C.E.U Reino de Xangô

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EXU CAPA PRETA Essa famosa entidade (talvez o mais famoso dos exus) está diretamente ligado a noite, a feitiçaria e ao d...
09/10/2019

EXU CAPA PRETA

Essa famosa entidade (talvez o mais famoso dos exus) está diretamente ligado a noite, a feitiçaria e ao disfarce. Sendo a sua capa preta um artífice, um disfarce de sua presença, ocultando seus rastros pela noite. O preto, cor está representada tanto por esse exu, simboliza os impulsos e o inconsciente maldoso dos seres humanos. Sendo as trevas, representada na cor preta, também um dos maiores medos dos seres humanos rem***ando ainda a época em que dependíamos somente do sol para a proteção, sendo relegado a escuridão e as trevas a dúvida e o medo frente ao desconhecido, ao encoberto pelo seu manto.

Exu Capa Preta é chamado muitas vezes de "Tranca Ruas da Capa Preta" e "Musifin", possui como símbolo a lua e um pedaço de pano de veludo da cor preta. Alguns religiosos dizem que está entidade tem alguma ligação espiritual com São Cipriano, devido a seu famoso livro da capa preta.

Popularmente associamos a luz ao bem e a positividade, já a noite (a escuridão) costumamos associar a coisas maléf**as e a negatividade. Mas em diversas culturas observamos justamente o contrário. Peguemos como exemplo a cultura iorubá ( grupo étnico africano original da Nigéria), para as pessoas dessa cultura a cor branca simboliza a morte e o luto, sendo associado ao céu e para
onde se encaminham os espíritos, e a cor negra simboliza a condição de encarnados (vivos). Por essa razão os religiosos dizem que o Exu Capa Preta adotou a cor negra da noite, para deixar clara a sua missão na terra, que é trilhada através da noite, mas, combatendo sempre a escuridão e a negatividade.

Os médiuns (conhecidos também como "cavalos") que incorporam essa entidade nos terreiros de umbanda e quimbanda possuem forte ligação com a noite e um enorme fascínio por questões ocultistas e misteriosas.

Capa Preta é um conhecido por ser um grande mago que se disfarça nas trevas dos pensamentos e energias emanadas pelos humanos para poder trazer a luz e a razão para os seres necessitados de compreensão. Como ele próprio afirma "eu sou a luz no final do túnel, luz essa disfarçada de trevas". O médium que "trabalha" com essa entidade costuma usar sempre vestimentas da cor preta, pois eles próprios afirmam ver esses espíritos usando essas roupas em suas formas originais (invisíveis aos não médiuns). Geralmente o médium que é usado pelo Exu Capa Preta necessariamente fazem uso da cartolas, capa, bengalas, ternos pretos e anéis com pedras pretas.

Curiosamente na quimbanda, essa entidade tanto pode signif**ar o bem quanto o mal, sendo ele um moderador que hora pende para o bem, hora pende para o mal. Muitas vezes enganando e fazendo maldades em troca de oferendas, serviços de amarração dentre outros. Como um poderoso mago, Capa Preta também possui poderes capazes de influenciar tanto o reino animal quanto vegetal, sendo considerado por algumas correntes como uma entidade "faca de dois gumes", pois possui tanto bondade quanto enorme tendência a maldade.

Mas todas as correntes concordam que Exu Capa Preta foi, em vida, uma espécie de conde. E sendo um nobre rico pode dedicar grande parte de seu tempo adquirindo conhecimentos em Alquimia, magologia (eu nem sabia que isso existia) e magia negra.

Segundo os religiosos, quem recorre a essa entidade para solucionar os seus problemas, ou, causa-los, jamais f**ará desamparada.


FIRMAR OS GUIAS DENTRO DE 🏠🙌 CASA 🙌🏠   ☡ Primeiro vamos tirar isso da cabeça que acendendo vela pra suas entidades dentr...
08/10/2019

FIRMAR OS GUIAS DENTRO DE 🏠🙌 CASA 🙌🏠

☡ Primeiro vamos tirar isso da cabeça que acendendo vela pra suas entidades dentro de Casa vai atrair Egun ou coisas negativas ☡

Quando você acende uma vela pras entidades você está atraindo para dentro de seu lar a energia que aquela entidade carrega ou seja uma vela para um Caboclo vai trazer Fartura , Proteção, Cura , sabedoria etc...

