Maria não é a tua Mãe"? Se São João a levou para sua casa como posso ir para outra igreja que nem sequer me permite possuir um quadro de Maria?
Eu sou católico por amor à Verdade. Segundo o princípio protestante da interpretação particular da Bíblia, cada um pode ensinar sua opinião. Respeito a opinião destes, porém Cristo é a Verdade e não a opinião. A opinião leva à confusão e à divisão; a Verdade leva à unidade e à certeza. Cristo edificou a sua Igreja como coluna e fundamento da Verdade (v. 1Tim. 3,15). Por isso, "a Igreja Católica é a mestra da Verdade e sua missão é expor e ensinar autênticamente a Verdade que é Cristo" (DH 14). Nós não negamos que existem em outras igrejas cristãs muitos elementos de verdade; contudo, recorde-se que também um pedaço de espelho pode refletir a luz do sol e, nem por isso, vou deixar o Sol para ficar apenas com o seu reflexo.
Eu sou católico porque me entusiasma o testemunho de seus santos, o heroísmo de seus mártires, a multidão de suas virgens, o zêlo de seus pregadores, o ardor de seus missionários. Há quem pretenda confundir-nos citando os maus papas, os maus sacerdortes, a Inquisição etc. Assim lhes respondo: "A mim ensina-me uma Igreja que tem mártires que deram sua vida por Cristo, que tem missionários que pregaram o Evangelho, que tem mulheres consagradas ao serviço dos mais necessitados e com esta Igreja eu sigo". O silêncio dessas pessoas então torna-se eloqüente. Sim, é na Igreja Católica que vejo que o poder de Cristo é mais forte, a graça de Cristo é mais abundante, sua santidade mais atrativa, sua caridade mais eficiente e, por isso, sou e quero continuar sendo católico.
Eu sou católico porque Cristo não se agrada com as divisões e quer que todos formemos, unidos, um só rebanho sob um só pastor. Jesus Cristo quer a unidade (v. Jo. 17,21). O sectário primeiro semeia a dúvida e a desconfiança; depois, corta e separa; por fim, monopoliza. Jesus Cristo quer que em sua Igreja exista um só rebanho e um só pastor (v. Jo. 10,16). Cristo deseja que estejamos unidos e não divididos em incontáveis igrejas ao gosto do consumidor (v. CIC 820). Os apóstolos nos exortam à unidade. "Um só corpo e não membros divididos, um só Espírito e não muitos espíritos, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai" (v. Ef. 4,4). Há alguns cristãos que afirmam aceitar apenas a Bíblia e se auto-intitulam pastores com direito a formar seu próprio rebanho, fundar sua própria esperança, inventar sua própria fé e estabelecer seu próprio batismo e, definitivamente, não aceitam outro senhor senão sua própria razão e juízo para interpretar a Bíblia.
Porque meus pais me batizaram. Eu sou católico porque meus pais me batizaram - é verdade - e não me envergonho porque um pai quer sempre o melhor para seus filhos. A outros deixaram dinheiro por herança; a mim, deixaram a fé e não a troco por todo o ouro deste mundo.
