20/08/2026
20/08/2026 QUINTA-FEIRA. SÃO BERNARDO, ABADE E DOUTOR Memória (Branco - Ofício da memória)
Nasceu em Fontaine-lès-Dijon, na França, em 1090. Atraído pelo ideal beneditino, como o concebiam os reformadores de Cîteaux / Cister (daí cistercienses), convenceu um grupo de amigos a segui-lo, deu entrada na austera abadia em 1112. Tanto se distinguiu por sua alteza humana, intelectual e espiritual que, três anos depois, foi convidado a fundar uma filial de Cister, que se tornou a célebre Abadia de Clairvaux (Claraval). Dedicou-se com entusiasmo à sua missão na Igreja e na sociedade da época sem jamais perder seu ideal monástico. De fato, por obediência, teve que deixar seu estado de vida contemplativa, no mosteiro, para se envolver com as grandes questões que agitavam o mundo de então. Bernardo foi, sem sombra de dúvida, a personalidade mais empolgante da primeira metade do século XII: místico, pregador, polemista, político, escritor, fundados de mosteiros, conselheiro de papas, reis e bispos. Famosa sua carta a Eugênio III, monge cisterciense formado por ele. Este presente em praticamente todos os grandes acontecimentos da época. No âmbito do monaquismo, defendeu competentemente a reforma cisterciense contra os beneditinos cluniacenses (de Cluny); no campo doutrinal, atacou as ideias heréticas que se espalhavam pela Europa; na área da política eclesiástica, lutou contra o cisma que dividia a Igreja, com dois papas disputando o poder; em matéria político-religiosa, percorreu a França, a Alemanha e Flandres, convencendo os príncipes a organizarem uma Cruzada contra os turcos. Contemplativo no mundo, deixou marcas profundas na espiritualidade cristã. Seus escritos deixam transparecer seu amor profundo aos mistérios da humanidade de Jesus e à Virgem Maria, da qual era grande devoto e sobre a qual escreveu páginas de extraordinária riqueza e enlevo. O que Bernardo pregou, sobretudo, a monges, no século seguinte, será levado ao povo por São Francisco de Assis e seus seguidores. O fracasso da Segunda Cruzada foi imputado, em grande parte, a ele, que, por isso, recebeu duras críticas. Desta dor não se levantou nunca mais completamente. Com a idade de 63 anos, faleceu de uma grave doença no estômago no dia 20 de agosto de 1153. Foi sepultado na Abadia de Cluny, mas, devido aos excessos da Revolução Francesa, seus restos mortais foram perdidos; só se conserva a cabeça, na Catedral de Troyes. Alexandre III, em 1174, o proclamou santo. Pio VIII, em 1830, deu-lhe o título de Doutor da Igreja. Graças à sua colossal atividade e à grandeza de sua personalidade, Bernardo é venerado como pioneiro do sentimento da identidade europeia, líder e juiz do seu tempo, gênio religioso da sua época. Por sua tocante arte de pregar, recebeu também o título de “Doctor melifluus” (doutor doce e suave como o mel).
Animador(a) - Irmãs e irmãos. Os que participam das núpcias do Filho são os cristãos, que acolheram em Jesus o Messias. Não basta, porém, ter dito sim. É preciso fazer a vontade do Pai. Entre nós, e mesmo em nós, além do trigo, tem muita erva má. Sem conversão não há salvação.
Antífona da entrada
O Senhor enriqueceu São Bernardo com o espírito de sabedoria e ele abriu para o povo de Deus os mananciais de sua doutrina. Coleta Ó Deus, fizestes do abade São Bernardo, inflamado de zelo por vossa casa, uma luz que brilha e arde na Igreja; concedei-nos, por sua intercessão, que, fervorosos no mesmo espírito, caminhemos sempre como filhos e filhas da luz.
Leitura - Ez 36,23-28 Leitura da Profecia de Ezequiel
Assim fala o Senhor: 23 "Vou mostrar a santidade do meu grande nome, que profanastes no meio das nações. As nações saberão que eu sou o Senhor. - oráculo do Senhor Deus - quando eu manifestar minha santidade à vista delas por meio de vós. 24 Eu vos tirarei do meio das nações, vos reunirei de todos os países, e vos conduzirei para a vossa terra. 25 Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados. Eu vos purificarei de todas as impurezas e de todos os ídolos. 26 Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós. Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne; 27 porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos. 28 Habitareis no país que dei a vossos pais. Sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus". - Palavra do Senhor.
Salmo responsorial - Sl 50(51),12-13.14-15.18-19 (R. Ez 36,25)
R. Eu hei de derramar sobre vós uma água pura, e de vossas imundícies sereis purificados.
1. Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! R.
2. Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados. R.
3. Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido! R.
Aclamação ao Evangelho - Cf. Sl 94(95),8ab
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia. V. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! R.