Outro ponto positivo e que é muito difícil de uma energia de negativa e espíritos sem luz se enrraizarem no seu lar , aonde tem luz a escuridão se incomoda.

2° ponto positivo E que você cria mais afinidade com aquela entidade , facilita a incorporação facilita as entidades se mostrarem mais presentes em sua vida.


A ANTIGA ESQUERDAPode para muitos parecer ultrapassado, mas venho do aprendizado que, de inicio, para ir para uma gira d...
07/10/2019

A ANTIGA ESQUERDA

Pode para muitos parecer ultrapassado, mas venho do aprendizado que, de inicio, para ir para uma gira de esquerda (exu e pombogira) para desenvolver, era preciso estar com a direita já bem desenvolvida, com pelo menos um caboclo ou um preto velho descendo FIRME.

Era raríssimo, incomum que menores de idade e grávidas participassem dessas giras, quem dirá virando de catiço.

Não parecia que só existia Maria Padilha de pomba gira, e esse papo de rainha disso, rainha daquilo, não era tão arroz de festa, agora tudo quanto é pomba gira tem que ser rainha de algum lugar...

Aliás, quando tinha alguem que recebia Maria Padilha numa casa, essa pomba gira nem vinha para dar consulta e fazer trabalhos, passava só para dar firmeza na gira, e quem a recebia, tinha outra pombogira para trabalho.

Bebiam o que a casa (ou o cavalo) tinha, se era marafo puro bebiam sem problemas, não f**avam escolhendo otì, não tinha essa de ai minha pomba só bebe bebida x de marca y , aliás, pra uma entidade por a mão num copo de otì ou mesmo uma etaba, precisava estar muito desenvolvida, não é como hoje, que filho de fé, muitas vezes ainda em desenvolvimento, dá três pulinhos pra trás e já surge, ligeiro, um cambono com garrafa e copo na mão ...

Raríssimo era ver homens trabalhando com pombogira, e quando se via era tudo muito sutil, sem necessidade de se fantasiar de debutante ou de dançarina de can can pra dizer que estava em transe mediúnico.

As mulheres que recebiam pomba gira usavam saias simples, muitas vezes estampadas de flores vermelhas, com os pés no chão, e cabelos soltos, no máximo com uma rosa vermelha atrás da orelha, não tinha essa coisa de usar chapéus, torsos, turbantes, pano de costa como se fosse uma Aiyagbà ou mae de santo, e não falavam tantos impropérios como hoje em dia...

Festa para exu e pombogira era na encruzilhada, onde recebiam suas oferendas, junto os os seus iguais, e não incorporados, no terreiro falando abobrinha e enchendo os cascos de marafo, eles sabiam que ali eles iam para trabalhar, desenvolver, que o terreiro era espaço SAGRADO, e não um botequim ou cabaré...

Elas chegavam, firmavam ponto, atendiam, bebiam fumavam gargalhavam e iam embora deixando seus aparelhos em pé e sãos, contrário de cenas que muito tem se visto, com médium trêbado, cambaleando, ai alguem vem com a desculpa esfarrapada de ser demanda, carga negativa...

Quando gargalhavam, os demais filhos temiam, porque sabiam que atrás daquela gargalhada havia algo, não f**avam como ienas rindo junto e contando causos...

Era mais verdadeiro e mais bonito.


🗝️🐁AS TRAVESSURAS DO BARA LODÊ DE MÃE TONINHA🗝️🐁Naquele verão ensolarado de 1962, as coisas que já não andavam bem na vi...
04/10/2019