Sou católico pela graça de Deus. A fé católica é um talento que Deus te deu e irá te pedir contas dela. Sereis culpado se a perderdes por tua própria negligência (v. Mat. 25,24-28). Por isso, disse Jesus: "O que perseverar até o fim se salvará" (v. Mat. 10,22). O papa o afirmou há pouco tempo, com estas palavras: "O ensinamento das seitas e dos novos movimentos religiosos... se opõe à doutrina da Igreja Católica; por isso, a adesão a estes significaria renegar a fé em que fostes batizados e educados" (João Paulo II aos emigrantes). Se a fé é um talento de Deus, então tenho o compromisso de conservar, fortalecer e multiplicar a minha fé evangelizando aos demais. Isto me ajuda, ademais, a entender que não basta ter argumentos, é necessária a luz de Deus para apresentar a fé aos outros.
Assim, deixo-te os seguintes conselhos:
Estuda a tua fé católica. A Igreja Católica não teme a verdade; quem teme a verdade é a ignorância. Martinho vendia pedras do deserto para colecionadores; certo dia, um geólogo entrou em sua tenda para comprar algumas recordações para seus filhos; pegou uma que lhe chamou à atenção e perguntou: "Quanto custa?"; obteve como resposta: "Todas custam 20 dólares, porém, como essa é um pouco feia, posso deixá-la por 10 dólares"; o cliente pagou o preço e se dirigiu ao banco para depositá-la: era uma pedra preciosa em estado bruto, que valia mais de 1 milhão de dólares... Martinho, infelizmente, ignorava seu valor...
Pratica-a. Muitos trocam sua fé porque nunca a praticaram. A fé não entusiasma senão a quem a vive. Nessa mesma linha, declarou o papa há algum tempo: "Um dos motivos que podem levar a acolher as proposições apresentadas pelos novos movimentos religiosos é a pouca coerência que alguns cristãos vivem seu compromisso cristão e, também, o desejo de uma vida cristã mais fervorosa, que se pretende experimentar em certa seita, quando a comunidade [católica] que freqüenta é pouco comprometida. Porém isto é um engano. Do mal-estar interior - antes mencionado - se sai mediante uma verdadeira conversão interior, segundo o Evangelho, e não aderindo-se irreflexivamente a essa classe de grupos [religiosos]" (João Paulo II, Jornado Mundial do Emigrante).
Compartilha-a. A fé se fortalece compartilhando-a com outras pessoas. A força das seitas está no silêncio e na falta de ação dos católicos. A verdade não precisa de gritos nem de armas, se impõe por si mesma, basta pregá-la com clareza e vigor. Cumpre o teu dever de evangelizar compartilhando livros e folhetos sobre a Fé e o Evangelho, e ora antes de fazê-lo, para que Cristo abençoe a tua tarefa.
O Concílio nos Fala
O Concílio reconhece que fora da Igreja Católica se encontram muitos elementos de santidade e verdade, e que nos sentimos unidos a esses irmãos em Cristo (LG 8). Porém, com igual firmeza, afirma que a plenitude da graça e da verdade foi confiada à Igreja Católica e à esta Igreja o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança (UR 3). Todas ensinam verdades - umas mais, outras menos - porém a Igreja Católica é a que possui toda a verdade (LG 4). Ela, por vontade de Cristo, é a mestra da verdade (DH 14). A Igreja reconhece que há muitos que honra a Sagrada Escritura como norma de fé e vida (LG 15), porém afirma que à esta Escritura deve-se unir a Tradição e o Magistério, de modo que nenhum subsiste sem os demais (DV 10). Como obra-prima, a Igreja de Cristo é imitada por todas as outras, porém nenhuma a iguala ou supera, por ser obra de Cristo.

