29/03/2026
*A VERDADEIRA PESHAH (פֶּסַח)*
*Um erro em nosso meio*
O coração do homem é hábil em fazer para si ídolos para adorar (2Re.17.12). Estes ídolos podem ser de madeira ou de barro, mas podem também ser confeccionados em nosso coração. A idolatria é um pecado condenado nas Escrituras, mas muitas vezes nós insistimos em introduzir na adoração a Deus, coisas que não são ordenas na em sua Palavra, e procuramos moldar a nossa adoração com rituais e sabedoria humana, que embora muitas vezes não sejam mal-intencionadas, porém não são ordenadas por Deus.
Foi exatamente este o pecado de Nadabe e Abiú (Lv.10), eles levaram a presença de Deus aquilo que não foi ordenado por Deus. De semelhante modo o Apóstolo Paulo alerta aos colossenses, para que eles não fossem enganados com tradições humanas (Cl.2.8), para que estas coisas não tomassem o lugar de Cristo, pois eram sombras daquilo que Jesus fez de maneira plena (Cl.2.17).
A tradição da Páscoa é um exemplo disso. Muitas vezes nos cristãos rejeitamos o coelho, mas permitimos que o cordeiro, os pães asmos com ervas, as 10 pragas e a figura de Faraó invadam nossa mente. E com isso cultos da ressurreição e diversas coisas, que mais lembram o catolicismo romanos o judaísmo do que o entendimento reformado a respeito páscoa verdadeira.
Lembre-se do que foi dito no começo deste texto, nós somos muitos hábeis em colocar nosso coração nos ritos e cerimonias e nos esquecermos para quem eles são feitos, a para onde apontam. Davi sabia muito bem disso quando foi confrontado pelo seu pecado (Sl.51.16-17). A páscoa que nos celebramos muitas vezes é cheia de cantatas de coral, peças de teatro, entre outras coisas. Uma lembrança de como somos vazios, que nos deixamos nos levar pela emoção construídas com tradições vazias que mais nos afastam de Deus do que nos aproximam d’Ele.
Qual seria então a verdadeira pascoa? E como devemos comemorá-la? A resposta a esta pergunta nos fará repensar algumas de nossas posturas, e nos fará aprofundar nesta verdade maravilhosa.
*O Cativeiro verdadeiro*
O cativeiro Egípcio é apenas um tipo, que aponta para uma realidade muito mais perturbadora e tenebrosa em nossas vidas, o cativeiro do pecado. O pecado destruiu nossa relação íntima com o Senhor, nos deformou e corrompeu toda a nossa natureza, nos transformando em inimigos de Deus declarados (Ef.2.14). Nosso coração agora se tornou corrupto (Jr.17.9), nossa natureza é assassina.
Neste viver a morte estava diante de nossos olhos diariamente, e de tal maneira que a angústia era nosso único amparo. Muitas vezes gostamos de pensar como alguns dizem “estamos no fundo do poço”, porém eu tenho que lhe dizer que está não era nossa realidade, mas sim de pessoas que estavam afogadas na lama do pecado, boiando como corpos mortos. As algemas da morte pesavam em nossos punhos, nós arrastando, impedindo de sermos livres. Quando buscávamos a Deus, nossa cegueira impedia com que vessemos a luz (Rm.3.18), e ao procurarmos salvação, nosso coração endurecido só conseguia entender que única possível era aquela conquistada por nosso mérito.
*Faraó o príncipe do mal*
O pecado em nosso coração fez com que seguíssemos o curso deste mundo caído, onde a príncipe dele é Satanás. Ele atua nos Filhos da desobediência (Ef.2.2), dos quais nós também erámos, abertamente. Vivíamos segundo a vontade de nossa carne, se deleitando em nossas paixões, e, portanto, longes de Deus e de sua vontade.