🗝️🐁AS TRAVESSURAS DO BARA LODÊ DE MÃE TONINHA🗝️🐁
Naquele verão ensolarado de 1962, as coisas que já não andavam bem na vila São José, pioraram com a notícia do falecimento de Mãe Antoninha de Yemanjá. O batuque que já vinha carente, sentiu a dor da perda de mais um de seus líderes. Mãe Toninha de Yemanjá era tudo que restava dos mais antigos. Sua perda foi irreparável e aquela data marcaria uma nova era dentro do batuque. Como herança, Mãe Toninha deixou um Bará Lodê assentado que deveria ser cuidado por um dos seus filhos de santo. Aquele Bará Lodê era o guardião do templo, fruto da herança de seu bisavô, um legado hereditário de sua bacia. Ninguém tinha a mínima idéia sobre quem o havia assentado, mas sabíamos que aquele Bará Lodê tinha pra lá de cem anos de feitura. Na manhã seguinte ao Arissum, os filhos mais antigos reuniram-se em torno da mesa de búzios, em frente ao quarto de santo. Coube, por hierarquia, ao filho mais antigo, José de Yemanjá, jogar os búzios para saber quem o Bará Lodê escolheria como seu novo guardião. No silêncio daquele enorme salão o único som que se ouvia era o dos búzios sendo jogados sobre a mesa, todos ansiosos pelo veredicto final. Foi quando o negro Ademar de Xangô saltou da cadeira aos brados: - Comigo é que este homem não vai f**ar! Mas não vai mesmo! A negra Paula de Oxum, esposa do negrão, agarrou o marido pelo braço e ponderou: - Tenha paciência, Ademar, o José ainda não disse o nome do escolhido. O negro José de Yemanjá, com calma e perícia, examinando os búzios na mesa, voltou-se para os irmãos e revelou a decisão do Bará. O temor do negro Ademar foi confirmado. Sim, ele fora o escolhido. - Eu não disse que isto ainda ia estourar nas minhas mãos? A Mãe já tinha me avisado, agora, o que eu vou fazer com dois Barás? Bem, agora era pegar ou largar, e neste caso pegar, já que o largar signif**ava bronca e das grossas com o homem. Dentro dos fundamentos da nação Ijexá, há um que reza que o Bará Lodê não pertence ao Orumalé, ou seja, ele não é despachado no caso de morte do dono do templo. Seu assentamento é feito para proteger na rua os filhos daquela casa. É ele quem decide com qual dos filhos da casa vai f**ar para dar continuidade a sua permanência na terra. Esse era o temor do negro Ademar, ter que sustentar o Bará pelo resto de sua vida. Quem decide é o homem, e decidiu, tá resolvido, não há lugar para explicações ou negativas, tem que assumir. E foi assim que terminou aquela reunião. O negro Ademar não voltou mais aquela casa, ou como ele mesmo dizia: - Não perdi nada lá para fazer visitas. Os irmãos mais velhos saíram revoltados com o despautério do negrão. Dona Beti de Ossanhã, uma das filhas mais velhas, buscava uma solução mais plausível: - Olha, gente, a Mãe não sentou Lodê pra mim, bem que eu poderia ser a escolhida e f**aria tudo de bom tamanho. Mas ela não fora a escolhida e qualquer decisão entre os humanos seria contrária a do Orixás. Bem, o que fora dito estava escrito, e o juramentado teria que ser respeitado sob pena de ter a revolta do Bará. E quem se atreveria a desobedecer ao homem? Quem? Eu? Eu fora! Já tô tirando o meu da reta. O negro Ademar fincou pé, foi irredutível, não levaria o Bará para casa de jeito nenhum. Que bom se fosse assim! Para quem pensa que no batuque se governa está muito enganado, aqui quem manda são os Orixás, aos humanos cabe obedecer, e quem pensa ao contrário terá que arcar com suas responsabilidades. É botar para ver. E o negrão botara! Agora era esperar pelo resultado. Os dias se passaram e eu até pensei que o Bará havia partido com sua dona já que tudo continuava na maior calmaria no Partenon, centro nervoso do batuque, lugar onde as fofocas são as desgraças que envolvem os batuqueiros. Tudo continuava na mais santa paz, dava até para desconfiar. Ou será que este Bará está satisfeito? Bem, tem quem pense assim, infeliz deste. Um dia o negro Zé do Agelú passou em frente ao meu portão e perguntou: - E aí, Deodé, como é que ficou o caso do homem? - E eu sei lá de assunto de homem. Respondi. - O Bará da Mãe Toninha ainda não viajou? Agora me liguei no que ele queria saber, era se o negro Ademar de Xangô havia levado o Bará para casa. - Pois agora, Zé! Tu sabes que eu não sei? Claro que eu sabia, o que eu não queria era ver meu nome envolto naquela baita fofoca. O negrão não levara e, para completar, promovia o maior festere para o aniversário de seu Orixá Xangô