Oração

Senhor Jesus:
Não deixes que os corvos da dúvida comam a semente da fé que Tu plantaste em meu coração,
nem seja sufocada pelos espinhos de minhas próprias paixões,
mas que, através do estudo e do testemunho,
crie raízes em meu coração e
produza muito fruto.
Amém.

25/06/2013

Sabe Mãe........................................
Sabe Mãe
hoje eu pequei você ajoelhada
falando com deus
Agradecendo pela bênção do outro dia
Que ele te deu ............................
Sabe mãe
Você pode não crer mas estou com você
Te espero pra te ver ..............................
Sabe Mãe
Todo dia que eu passo
É quase um ano
Quando você não esta
E me lembro do meu meu tempo
De criança
Nossa tempo de brincar
Sabe mãe (x2)..................................
Feito por Joana, Camile e Kamily

01/06/2013
06/05/2013

Novos projetos para as comunidades, estão vindo. Ja demos os primeiros passos.

03/05/2013

Vocação Profética
"É Profeta quem deixa Deus colocar sua Palavra no coração e na boca"

o que é um profeta? Antes de tudo, é alguém que tem uma profunda experiência de Deus em sua vida. Movida por essa experiência, o profeta, ou a profetiza, acaba mudando o seu modo de ver e de pensar, de sentir e de julgar, de portar-se e de falar. Não fala em nome próprio, mas anuncia a palavra que Deus lhe põe no coração e na boca, uma palavra por vezes nada fácil de ser anunciada.
Movido pelo Espírito, o profeta age como mensageiro de Deus, está afinado com Deus, vê a realidade com os olhos de Deus. Por isso ele anuncia o amor de Deus, sua ternura e misericórdia, e sua paixão pela vida humana. O profeta, também, denuncia a injustiça, a exploração, o domínio dos fortes sobre os fracos e tudo o que ofende o povo a quem Deus quer bem. O profeta sacode as consciências e aponta no meio dos conflitos a força libertadora de Deus, pois são os profetas e profetizas homens e mulheres cheias de inspiração e vigor pela causa de Deus e do povo.
A Bíblia nos fala de muitos profetas e profetizas: João Batista, Isaías, Jeremias, Elias, Ana (1 Sm 2,1-10), Débora (Jz 5,1-12) e tantos outros. A maior profetiza é Maria (Lc 1,46-55) e o maior dos profetas é Jesus.

03/05/2013

Vocação Leiga
Leigo é toda pessoa batizada que segue Jesus Cristo na Igreja e escolhe viver e testemunhar sua fé no mundo secular: na família, na escola, nas profissões, na política etc. O cristão leigo quer viver no mundo à maneira de Jesus Cristo e transformar o mundo à maneira de Jesus Cristo. Ele atua não de fora, mas de dentro das várias instituições do mundo, como o fermento, a luz, o sal (Mt 5,13-16; 13,33)."O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. Um homem o acha e torna a esconder e, na sua alegria, vai e vende tudo o que possui e compra aquele campo" (Mt 13,44).
O leigo é ao mesmo tempo o homem da Igreja no coração do mundo e o homem do mundo no coração da Igreja. Ele está sempre questionando o conjunto da Igreja com suas experiências de participação nos problemas, desafios e urgências do mundo secular. Ao mesmo tempo está sempre questionando e enriquecendo o mundo com as riquezas da Boa-Nova de Cristo que traz em si. Nos lugares onde vive e se relaciona, o leigo é muitas vezes a única presença da Igreja.

Ao campo específico da atividade evangelizadora do leigo é o vasto e complexo mundo da política, da educação, dos meios de comunicação social, da economia, da realidade social, da cultura, das ciências, das artes, da realidade internacional... Sua tarefa é transformar tudo isso conforme o projeto de Jesus Cristo, construindo o Reino de Deus na história, criando fraternidade.
Além desta sua presença ativa no mundo, o Espírito Santo distribui entre os leigos dons e carismas para servirem mais diretamente a comunidade eclesial. São os ministérios. Ex.: catequese, liturgia, ministério da Eucaristia, da palavra, do canto, da saúde, da promoção social etc.
São Paulo compara a Igreja com o corpo humano (1Cor 12,12-27). Assim como o corpo tem vários membros e cada um tem uma função, assim também na Igreja. Cada membro, isto é, cada um de nós tem uma função e não existe ninguém sem função. Por isso ela é chamada também de corpo ministerial ou povo de servidores. (Ministério é sinônimo de serviço.) E você, tem um ministério em sua comunidade?
"Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como certo; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a tua infância conheces as sagradas Escrituras; elas têm o poder de comunicar-te a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus" (2Tm 3,14-15).

