22/05/2026
Reflexão salesiana para a Festa de Pentecostes – (Jo 20,19-23) – 24 de maio de 2026
O Santo Sopro de Deus
Recordando que a Família Salesiana de Dom Bosco celebra no dia 24 de maio a festa de Nossa Senhora Auxiliadora. Ela que estava presente, com os apóstolos no nascimento da Igreja. Que Ela seja sempre a Auxiliadora dos Cristãos!
Num sermão para a festa de Pentecostes, São Francisco de Sales afirmou que “hoje celebramos a festa dos presentes e do dom dos dons, que é o Espírito Santo, o qual foi enviado pelo Pai e pelo Filho sobre os Apóstolos sob a forma e figura de línguas de fogo.” (Sermão ###II para a Festa de Pentecostes, 7 de junho de 1620). E continua dizendo: “Os presentes são considerados grandes segundo o amor com que são dados; ora, este não é somente dado com grande amor, mas é o próprio Amor que é dado, pois todos devem saber que o Espírito Santo é o amor do Pai e do Filho.”
Ao longo do ano, a Igreja celebra três grandes festas: o Natal, a Páscoa e Pentecostes. Hoje, porém, muitas pessoas já não sabem exatamente o que essas celebrações significam. Talvez o aspecto econômico mantenha ainda muito vivas as duas primeiras. O Natal movimenta o comércio; a Páscoa conserva ao menos algumas tradições e feriados.
Mas Pentecostes parece ter desaparecido da memória de muita gente. Não movimenta a economia, não tem o brilho comercial das outras festas e, para muitos, tornou-se apenas mais um domingo qualquer. No entanto, é justamente Pentecostes que dá sentido ao anúncio do Natal e da Páscoa. Porque foi cinquenta dias depois da Ressurreição — pentekosté heméra, em grego, “quinquagésimo dia” — que a fé em Jesus Cristo começou verdadeiramente a espalhar-se pelo mundo inteiro.
Foi o Espírito Santo quem desceu sobre os Apóstolos, sobre Maria Santíssima e sobre os discípulos reunidos no Cenáculo. Foi Ele quem transformou homens medrosos em testemunhas corajosas do Evangelho. A partir daquele momento, os discípulos passaram a anunciar publicamente Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, como o Messias e Filho de Deus.
Por isso chamamos Pentecostes de “aniversário da Igreja”. Depois de acompanhar Jesus durante três anos, a Igreja nasce publicamente quando recebe o Espírito Santo. E desde então continua viva ao longo dos séculos, apesar das perseguições, fragilidades humanas, crises e divisões. Permanece de pé porque o Espírito Santo continua conduzindo-a.
No texto grego da Bíblia, o Espírito Santo é chamado hagia pneuma, expressão que pode ser traduzida literalmente como “o santo sopro” ou “a santa respiração de Deus”. E é exatamente isso que vemos no Evangelho de hoje: Jesus ressuscitado sopra sobre os discípulos e lhes diz: “Recebei o Espírito Santo”.
Em Pentecostes, esse Espírito manifesta-se como vento impetuoso e línguas de fogo. O vento empurra a Igreja para fora de si mesma; o fogo aquece, ilumina e purifica. E o mais belo é que cada povo ouve a Boa-Nova em sua própria língua. O Espírito Santo cria comunhão sem destruir as diferenças. Une os corações sem apagar a identidade de cada povo.
São Francisco de Sales dizia que “o Espírito Santo é o guia da Igreja”. Poderíamos dizer também que Ele é o “fôlego” da Igreja. É o Espírito quem impede que os cristãos percam o ânimo; é Ele quem dá força para continuar caminhando mesmo nas horas difíceis.
Hoje talvez precisemos justamente disso: de um “fôlego longo”. Vivemos tempos em que muitos desanimam na fé, afastam-se da comunidade ou perdem a esperança. Diante disso, Pentecostes recorda-nos que o sopro de Deus continua vivo. O Espírito Santo ainda sustenta a Igreja e continua agindo silenciosamente nos corações.
São Francisco de Sales escreveu também: “O sopro de Deus não apenas aquece, mas também ilumina… Seu hálito vivificante é inspiração, porque por meio dele Deus nos mostra seus desejos e seus desígnios.” (Tratado do Amor de Deus, Livro VIII, cap. X)
E no mesmo sermão de Pentecostes ele afirma algo profundamente atual: “O bom exemplo é uma pregação silenciosa. E, ainda que não tenhamos recebido o dom das línguas para pregar, podemos, no entanto, fazê-lo continuamente dessa maneira.”
Talvez este seja um dos grandes apelos de Pentecostes para nós hoje: deixar que o Espírito Santo transforme nossa vida em anúncio. Nem todos subirão a um púlpito ou falarão para multidões. Mas todos podem evangelizar pelo testemunho, pela paciência, pela bondade, pela alegria, pelo serviço humilde e pela caridade concreta.
Foi exatamente isso que São João Bosco ensinou aos seus jovens: deixar-se conduzir pelo Espírito Santo para tornar-se sinal do amor de Deus no meio do mundo. O verdadeiro salesiano — e todo cristão — deve ser alguém que leva esperança, cria comunhão, anima os desanimados e mantém acesa a chama do Evangelho.
Que nesta festa de Pentecostes o santo sopro de Deus renove também a nossa vida, aqueça nossos corações, ilumine nossas escolhas e nos dê coragem para testemunhar Cristo com alegria.
Amém.
P. Herbert Winklehner OSFS
Adaptação ao português: P. Tarcizio Paulo Odelli – SDB