03/02/2026
Iniciou ontem dia 02 de fevereiro de 2026, na Casa dos Padres do PIME, o encontro dos amigos do PIME, com uma breve formação junto ao bispo auxiliar de Manaus Dom Mario Pasqualotto.
Um momento muito bonito de reflexão e estudo sobre a missão.
Após a formação houver uma caminha da Luz até a Capela dos Santos Mártires, onde aconteceu a Celebração solene da Apresentação de Jesus no Templo.
Após a celebração houve um momento de partilha do Lanche.
Assim iniciou as atividades de formação dos amigos do PIME.
Tema 08
A ESPIRITUALIDADE DA MISSÃO
Nos últimos temos escutado repetidamente, como num refrão, ‘todos somos missionários’, pela força do batismo, por pertencer à Igreja, a qual Jesus confiou a tarefa de evangelizar. Perguntamo-nos então: O que faz concretamente o (a) missionário (a)?
A força do missionário reside em sua santidade de vida. O verdadeiro missionário tem consciência de sua vocação à santidade missionária.
Todos somos missionários: alguns são missionários em sua pátria e outros longe dela; alguns o são nas grandes concentrações urbanas e outros em pequenos povoados e aldeias, nas altas cordilheiras ou nas florestas; nos desertos e nas savanas.
Qual é o segredo que faz fecundo o esforço e dá eficácia às caminhadas, trabalhos e sofrimentos? O que nos faz missionários (as)?
1. MÍSTICA MISSIONÁRIA
A atividade missionária tem uma alma que lhe dá vida e move; chamamos mística. A espiritualidade missionária contempla Cristo como “aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo” (cf. Jo 10, 36), e o segue levando ao mundo a Boa Notícia, com o poder do Espírito Santo.
“Tal espiritualidade exprime-se, antes de mais, no viver em plena docilidade ao Espírito, e em deixar-se plasmar interiormente por Ele, para se tornar cada vez mais semelhante a Cristo. Não se pode testemunhar Cristo sem espelhar a Sua imagem, que é gravada em nós por obra e graça do Espírito. A docilidade ao Espírito permitirá acolher os dons da fortaleza e do discernimento, que são traços essenciais da espiritualidade missionária.” (RMi 87).
“Nota essencial da espiritualidade missionária é a comunhão íntima com Cristo: não é possível compreender e viver a missão, senão na referência a Cristo, como Aquele que foi enviado para evangelizar. Paulo descreve assim o Seu viver: « tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. (Cf. Fl 2, 5-8). Aqui aparece descrito o mistério da encarnação e da redenção, como despojamento total de Si mesmo que leva Cristo a viver plenamente a condição humana e a aderir até ao fim ao desígnio do Pai.
Ao missionário, pede-se que « renuncie a si mesmo e a tudo aquilo que antes possuía como seu, e se faça tudo para todos. Precisamente porque « enviado », o missionário experimenta a presença reconfortante de Cristo, que o acompanha em todos os momentos de sua vida: « não tenhas medo ( ... ) porque Eu estou contigo » (At 18, 9-10), e espera-o no coração de cada homem.” (Cf. RMi 88).
A espiritualidade missionária caracteriza-se, além disso, pela caridade apostólica - a de Cristo que veio « para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos » (Jo 11, 52), o Bom Pastor que conhece as suas ovelhas, procura-as e oferece a sua vida por elas (cf. Jo 10). Quem tem espírito missionário sente o ardor de Cristo pelas almas e ama a Igreja como Cristo a amou.
O missionário é impelido pelo « zelo das almas », que se inspira na própria caridade de Cristo, feita de atenção, ternura, compaixão, acolhimento, disponibilidade e empenhamento pelos problemas da gente.
O missionário é o homem da caridade: para poder anunciar a todo o irmão que Deus o ama e que ele próprio pode amar, ele terá de usar de caridade para com todos, gastando a vida ao serviço do próximo. Ele é o « irmão universal », que leva consigo o espírito da Igreja, a sua abertura e amizade por todos os povos e por todos os homens, particularmente pelos mais pequenos e pobres. Como tal, supera as fronteiras e as divisões de raça, casta ou ideologia: é sinal do amor de Deus no mundo, que é um amor, sem qualquer exclusão nem preferência.
Por fim, como Cristo, o missionário deve amar a Igreja: Só um amor profundo pela Igreja poderá sustentar o zelo do missionário. Para qualquer missionário e comunidade, « a fidelidade a Cristo não pode ser separada da fidelidade à Sua Igreja. (Cf. RMi 89).
O chamamento à missão deriva por sua natureza da vocação à santidade. Todo o missionário só o é autenticamente, quando se empenha no caminho da santidade: « a santidade deve-se considerar um pressuposto fundamental e uma condição totalmente insubstituível para se realizar a missão de salvação da Igreja ».