Aganjú, coisa de derrubar mais de trinta e dois quatro pés. O que poucos sabiam é que mais alguém aniversariava naquela data, o tal de Bará Lodê de Mãe Toninha. Pra quê! A matança seria na sexta-feira e a festa, como é de praxe, no sábado, com grandes comensais e rufar dos tambores, festa para mil convidados. Mas, na quinta feira à noite, o negrão recebeu a visita inesperada do Bará Lodê. Já que ele estava de aniversário, resolveu dar uma passadinha na casa do negro Ademar e, aproveitando a visita, comeu trinta e dois quatro pés, setenta galos, cinqüenta galinhas e todos os pombos que tinha no pombal e, de lambuja, levou seu compadre Ogum Avagã, que comeu toda a cachorrada e os animais domésticos do terreiro, coisa de pouca m***a, nada mais que o básico. Na manhã seguinte o que se ouviu foi a gritaria do negrão: - Lodê, tu não tem respeito com um filho de religião? Aonde se viu tal afronta? O Lodê, com a barriga farta, cochilava, fazendo ouvidos de mercador para o chorumela do negro Ademar, que teve que abrir um enorme buraco e enterrar toda a bicharada. O negrão não se deu por vencido: - Amanhã ele me paga, vou despachá-lo e quem tentar me impedir, eu mato. Bem, isso é quizila grande e todos que f**aram sabendo se afastaram do caso, uns por medo, outros desejando o acontecido só para ver a rasteira que o negrão Ademar de Xangô levaria do Lodê. O carro do negrão era uma Sinca três andorinhas, coisa linda de se ver, flamante, comprado com parte do dinheiro ganho de uma herança. Embarcou nele e foi com tudo na direção da casa de Mãe Toninha, decidido a despachar o Lodê. A estrada que liga Viamão e Porto Alegre era sem asfalto, terra solta e curvas perigosas. Estava um dia chuvoso e como ele tinha pressa, imprimiu velocidade. Encontrou uma curva de areão solto... E foi aquilo tudo de se perder, encontrar uma árvore, destruir o carro e ter a cara desfigurada pela trombada. Fui visitá-lo na Santa Casa de Misericórdia onde o encontrei em estado lastimável, todo quebrado, enfaixado, cheio de curativos, gemendo pela dor, mas irredutível: - Ele me paga, assim que eu sair daqui vai ter pro lombo dele. - Ele quem? Pergunto, mesmo sabendo a resposta. - Aquele Lodê, foi ele quem me atingiu naquela curva. Antes de capotar eu ainda ouvi a risada daquele infeliz. Bem, há quem tem cabeça pra estas quizilas, eu que não tenho... Debandei. Recuperado, lá vai o negrão Ademar de Xangô cumprir o prometido: despachar o Lodê. Para não perder tempo, já que tinha pressa, avançou, meteu o pé na porta da casa do homem e foi com tudo pra cima. Sacou de dentro da casa o alguidar com o assentamento do homem e enfiou tudo dentro de um s**o que botou sobre o ombro e saiu. Seu destino: o cemitério local onde fora sepultada Mãe Toninha de Yemanjá. Lá chegando, entrou como quem chega na casa da sogra. Foi quando ouviu alguém lhe chamando, voltou-se para ver quem era e levou um tabefe na cara que o jogou para trás. Era Mãe Toninha, sua Mãe de Santo, que aproveitando, enfiou-lhe mais dois ou três catiripapos e, para não perder a conta e aprumar o negrão, sapecou de pronto: - Onde tua vais com este Bará Lodê, negro infeliz? O negrão Ademar, no maior medo, tentando se desculpar, soltou o choro e aos gritos clamou: - Não me bate, Mãezinha, não me bate. Me perdoa, eu prometo, não faço mais. - Então, infeliz, eu te deixo um Orixá pra cuidar da tua família religiosa e tu me afrontas querendo despachá-lo? Onde eu estou que não te levo junto? O negrão deu de mão no Bará e retornou por onde veio, só que desta vez correndo. Passou na frente da casa de sua Mãe e foi depositar o Lodê junto com o seu. - Agora tu tens um companheiro pra prosear. Os Orixás nos dão lições valiosas, se fôssemos inteligentes, até aprenderíamos. Mas, todos sabiam que aquele negro era tinhoso e que não desistiria tão fácil. Com a nova morada, o Bará Lodê se aquietou e tudo voltou a calmaria, afinal, as coisas estavam como ele ordenara, tudo dentro dos conformes. Nas festas dos batuques o povo do Santo, só para embaraçar o negrão, perguntava aos risos. - E aí, negrão, como vai o compadre? Povo sem respeito, desaforados. E lá vinha a sua resposta: -Vai bem, obrigado, só que se depender de mim, na maior seca. Isso signif**ava sem achôro, sem ecó, sem frente, sem o trato que requer um Orixá. Ele pensava que na penúria iria dobrar a força do homem: “Sem forças ele não pode me atingir, afinal, eu já tenho Bará assentado, pra