22/05/2026
Domingo, 17/05
Estação Páscoa | O Reino e o Juízo
Mateus 13:47-50
Em Mateus 13, a partir do versículo 47, Jesus nos apresenta a parábola da rede. Essa parábola é um confronto direto a uma das maiores ilusões do nosso tempo, que contaminou o mundo e a igreja: a ideia de que, no final, tudo ficará bem para todos. O anúncio do Reino sempre inclui as boas notícias da salvação em Cristo, mas também traz o aviso solene de que a história caminha para uma separação definitiva e inevitável. As parábolas de Mateus 13 revelam a natureza do Reino em meio à história humana: ele cresce muitas vezes silenciosamente, possui um valor incomparável, transforma o interior e avança mesmo sob forte oposição, mas, até quando viveremos na ilusão de que, no final, tudo ficará bem para todos?
Nós somos peritos em achar que sempre temos mais tempo. É como o aviso de que vai chover, onde adiamos a ação dizendo “já vou” até que o inesperado dilúvio de Manaus cai, encharcando as roupas e espalhando a sujeira pelo pátio. Na vida espiritual agimos igual, ignorando que o dia da consumação já está determinado pelo nosso Salvador. O problema do homem moderno não é a dificuldade de acreditar no inferno, mas a dificuldade de acreditar na santidade de Deus. Quando a santidade divina é compreendida, o juízo deixa de parecer exagerado e se revela como a consequência inevitável de um Deus que é amor puro, mas diante de quem o pecado não subsiste.
Essa separação final é uma obra exclusiva de Deus, executada por Seus anjos, e não por nós. Jesus não deu à igreja a tarefa de julgar ou separar quem pertence ou não ao Reino, e o papel da igreja não é separar, mas proclamar, evangelizar, discipular e corrigir em amor. Essa verdade arranca de nós o orgulho e gera profundo temor, paciência com aqueles que estão ao nosso redor e uma dependência absoluta da graça de Deus, que estende o tempo da rede no mar para que corações sejam genuinamente transformados antes do fim.