A universal vocação à santidade está estritamente ligada à universal vocação à missão: todo o fiel é chamado à santidade e à missão. A espiritualidade missionária da Igreja é um caminho orientado para a santidade. É preciso suscitar um novo « ardor de santidade » entre os missionários e em toda a comunidade cristã, especialmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos missionários. (Cf. RMi 90).
2. CARACTERÍSTICAS DA ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA
A caridade apostólica: Quem tem espírito missionário sente vivo zelo pela salvação de todos os seres humanos, seguindo o estilo de Jesus, o Bom Pastor, que cuida das ovelhas no redil e vai em busca das demais desgarradas. Este zelo tem suas raízes profundas no mistério pascal de Cristo que entregou sua vida para que N’Ele todos tenha vida.
A abertura a todos os povos: O missionário é o irmão universal que acolhe a todos e em todos descobre os sinais da ação do Espírito que conduz os seres humanos ao encontro com Cristo e os acolhe na Igreja. O missionário supera as fronteiras e barreiras étnicas, e ideológicas. Graças ao discernimento do Espírito abre as portas a todos e se converte em sinal do amor de Deus no mundo, sem exclusões.
A comunhão em Cristo: A Igreja: O missionário, como Jesus, ama a Igreja a edifica, como realização do Reino de Deus no mundo: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25).
“Só um amor profundo pela Igreja poderá sustentar o zelo do missionário: a sua obsessão de cada dia - a exemplo de S. Paulo - é « o cuidado de todas as Igrejas » (2 Cor 11, 28)! Para qualquer missionário e comunidade, « a fidelidade a Cristo não pode ser separada da fidelidade à Sua Igreja” (RMi 89).
O verdadeiro missionário é o santo: O topo do nosso caminhar é o amor. Santa Terezinha em seu “pequeno caminho” nos diz que tudo o que realizamos, ainda que insignificante, o fazemos com muito amor e oferecemos ao Senhor pela salvação de todos, particularmente daqueles que não conhecem o Senhor. Aquele que mais ama, vem em socorro dos demais.
Não basta revisar, coordenar, aperfeiçoar nossos métodos de apostolado; não é suficiente buscar novas técnicas de transmissão de mensagem. É preciso algo mais: Suscitar em nossos corações e dos irmãos o desejo da santidade de vida. O missionário será um contemplativo ou não será tampouco cristão, nem missionário.
3. A ALEGRIA INTERIOR
“A característica de toda vida missionária autentica é a alegria interior que vem da fé” (RMi 91).
Em um mundo angustiado e oprimido por tantos problemas, que tende ao pessimismo; o anunciador da Boa Notícia deve ser uma pessoa que encontrou Cristo, a verdadeira esperança.
O verdadeiro missionário é o santo. Por quê? O missionário é uma testemunha da experiência de Deus e dever transmitir tal experiência aos demais. Para ser testemunha de Deus o missionário deve ser um contemplativo. Isto é, ter conhecido a Cristo vivo, haver experimentado o poder de sua ressurreição em sua própria vida; familiarizado com Ele e ser participante de Seus sofrimentos pelo Evangelho.
A característica fundamental da espiritualidade missionária: A alegria interior! Em um mundo que tende ao pessimismo o missionário é uma pessoa que encontrou Cristo, a verdadeira esperança.
A alegria interior fundamenta-se na fé em Cristo e alimenta-se da esperança certa de Seu retorno. São João adverte que as verdades do Evangelho foram manifestadas e escritas para que creiamos e crendo tenhamos plena alegria.
4. O MISSIONÁRIO ESTÁ À PORTA
O missionário é o irmão universal! O missionário sai ao encontro das pessoas. Se a Igreja é a casa de Deus o missionário está à porta para convidar e entrar todos os que passam, recebendo um sorriso de fraternidade.
O missionário é a pessoa da comunhão, destruindo barreiras e construindo pontes pra chegar aos da outra margem.
O missionário sabe que o Reino é para todos os preferidos são os pobres, os pequenos, os excluídos.
PERGUNTAS
1. Qual parece ser a característica fundamental da espiritualidade missionária?
2. Comente a frase de João Paulo II: “O verdadeiro missionário é o santo”.
3. Por que o missionário dever estar à porta?
MISSIONÁRIOS COM MARIA E COMO MARIA
“E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor: Meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva.” (Lc 1, 46ss).
Este é o melhor compendio do pensamento de Maria e a melhor interpretação de sua paixão missionária. Para Maria a missão é contar aos demais seu encontro com Deus e a transformação realizada em sua vida. Em seu cântico Maria:
a) Alegra-se por sentir-se amada por Deus que toma sobre si as dores dos pobres.
b) Profetiza que ela será chamada bem-aventurada por todas as gerações.
c) Santifica o nome de Deus, que pode mudar a história das pessoas e dos povos.
d) Enfatiza a diferença entre o Reino de Deus e o reino dos homens.
e) Apresenta-se como Filha de Sião, símbolo do povo eleito de Deus, pois nela cumpriram-se as promessas de Deus.