que vou tratar dois quando preciso apenas de um?” Assim ele achava, mas o homem pensava diferente. Os Filhos de Santo daquela casa foram debandando, os clientes desapareceram da porta do negrão e a miséria chegou para f**ar. E o negrão nada de mudar. Quando o café da manhã passou a ser jacuba, a coisa encrespou, desta vez foi a mulher que entrou na parada: - Tchê, negrão... Agora com tuas loucuras tu botou pra toda a nossa família, mas nós não estamos juntos nesta jogada, amanhã mesmo eu me mudo com as crianças para a casa da minha mãe. Com isso, tudo mudou de figura e o negro Ademar se sentiu mais apertado que rato em guampa. Naquela noite, o negrão se postou na frente da casa do Bará Lodê a dizer desaforos: - Onde se viu um Orixá que está morando de favor em minha casa se postar diante do portão a correr meus clientes, Filhos de Santo e amigos? Mas é muito despautério deste homem. Irritado com tantas dificuldades e desiludido com os ditames dos Orixás, largou o serviço e passou a beber toda a cachaça do mundo. Mas, o que mais o deixava louco de raiva era ver de madrugada os dois Barás e o Ogum Avagã chegarem em casa as gargalhadas, no maior porre. - Mas estes exus querem me deixar louco. Eu na maior penúria e eles fazendo farra. Deixa estar, amanhã acabo com esta brincadeira. Na noite seguinte deu de mão num litro de gasolina, derramou sobre a casa do Bará e tocou fogo, saiu dali rindo, feliz com a vingança. Para comemorar tal façanha, tomou um porre e foi dormir. De repente, viu três negrões entrarem em sua casa e se acomodarem como se donos fossem. No começo ele custou em aceitar aquilo, mas, estando morando sozinho naquele casebre, topou a parceria. Agora ele não sofria de solidão, tinha amigos com quem partilhar sua miséria e dificuldades. Foram noites de farras e risadas, conversas e mais conversas que varavam a madrugada, confidências que só os amigos dividem, cumplicidade e respeito pela vida um do outro, afinal, amigo é pra essas coisas. Pela manhã ele saía em busca de mais trago e a noite o povo assistia atônito aquelas algazarras, churrascada e cachaçadas das boas. Alguns pensaram até em chamar a polícia tal a perturbação do sossego da vila. Uma noite, enquanto os outros companheiros dormiam, o Bará Lodê se pegou a conversar com o negro Ademar de Xangô. Falou sobre sua passagem na terra, seu tempo de vida e revelou o porquê de ter escolhido o negro Ademar para protegê-lo. O negrão, na maior atenção, ficou por longo tempo ouvindo. Dentre as revelações, uma ele nunca esqueceria: - Tchê, negrão, tu sabes por que te escolhi? Foi por tu ser obstinado. É virtude obedecer alguém ou alguma coisa, mas o mais belo é a tenacidade, porque ela revela que neste momento o homem não está mais só e a voz a que ele obedece é a do coração, a que está vindo do seu Orixá. É isso o que te diferencia dos demais homens. Tu és um homem honesto e puro de coração, vencerás por teu esforço e trabalho e eu estarei aqui para te ajudar a criar teus filhos e protegê-los na rua. Então era isso. Na sua teimosia demonstrara a força de seu caráter. Ele só não entendia como o Bará destacava como virtude aquilo que para ele era um grande defeito. Agora ele entendia... O que todos consideravam defeito, sua obstinação, fora determinante para que o Bará Lodê o escolhesse como herdeiro e zelador. Na manhã seguinte saiu determinado a cumprir uma grande tarefa. Já que ele era considerado excelente mestre de obra, pretendia construir uma enorme casa para seus compadres. Comprou duzentos tijolos, uma bolsa de cimento e areia barrenta. Obra acabada, ficou linda de ver, digna de elogios. Buscou sete galos vermelhos, três cabritos e os sacrificou como agrado aos homens. Chamou o tamboreiro Valter Calisto, o Borel, e mandou tocar por uma hora as rezas para que seus compadres não comessem em silêncio. Na semana seguinte conheceu o poder da magia do Bará Lodê. Os Filhos de Santos, os amigos e clientes se multiplicaram. A mulher e as crianças corriam pela casa, felizes com o novo homem no qual que ele se tornara. À tardinha, quando a gente passava pela frente daquela casa, podia se ver o negro Ademar de Xangô sentado em um banquinho, em frente à casa do Lodê, com a porta aberta, tomando mate e proseando como se os parceiros estivessem ali. Quer parecer que a frente e oferendas dos Orixás, além do churrasco do Ogum, foi acrescida de erva mate e chimarrão. Mas bah, tchê! Tri legal.