Oração a Nossa Senhora para conhecer a própria vocação

Eis-me a vossos pés, ó piedosa Virgem
para implorar de Vós a importantíssima graça
da escolha do meu estado.
Outra coisa não quero
senão cumprir perfeitamente
a vontade de Vosso Divino Filho,
em todo o tempo da minha vida.
Desejo ardentemente
escolher o estado
que me há-de deixar mais satisfeito
no momento da minha morte.
Oh, Mãe do Bom Conselho,
fazei que soe aos meus ouvidos
uma voz que afaste toda a dúvida
da minha mente.
A Vós, que sois a Mãe do meu Salvador,
também cabe ser a mãe da minha salvação.
Porque se Vós, Ó Maria,
não me comunicais um raio do Sol divino,
que luz me há de esclarecer?
Se Vós não me instruís,
ó Mãe da Sabedoria Encarnada,
quem poderá ensinar-me?
Ouvi pois, ó Maria,
as minhas humildes súplicas.
Perplexo e vacilante, dirigi-me Vós,
guiai-me pelo recto caminho
que conduz à vida eterna,
pois que sois Vós a Mãe do belo amor,
do temor, do conhecimento e da santa esperança,
cujas flores produzem frutos de honestidade e honra.

Pai Nosso; Ave Maria; Glória ao Pai.

03/05/2013

CARTA APOSTÓLICA
SOB FORMA DE MOTU PROPRIO

PORTA FIDEI

DO SUMO PONTÍFICE
BENTO XVI

COM A QUAL SE PROCLAMA O ANO DA FÉ



1. A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22). Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor.

2. Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Durante a homilia da Santa Missa no início do pontificado, disse: «A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude»[1]. Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado.[2] Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas.

3. Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De facto, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna» (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: «Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?» (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: «A obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou» (Jo 6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação.

4. À luz de tudo isto, decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II,[3] com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé. Esta obra, verdadeiro fruto do Concílio Vaticano II, foi desejada pelo Sínodo Extraordinário dos Bispos de 1985 como instrumento ao serviço da catequese[4] e foi realizado com a colaboração de todo o episcopado da Igreja Católica. E uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos foi convocada por mim, precisamente para o mês de Outubro de 2012, tendo por tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã. Será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé. Não é a primeira vez que a Igreja é chamada a celebrar um Ano da Fé. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, proclamou um ano semelhante, em 1967, para comemorar o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo no décimo nono centenário do seu supremo testemunho. Idealizou-o como um momento solene, para que houvesse, em toda a Igreja, «uma autêntica e sincera profissão da mesma fé»; quis ainda que esta fosse confirmada de maneira «individual e colectiva, livre e consciente, interior e exterior, humilde e franca».[5] Pensava que a Igreja poderia assim retomar «exacta consciência da sua fé para a reavivar, purificar, confirmar, confessar».[6] As grandes convulsões, que se verificaram naquele Ano, tornaram ainda mais evidente a necessidade duma tal celebração. Esta terminou com a Profissão de Fé do Povo de Deus,[7] para atestar como os conteúdos essenciais, que há séculos constituem o património de todos os crentes, necessitam de ser confirmados, compreendidos e aprofundados de maneira sempre nova para se dar testemunho coerente deles em condições históricas diversas das do passado.

5. Sob alguns aspectos, o meu venerado Predecessor viu este Ano como uma «consequência e exigência pós-conciliar»[8], bem ciente das graves dificuldades daquele tempo sobretudo no que se referia à profissão da verdadeira fé e da sua recta interpretação. Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, «não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa».[9] Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: «Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja».[10]

6. A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática Lumen gentium, afirma: «Enquanto Cristo “santo, inocente, imaculado” (Heb 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Heb 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja “prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus”, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz».[11]

Nesta perspectiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. No mistério da sua morte e ressurreição, Deus revelou plenamente o Amor que salva e chama os homens à conversão de vida por meio da remissão dos pecados (cf. Act 5, 31). Para o apóstolo Paulo, este amor introduz o homem numa vida nova: «Pelo Baptismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova» (Rm 6, 4). Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afectos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida. A «fé, que actua pelo amor» (Gl 5, 6), torna-se um novo critério de entendimento e de acção, que muda toda a vida do homem (cf. Rm 12, 2; Cl 3, 9-10; Ef 4, 20-29; 2 Cor 5, 17).