Evangelho - Mt 22,1-14
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
Naquele tempo, 1 Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, 2 dizendo: "O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3 E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir. 4 O rei mandou outros empregados, dizendo: `Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!' 5 Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6 outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7 O rei ficou indignado e mandou suas tropas, para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8 Em seguida, o rei disse aos empregados: `A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9 Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes'. 10 Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados. 11 Quando o rei entrou para ver os convidados, observou ali um homem que não estava usando traje de festa 12 e perguntou-lhe: `Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?' Mas o homem nada respondeu. 13Então o rei disse aos que serviam: `Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Ali haverá choro e ranger de dentes'. 14 Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos".
- Palavra da Salvação.
Preces dos fiéis Irmãos e irmãs!
Toda celebração eucarística é banquete das núpcias do Filho de Deus, para o qual todos somos convidados. Acolhendo com alegria este chamado, digamos:
R. Renovai-nos, ó Pai, com a vossa graça. 1. Pela Igreja, para que harmonize cada vez mais a sua vida à novidade do Evangelho, rezemos:
2. Pelos que promovem o diálogo, para que seu empenho dê frutos de paz para o mundo, rezemos:
3. Pelos que não correspondem ao amor de Deus, para que alarguem os seus corações, rezemos:
4. Pelos que têm uma falsa ideia de sacrifício, para que sintam a misericórdia de Deus, rezemos: A comunidade acrescenta suas preces) Pai misericordioso, atendei às nossas preces, abrindo os nossos ouvidos ao vosso chamado, e as nossas vidas ao serviço ao vosso Reino.
SOBRE AS OFERENDAS
Senhor, nós vos oferecemos o sacramento da unidade e da paz, celebrando a memória do abade São Bernardo, ilustre em palavras e obras, que se empenhou incansavelmente pela concórdia da vossa Igreja.
Antífona da comunhão - Jo 15,9
Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor, diz o Senhor.
DEPOIS DA COMUNHÃO
Senhor, o alimento que recebemos na comemoração de São Bernardo produza em nós os seus frutos para que, fortalecidos por seus exemplos e instruídos por seus ensinamentos, sejamos arrebatados pelo amor do vosso Verbo encarnado.
A SEMENTE NA TERRA - Mt 22,1-14
- “Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” (Mt 22,12). É a pergunta do rei àquele um que tinha aceitado o convite para a festa de casamento, mas está sem o traje de festa.
- Os que participam do casamento do Filho são os cristãos, que acolheram Jesus como Messias. Não é suficiente, porém, dizer “sim” (Mt 21,28-30); com efeito, não é quem diz “Senhor, Senhor” que entrará no Reino, mas quem faz a vontade do Pai (Mt 7,21). Assim como na roça, em meio à plantação, há também mato, também entre nós – e... dentro de nós – além das “coisas boas”, há também coisa que não presta.
- As histórias – e... as estórias – da Bíblia não são uma janela virada para o passado, para a gente focar sabendo o que aconteceu “naquele tempo”. São, muito mais, um espelho para ajudar a ver o que acontece hoje. Isto acontece, sobretudo, com as parábolas: falando de “outra coisa”, com mais facilidade, limpam o terreno para a gente o que está diante dos olhos e a gente não enxerga! O ouvinte escuta as estórias das parábolas desarmado, como se não lhe dissessem respeito; só no fim é que percebe que falam dele, mas aí... já é tarde! A parábola – como um espelho – nos faz ver aquilo que, de outro jeito – sem espelho – nunca veríamos. Sem espelho ninguém se vê! - A parábola de hoje é um desenvolvimento da parábola anterior (Mt 21,33-46), particularmente, de Mt 21,44: “Aquele que cair em cima desta pedra ficará em pedaços, e aquele em cima do qual ela cair, ficará esmagado”. Quer dizer: o confronto com a pedra rejeitada é sempre desastroso! A parábola de hoje é uma chamada à responsabilidade: fazer parte do povo de Deus – tanto para os hebreus como para os cristãos – não garante automaticamente a salvação (Cf. Mt 3,8ss.; 7,21-23; 13,24-30.36-43.47-50). Muito ao contrário: uma condição para a salvação é a Igreja (nós) reconhecer que somos como nossos pais (Israel); é reconhecer que somos como o irmão que diz “sim” e, depois, não faz, para nos tornarmos como o irmão que diz “não”, mas, depois, se arrepende e faz!
- Para se fazer efetivamente parte do povo que acolhe a pedra rejeitada, é preciso primeiro reconhecer que fazemos parte do grupo dos que a rejeitam. Somos como aquele um que entrou sem estar com a roupa de festa! Se não percebo que sou pecador, não posso perceber Jesus como meu Salvador. Se não sinto que estou doente, não sinto que preciso de médico!
- Ser chamado e responder não significa ser automaticamente salvo. Todos são chamados, mas só é “escolhido” (salvo) quem decide livremente responder ao convite não com palavras, mas com fatos! (“Passa lá em casa!” “Passo, sim.” ...e não sabe nem onde a pessoa mora!)
Santos do dia:
Osvino (+651). Bernardo de Claraval (1090-1153). Testemunhas do Reino: Georg Haefner (1900-1942).
Datas comemorativas:
Dia do papeleiro. Dia mundial contra o mosquito da malária. Dia do Maçon. Nascimento do general Bernardo O’Higgins (Chile, 1778). Morte de Bertold Brecht (1956).