Texto: Pai João Carlos Deodé
Arte: Claudia Krindges Fanpage


AS MUDANÇAS EM IMAGENS DE EXUCadê os pés de bode, animal de Exu que antes se fazia presente e era retratado nas imagem c...
04/10/2019

AS MUDANÇAS EM IMAGENS DE EXU

Cadê os pés de bode, animal de Exu que antes se fazia presente e era retratado nas imagem como forma de fazer presente um símbolo de tal energia?

O que aconteceu com as imagens de Exu, Pombo Gira e Exu Mirim? Em que momento imagens cheias de simbolismo deram espaço e foram substituídas por imagens que retratam apenas pessoas vestidas de forma elegante?

Os mais antigos se questionam isso com mais frequência, já aos jovens umbandistas essa nova forma com que Exu, Pombo Gira e Exu Mirim são retratados lhes parece mais normal.
O fato é que as imagens mudaram e vem mudando pois o entendimento por parte dos praticantes sobre o que é Exu, Pombo gira e Exu Mirim também vem sofrendo mudanças, hoje se respeita Exu por amor, por gratidão ao trabalho que prestam, e não mais por medo.
Antigamente os próprios praticantes da religião pintavam a todos uma ideia equivocada do que era Exu, pois em seu entendimento Exu vinha do inferno, e estava lá por que tinha sido o cafetão, o ladrão, o mal; e esse entendimento se dava pela maneira que as próprias entidades se apresentavam, muitas vezes se mostrando a clarividentes da época transfigurados em formas animalescas, carrancudas e envoltos energeticamente por uma aura preta a sua volta.

Hoje se tem uma compreensão diferente, salvo os excessos de romantização ou tentativas de santif**ar Exu que alguns umbandistas tem, Exu hoje é compreendido como um trabalhador, é uma linha como qualquer outra, onde DE UMA MANEIRA MUITO PRÓPRIA trabalha seguindo ás leis divinas, já a questão inferno aos poucos é deixada para trás pois o umbandista compreende que isso não passa de uma abstração católica, a compreensão do umbandista em maioria hoje é sobre camadas vibratórias, onde de fato se compreende que Exu ocupará na criação uma camada vibratória mais densa, mas uma camada vibratória mais densa está longe de ser o inferno pintado por religiões abstratas.
Um ponto importante a não ser esquecido e que explica as formas com que muitos Exu se apresentavam, é que embora hoje as imagens já não carreguem tanto simbolismo nem sejam retratadas com formas animalescas como antigamente, os Exus, Pombos Gira e Exus Mirins, ainda assim podem, quando necessário de transfigurar em formas bem mais “assustadoras”, e alguns ainda hoje preferem fazer desta sua imagem, pois não podemos esquecer que estas entidades irão muitas vezes a faixas vibratórias muito, muito, muito densas e tensas, onde uma imagem “assustadora” ainda se fará necessária, uma imagem que transmita poder, como uma pata de bode no lugar de um pé (simbolizando a energia, essência e FORÇA DE Exu), Punhais, Tridentes, Pedaços de Corrente, Crânios sendo carregados, face carranca e etc., pois nestas faixas extremamente negativas em que muitas vezes Exu, Pombo gira e Exu Mirim circularão, haverá espíritos tão negativados quanto o campo que habitam, onde apenas uma imagem como a descrita acima é capaz de mantê-los afastados.

