09/04/2020
A Última Ceia
O mais apropriado era, de fato, que o sacramento do corpo do Senhor fosse instituído na Última Ceia.
Por conta daquilo que o sacramento contém.
Pois o que está contido nele é o próprio Cristo. Quando Cristo, em sua aparência natural, estava prestes a deixar seus discípulos, Ele deixou a si mesmo para eles sob uma aparência sacramental, assim como na ausência do imperador é exibida uma imagem do imperador. Por isso, diz Santo Eusébio: "Uma vez que o corpo que Ele havia assumido estava prestes a ser tirado da vista corporal d'Ele, e estava prestes a ser carregado para as estrelas, era necessário que, no dia de sua Última Ceia, Ele consagrasse para nós o sacramento de seu corpo e sangue, para que aquilo que como pagamento foi ofertado uma vez fosse, através de um mistério, adorado incessantemente".
(…)
Notemos que este sacramento tem um signif**ado triplo:
i) Quanto ao passado, ele é comemorativo da Passagem do Senhor, que foi verdadeiramente um sacrifício, e por conta disso este sacramento é chamado de sacrifício.
ii) Quanto a um fato do nosso tempo, isto é, a unidade da Igreja e ao fato de que é através deste sacramento que a humanidade deve permanecer unida. Por causa disso, este sacramento é chamado de comunhão.
iii) Quanto ao futuro, o sacramento prefeitura a alegria que deveremos ter em nossa pátria. Por conta disso, este sacramento também é chamado de viaticum [viático], já que ele nos provê os meios de viajar para aquela pátria. E é por conta disso, também, que o sacramento é chamado de Eucaristia, ou seja, a boa graça, seja porque a graça de Deus é a vida eterna, seja porque ele realmente contém o Cristo, que é a plenitude da graça.
Em grego, o sacramento é também chamado de metalipsis, que signif**a "elevação", porque pelo sacramento nós assumimos a divindade do Filho de Deus.
Fonte: Meditações para a Quaresma - Santo Tomás de Aquino.