E assim como Faraó foi erguido segundo a dureza de seu coração para que Deus evidencia-se seu poder em toda a terra (Rm.9.16). Desta mesma forma Deus jugou o príncipe do mal na cruz para mostrar o seu poder na terra e no céu (Ap.12.11-12; Jo.12.31; Cl.2.15)
*O Juízo de Deus e as 10 pragas*
As 10 pragas que foram enviados sobre os egípcios são uma demonstração da justiça de Deus e de seu poder. As pragas nos ajudam a entender como o pecado é odiado por Deus. A bíblia diz que no final Deus demostrará sua Justiça através de pragas em toda terra. Mas o que não podemos nos esquecer, é o fato de que não sofremos a irá de Deus, pois, foi Cristo quem foi punido em nosso lugar, ele tomou o cálice amargo (Lc.22.42), ele foi moído pelas nossas transgressões (Is.53.10)
*O Cordeiro sem mácula*
No Evangelho de João encontramos a declaração de João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” (Jo.1.29). João diz ser Jesus “o cordeiro de Deus”, mas qual cordeiro ele está se referindo especialmente? O primeiro uso dessa palavra nos leva a (Ex.12.1-28) e o cordeiro pascal, aquele que foi sacrif**ado com um memorial da libertação da escravidão do Egito, a Páscoa era algo bem próxima aos ouvintes de João. O cordeiro pascal deveria ser sem defeito, ele serviu como substituto dos primogênitos das famílias de Israel, uma lembrança que mais tarde seria o primogênito de Deus quem cumpriria esta promessa de maneira adequada. O segundo cordeiro importante a ser lembrado é aquele encontrado no texto de Isaias 53.6-10, este é o cordeiro sofredor, que através de sua morte traria justiça sobre o povo de Deus. Um terceiro cordeiro que é apresentado na Palavra, é o cordeiro que deveria ser oferecido como oferta diária (Nm.28.4) e ainda o cordeiro da expiação em (Lv.16). Todos esses cordeiros eram familiares aos ouvintes de João Batista, logo parece ser claro que esses três usos são adequados de serem feitos ao cordeiro , assim o ensino de João tinha como propósito corrigir as falsas concepções dos judeus com respeito ao verdadeiro sacrifício . O cordeiro que “tira” que vem da palavra grega αἴρων (aipon) que é normalmente traduzida como levantar. Sendo assim este cordeiro pode ser descrito como aquele que leva a carga sobre ele , como aponta Calvino aquele que “tomou sobre si o peso” do pecado ou aquele que apagou, que “retira” nossos pecados suportando a irá de Deus como descrito em Isaias 53.5. É dito que esse cordeiro “tira o pecado do mundo”, mas João não está afirmando que todas as pessoas seriam alcançadas por este cordeiro, a palavra κόσμου se refere ao mundo criado ou ao universo. F**a claro que João se refere ao alcance desta salvação, uma Salvação como aponta Carson é “sem distinção” ou Hendriksen é dada a “homens de todas as tribos e povos” . Está vitória f**a clara em outro escrito do Apóstolo João que diz “pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap.7.17), assim Bruce diz que “a figura é adaptada para comunicar o evangelho cristão, porque o cordeiro obteve a vitória sendo morto, provendo, assim a redenção para muitos”
*A verdadeira Celebração*
Os cristãos Celebram o Cordeiro de Deus todas as vezes que partem o pão e bebem do vinho na igreja. A ceia de Cristo é a festa do cristão, a lembrança de que fomos libertos do pecado e salvos da irá de Deus. A ceia não é apenas uma lembrança simbólica, mas é verdadeiro alimento para os cristãos. Ele alimenta nossa alma, somos fortalecidos por Cristo, Ele se faz presente enquanto partilhamos do pão. É o sinal da graça invisível se fazendo visível a cada um de nós. Nos apropriamos do Cristo no Céu, aqui na terra, e sua graça e provinda do céu há nós.
APLICAÇÕES
1. Reflita sobre qual condição Deus te libertou, “lembre-se ela diz respeito a sua vida pecaminosa”.
2. Entenda que assim como todos os filhos da desobediência, você também se satisfazia nos seus erros. Mas agora você foi livre da irá por meio de Cristo.
3. Lembre-se do que Cristo teve de sofrer, e compartilhe destes sofrimentos se necessário. Como disse Herman Bavinck “a alegria leva ao paganismo, mas o sofrimento a Cristo”.
4. Descanse na Vitória do Cordeiro
5. Anseie pelo dia em que nós poderemos celebrar novamente a Ceia.
Uma boa observação de Calvino:
"Já quase 70 anos se passaram, durante os quais Daniel não vira nenhum sacrifício ser ofertado. No entanto, ainda menciona os sacrifícios como se viesse diariamente ao templo, o qual agora não existia. Pelo que é evidente como os servos de Deus, onde estão sem os meios externos, quanto ao tempo presente, podem obter certa utilidade daí, visto que consigo mesmos meditam com que fim Deus instituiu os sacrifícios e outros rituais e cerimônias.
Dessa forma, se alguém hoje está confinado no cárcere e até ao fim da vida proibido de usufruir da Santa Ceia, não deve, por essa razão, abandonar a memória desse símbolo sagrado, mas deve consigo mesmo considerar durante todos os dias por que essa Ceia nos foi dada por Cristo e que fruto ele almejava nos assegurar por ela."
Escrito Por:Rev. _Eduardo Reichert_