Achamos sinceramente maravilhoso o trabalho que muitos umbandistas inspirados pela espiritualidade fizeram e vem fazendo para dividir conhecimentos e desmitif**ar uma imagem equivocada que havia se criado sobre o que Exu, Pombo Gira e Exu Mirim. Mas tudo em excesso é ruim, e do trabalho maravilhoso de se compreender o que são essas energias muitos estão descaracterizando-os. Compreender e respeitar é essencial, agora querer muda-los é desnecessário, e quando digo muda-lo é no todo, pois compreender que Exu não é diabo não é torna-lo anjo, quanto a questão imagens nos cabe respeitar aquilo que os próprios guias determinares, haverá guias que preferem imagens como as antigas fabricadas e haverá guias que preferem ser retratados de uma forma mais humana e alinhada, o que não cabe é f**armos tão preocupados em passar uma ideia bonita do que é Exu que de Exu mesmo não sobrar nada.

Me lembro quando estava fazendo a imagem do meu Exu de trabalho, Srº Exu da Praia, para mim ele se apresentava de uma forma muito tranquila, embora entendesse todo o signif**ado de certos simbolismos nas imagens de Exu, o mesmo não se apresentou fazendo uso de tais simbolismos. Essa foi a forma com que ele se apresentou para mim, já quando se apresenta para outras pessoas é bem diferente, tanto que na época em que estava trabalhando na imagem, sempre que minha mãe entrava no cômodo em que a imagem estava a mesma se assustava, embora não enxergasse o Exu em si, e a imagem não carregasse nenhum dos simbolismos muitas vezes usado, ainda assim a imagem lhe dava um sensação de medo.
Realmente Exus podem se apresentar de várias formas, e cabe a nós respeitarmos a forma com que o mesmo prefere ser retratado, pois digo que se seu Exu da Praia tivesse se apresentado para mim com chifres, presas, patas de bode, ou sei lá como, teria seguido e respeitado a forma com que ele desejava ser retratado; e é isso que falta as vezes, esse respeito. O bom senso deve existir sempre, mas a preocupação em retratar algo bonito, ou algo que seja bem aceito pelos não praticantes da religião não pode ser maior do que retratar algo verdadeiro e respeitar seu guia.
Se o mesmo se apresenta como um homem bem vestido, ok, o represente assim
Se o mesmo se apresentar como as imagem fabricadas antigamente, não tente impor a forma como pensa que ele deveria ser retratado, o respeite assim.

Axé 🕯❤️🙏🏻


“CUIDADO COM A MEMÓRIA DE SUA CASA - EgrégoraO padrão vibratório de uma casa tem relação direta com a energia e o estado...
03/10/2019

“CUIDADO COM A MEMÓRIA DE SUA CASA - Egrégora

O padrão vibratório de uma casa tem relação direta com a energia e o estado de espírito de seus moradores.

O conjunto de pensamentos, sentimentos, estado de espírito, condições físicas, anseios e intenções dos moradores f**a impregnado no ambiente, criando o que se chama de egrégora.

O que poucos sabem é que as paredes, objetos e a atmosfera da casa têm memória e registram as energias de todos os acontecimentos e do estado de espírito de seus moradores.

Por isso, quando pensar na saúde energética de sua casa, tome a iniciativa básica e vital de impregnar sua atmosfera apenas com bons pensamentos e muita fé.

Evite brigas e discussões desnecessárias. Observe seu tom de voz: nada de gritos e formas agressivas de expressão.

Não bata portas e tente assumir gestos harmoniosos, cuidando de seus objetos e entes queridos com carinho.