7. «Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da terra (cf. Mt 28, 19). Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor duma nova evangelização, para descobrir de novo a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé. Na descoberta diária do seu amor, ganha força e vigor o compromisso missionário dos crentes, que jamais pode faltar. Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos. Os crentes – atesta Santo Agostinho – «fortificam-se acreditando».[12] O Santo Bispo de Hipona tinha boas razões para falar assim. Como sabemos, a sua vida foi uma busca contínua da beleza da fé enquanto o seu coração não encontrou descanso em Deus.[13] Os seus numerosos escritos, onde se explica a importância de crer e a verdade da fé, permaneceram até aos nossos dias como um património de riqueza incomparável e consentem ainda que tantas pessoas à procura de Deus encontrem o justo percurso para chegar à «porta da fé».

Por conseguinte, só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus.

8. Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao Sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo.

9. Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia, que é «a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força».[14] Simultaneamente esperamos que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada[15] e reflectir sobre o próprio acto com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano.

Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este servia-lhes de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Baptismo. Recorda-o, com palavras densas de significado, Santo Agostinho quando afirma numa homilia sobre a redditio symboli (a entrega do Credo): «O símbolo do santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele».[16]

10. Queria agora delinear um percurso que ajude a compreender de maneira mais profunda os conteúdos da fé e, juntamente com eles, também o acto pelo qual decidimos, com plena liberdade, entregar-nos totalmente a Deus. De facto, existe uma unidade profunda entre o acto com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento. O apóstolo Paulo permite entrar dentro desta realidade quando escreve: «Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão de fé» (Rm 10, 10). O coração indica que o primeiro acto, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e acção da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo dela mesma.

A este respeito é muito eloquente o exemplo de Lídia. Narra São Lucas que o apóstolo Paulo, encontrando-se em Filipos, num sábado foi anunciar o Evangelho a algumas mulheres; entre elas, estava Lídia. «O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia» (Act 16, 14). O sentido contido na expressão é importante. São Lucas ensina que o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração – autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça, que consente ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus.

Por sua vez, o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um facto privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele. E este «estar com Ele» introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita. A fé, precisamente porque é um acto da liberdade, exige também assumir a responsabilidade social daquilo que se acredita. No dia de Pentecostes, a Igreja manifesta, com toda a clareza, esta dimensão pública do crer e do anunciar sem temor a própria fé a toda a gente. É o dom do Espírito Santo que prepara para a missão e fortalece o nosso testemunho, tornando-o franco e corajoso.

A própria profissão da fé é um acto simultaneamente pessoal e comunitário. De facto, o primeiro sujeito da fé é a Igreja. É na fé da comunidade cristã que cada um recebe o Baptismo, sinal eficaz da entrada no povo dos crentes para obter a salvação. Como atesta o Catecismo da Igreja Católica, «“Eu creio”: é a fé da Igreja, professada pessoalmente por cada crente, principalmente por ocasião do Baptismo. “Nós cremos”: é a fé da Igreja, confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, de modo mais geral, pela assembleia litúrgica dos crentes. “Eu creio”: é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus pela sua fé e nos ensina a dizer: “Eu creio”, “Nós cremos”».[17]

Como se pode notar, o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor.[18]

Por outro lado, não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro «preâmbulo» da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De facto, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência «daquilo que vale e permanece sempre».[19] Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro.[20] É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé.

11. Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II. Na Constituição apostólica Fidei depositum – não sem razão assinada na passagem do trigésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II – o Beato João Paulo II escrevia: «Este catecismo dará um contributo muito importante à obra de renovação de toda a vida eclesial (...). Declaro-o norma segura para o ensino da fé e, por isso, instrumento válido e legítimo ao serviço da comunhão eclesial».[21]

É precisamente nesta linha que o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica. Nele, de facto, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Desde a Sagrada Escritura aos Padres da Igreja, desde os Mestres de teologia aos Santos que atravessaram os séculos, o Catecismo oferece uma memória permanente dos inúmeros modos em que a Igreja meditou sobre a fé e progrediu na doutrina para dar certeza aos crentes na sua vida de fé.

Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na verdade, a seguir à profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está presente e operante, continuando a construir a sua Igreja. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração.