Não pense mal dos outros. Pragas, nem pensar!

Selecione muito bem as pessoas que vão frequentar sua casa.

Se você nutre uma mágoa profunda ou mesmo um ódio forte por alguém, procure ajuda para limpar essas energias densas de seu coração.

Alegria, amor, paz, prosperidade, saúde, amizades, beleza já estão bons para começar, não é mesmo?

(Chico Xavier) "

02/10/2019

Caboclo Sete Flechas 🏹

O Caboclo Sete Flechas era um índio Oriundo da Tribo Dos Patachós, que se localizava na Mata Escura na época (entre os anos 200 e 300), onde hoje é o Estado da Bahia, é um Caboclo que vem na Irradiação de Oxóssi, podendo ser cruzado para vir na enviação de todos os Orixás.

O Caboclo Sete Flechas recebeu as suas Flechas de 7 Orixás, a mando do Pai Oxalá, conforme segue:

* Oxóssi colocou uma Flecha no seu Braço direito, flecha da saúde para que derrame sobre nós os bálsamos curadores.
* Ogum colocou uma flecha no seu braço esquerdo, flecha da defesa para que sejamos defendidos de todas as maldades materiais e espirituais.
* Xangô cruzou uma flecha em seu peito, para nos defender das injustiças da humanidade.
* Iansã Cruzou uma flecha em suas costas, para nos defender de todas as traições de nossos inimigos.
* Iemanjá colocou uma flecha sobre sua perna direita, para abrir os nossos caminhos materiais e na senda da espiritualidade.
* Oxum colocou uma flecha sobre sua perna esquerda, para lavar os nossos caminhos, iluminar os nossos espíritos e nos defender de todas as forças contrárias à vontade de Deus.
* Omulu/ Obaluaiê entregou em suas sagradas mãos a flecha da força astral superior, para distribuir a humanidade a Divina força da fé e da verdade.

O Caboclo Sete Flechas tem um conhecimento profundo das ervas e das folhas de nossa flora e da flora de outros países, trabalha na cura, exímio vencedor de grandes demandas espirituais e como alguns costumam dizer ele é um Caboclo Mandingueiro, ou seja, quebrador de mandingas destinadas a seus filhos e a seus protegidos, manipulador das energias do Astral e não f**a "preso" a nenhuma vibração, ele trabalha dentro de todas as vibrações Com os Falangeiros que ele comanda.

O machado de Xangô O machado de Xangô corta para os dois lados. Por este motivo, nunca peça justiça para ele, apenas mis...
02/10/2019

O machado de Xangô

O machado de Xangô corta para os dois lados. Por este motivo, nunca peça justiça para ele, apenas misericórdia pelas suas falhas. Xangô é justo e sua sentença correta. E você nem sempre está com a razão.

Oferendas não podem comprá-lo, assim como não podem comprar nenhum outro Orixá. Quando Xangô dá sua sentença e intervém numa situação, ele pesa todos os lados e faz aquilo que é certo. Se quiser sua graça, procure, antes de tudo, ter uma conduta correta, ponderada, justa.

Colhemos sempre aquilo que plantamos. Pode ser que, no momento, você esteja passando alguma atribulação com algum irmão e responsabiliza o próximo pelos problemas que têm enfrentado. No entanto, você não tem conhecimento de todas as suas ações nas suas vidas passadas. Você não sabe se não foi você quem iniciou todos estes conflitos. Mas é capaz, hoje, de resolvê-los, da forma mais positiva possível.

Lembre-se de que a medida que julgamos o próximos é medida que somos julgados. Nesse sentindo, seja tolerante com o próximo. Não queira ver o outro sofrer movido por um falso senso de justiça. Reforço: se seu julgamento com as falhas do próximo é rigoroso, o julgamento de suas próprias falhas será rigoroso.

Isto não signif**a fechar os olhos para as desonestidades do mundo. Muito contrário. Xangô alegra-se em ver aqueles que buscam fazer deste planeta um lugar melhor para se viver. Mas não é pagando o mal com o mal que isto acontecerá.

Xangô é sabedoria, é prudência, é discernimento e generosidade. Aqueles que portam esses valores no coração honram o seu axé.

Kaô Kabecilê Xangô!


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