12. Assim, no Ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para quantos têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural. Com tal finalidade, convidei a Congregação para a Doutrina da Fé a redigir, de comum acordo com os competentes Organismos da Santa Sé, uma Nota, através da qual se ofereçam à Igreja e aos crentes algumas indicações para viver, nos moldes mais eficazes e apropriados, este Ano da Fé ao serviço do crer e do evangelizar.

De facto, em nossos dias mais do que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provêm duma diversa mentalidade que, hoje de uma forma particular, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. Mas, a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade.[22]

13. Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos.

Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, «autor e consumador da fé» (Heb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e anélito do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar connosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação.

Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1, 38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lc 1, 46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lc 2, 6-7). Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egipto a fim de O salvar da perseguição de Herodes (cf. Mt 2, 13-15). Com a mesma fé, seguiu o Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. Jo 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lc 2, 19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. Act 1, 14; 2, 1-4).

Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Mc 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lc 11, 20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. Jo 13, 34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16, 15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas.

Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum aquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. Act 2, 42-47).

Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores.

Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma acção em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4, 18-19).

Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Ap 7, 9; 13, 8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão, na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados.

Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história.

14. O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).

A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Ped 3, 13; cf. Ap 21, 1).

15. Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que «procure a fé» (cf. 2 Tm 2, 22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2 Tm 3, 15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo. Aquilo de que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.

Que «a Palavra do Senhor avance e seja glorificada» (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro. As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: «É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé – muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo – será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n’Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas» (1 Ped 1, 6-9). A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento. Quantos Santos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas da vida, ao mesmo tempo que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1, 24) , são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz: «Quando sou fraco, então é que sou forte» (2 Cor 12, 10). Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele: Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11, 20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n’Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.

À Mãe de Deus, proclamada «feliz porque acreditou» (cf. Lc 1, 45), confiamos este tempo de graça.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 11 de Outubro do ano 2011, sétimo de Pontificado.



BENEDICTUS PP. XVI



[1] Homilia no início do ministério petrino do Bispo de Roma (24 de Abril de 2005): AAS 97 (2005), 710.

[2] Cf. Bento XVI, Homilia da Santa Missa no Terreiro do Paço (Lisboa – 11 de Maio de 2010): L’Osservatore Romano (ed. port. de 15/V/2010), 3.

[3] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 113-118.

[4] Cf. Relação final do Sínodo Extraordinário dos Bispos (7 de Dezembro de 1985), II, B, a, 4: L’Osservatore Romano (ed. port. de 22/XII/1985), 650.

[5] Paulo VI, Exort. ap. Petrum et Paulum Apostolos, no XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo (22 de Fevereiro de 1967): AAS 59 (1967), 196.

[6] Ibid.: o.c., 198.

[7] Paulo VI, Profissão Solene de Fé, Homilia durante a Concelebração por ocasião do XIX centenário do martírio dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, no encerramento do «Ano da Fé» (30 de Junho de 1968): AAS 60 (1968), 433-445.

[8] Paulo VI, Audiência Geral (14 de Junho de 1967): Insegnamenti, V (1967), 801.

[9] João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 57: AAS 93 (2001), 308.

[10] Discurso à Cúria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 52.

[11] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 8.

[12] De utilitate credendi, 1, 2.

[13] Cf. Confissões, 1, 1.

[14] Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 10.

[15] Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 116.

[16] Santo Agostinho, Sermo 215, 1.

[17] Catecismo da Igreja Católica, 167.

[18] Cf. Conc. Ecum. Vat. I, Const. dogm. sobre a fé católica Dei Filius, cap. III: DS 3008-3009; Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 5.

[19] Bento XVI, Discurso no «Collège des Bernardins» (Paris, 12 de Setembro de 2008): AAS 100 (2008), 722.

[20] Cf. Santo Agostinho, Confissões, 13, 1.

[21] Const. ap. Fidei depositum (11 de Outubro de 1992): AAS 86 (1994), 115 e 117.

[22] Cf. João Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 34.106: AAS 91 (1999), 31-32.86-87.





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