05/05/2026
Tema 03
A URGÊNCIA DA MISSÃO
O Papa João Paulo II, que ao iniciar seu pontificado tomou a decisão de viajar até os confins do mundo, para manifestar a solicitude evangelizadora da Igreja, declarou que ao entrar em contato direto com os povos que desconhecem a Cristo, estava mais convencido da urgência da atividade missionária.
“A MISSÃO DE CRISTO REDENTOR, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento. No termo do segundo milênio, após a Sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço. É o Espírito que impele a anunciar as grandes obras de Deus! « Porque se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois que me foi imposta esta obrigação: ai de mim se não evangelizar! » (1 Cor 9, 16) (RM 1).
São Paulo escrevia aos cristãos de Corinto: “O amor de Cristo nos constrange” (2Cor 5,14).
A atividade missionária nos urge de verdade. O amor de Cristo para conosco e o amor que temos por Ele. A gratidão nos impulsiona a compartilhar o amor de Deus com as pessoas.
A razão suprema que sustenta e urge a atividade missionária é o amor de Deus. Deus, em seu plano de amor, nos chama:
- Para sermos filhos e filhas no Filho pelo dom do Espírito;
- Para integrarmos a todos em sua família, sem distinção de pessoas;
- Para de realizar esse plano o Pai enviou o Filho e o Espírito Santo;
- Jesus Cristo instituiu a Igreja e lhe comunicou o Espírito Santo, para que perpetue no mundo e no tempo seu trabalho evangelizador.
“A salvação consiste em crer e em acolher o mistério do Pai e de seu amor, que se manifesta e se dá em Jesus mediante o Espírito” ( RM 12).
“Na verdade, o Antigo Testamento atesta que Deus escolheu para Si e formou um povo, para revelar e cumprir o Seu plano de amor. Mas, ao mesmo tempo, Deus é criador e Pai de todos os homens, atende às necessidades de cada um, estende a Sua bênção a todos (cf. Gn 12, 3) e com todos selou uma aliança (cf. Gn 9, 1-17). Israel faz a experiência de um Deus pessoal e salvador (cf. Dt 4, 37; 7, 6-8; Is 43, 1-7), do Qual se torna testemunha e portavoz, no meio das nações. Ao longo da sua história, Israel toma consciência de que a sua eleição tem um significado universal (cf por ex.: Is 2, 2-5; 25, 6-8; 60, 1-6; Jer 3, 17; 16, 19) (RM 12).
2. A IGREJA É O NOVO POVO DE DEUS
O Concílio Vaticano II professa que a Igreja foi constituída por Deus como seu povo, para perpetuar no tempo e no espaço a obra de Jesus Cristo.
Profeta para anunciar a todos a Boa Notícia do amor de Deus;
Sacerdote para santificar, através dos sacramentos e do culto a Deus;
Rei para ordenar todas as coisas, segundo Deus, em justiça.
“Todos os homens são chamados a esta unidade católica do Povo de Deus, a qual anuncia e promove a paz universal; a ela pertencem, de vários modos, ou a ela se ordenam, quer os católicos quer os outros que acreditam em Cristo quer, finalmente, todos os homens em geral, pela graça de Deus chamados à salvação” (LG 13).
“Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano,” (LG1).
“A Igreja «prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus» (14), anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cfr. Cor. 11,26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada, mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz” (LG 8).
“Este caráter de universalidade que distingue o Povo de Deus é dom do Senhor; por Ele a Igreja católica tende eficaz e constantemente à recapitulação total da humanidade com todos os seus bens sob a cabeça, Cristo, na unidade do Seu Espírito” (LG 13)
3. A IGREJA É SACRAMENTO
A Igreja é:
- Sinal eficaz de comunhão: indica e realiza a comunhão com Deus e entre os seres humanos, sem distinção de raças e culturas. Essa comunhão é união de mentes e corações, pela ação do Espírito Santo.
- Semente fecunda que germina constantemente, pelo anuncio da Palavra aos novos filhos e filhas de Deus.
- Mãe e Mestra para oferecer a todos os povos o Evangelho. A Igreja proclama que Jesus Cristo veio nos revelar o rosto de Deus e por seu mistério pascal oferecer a todos a salvação.
- Obra do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Existe para fazer presente e comunicar esse amor aos seres humanos. Ela crê nesse amor e vive para fazê-lo acessível a todos.
Nós somos a Igreja de Jesus Cristo porque cremos em seu amor: Ele veio para congrega na unidade os filhos e filhas de Deus que estavam dispersos (cf. Jo 11, 52).
Se acreditamos em Deus e amamos a Jesus não podemos cruzar os braços. O triste espetáculo de uma humanidade dividida e em constantes guerras e discórdias não pode nos deixar indiferentes. Se o mundo, casa de Deus, está em ruínas, os cristãos devem acudir a essa lamentável situação e lançar-se decididos à reconstrução da cidade e do templo, usando os dons recebidos. Jesus quer nos ver unidos e em segurança no seu redil.
“Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).
4. O AMOR NOS URGE À MISSÃO
- Para ajudar as pessoas a abrirem-se ao amor de Deus, a deixar-se amar por Ele e a tomar consciência do que são e do que Deus quer que cheguem a ser.
- Para gritar a todos os samaritanos (as) do mundo o convite de Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus” (Jo 4, 10). O Evangelho é sempre boa notícia, rompe amarras e correntes e liberta de todas as escravidões.
- Para cumprir a vontade de Deus que deseja que todos se salvem em Cristo e entrem em sua família como filhos e filhas.
- Para colocar em prática o mandato missionário de Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).
- Porque nossos semelhantes necessitam e têm o direito de receber o que Deus nos confiou; Seu dom é para todos. O primeiro serviço que a Igreja e todos os cristãos podem oferecer a humanidade é o anúncio do Evangelho.
- Porque Cristo, Sabedoria e Palavra viva de Deus sempre entra nas almas dos santos fazendo-os testemunhas, amigos e profetas (cf. Sb 7, 27).
5. A SITUAÇÃO RELIGIOSA DA HUMANIDADE
São muitos os povos aos quais o anúncio do Evangelho ainda não chegou.
Dos 100.000.000 de pessoas que se juntam à família humana anualmente, 64.000.000 nascem na Ásia e 23.000.000 na África. Na Europa e nas Américas, países de tradição Cristã, o aumento demográfico é praticamente nulo.
Ásia, onde encontra-se a metade da população mundial tem 2% de católicos. A África com 840.000.000 tem 13% de católicos.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/World_population acessado em 21/03/2009
A Igreja encontra-se frente a um desafio alarmante. De uma parte deve ir urgentemente ao encontro dos povos que necessitam de Primeira Evangelização; por outro lado, sofre uma continua diminuição de Evangelizadores. O número de Cristãos não cresce proporcionalmente à população mundial.
Calcula-se que de cada seis pessoas no mundo somente duas conhecem algo sobre Jesus Cristo. 2/3 da humanidade desconhece o Filho de Deus.
6. CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA INSUFICIENTE E FRACA
Sofremos de “insuficiência missionária crônica”!
É fraca porque não se fala de missão na pastoral, na catequese, nas atividades dos movimentos e grupos. Tradicionalmente sempre recebemos missionários de outras Igrejas, mas ainda não aprendemos a enviar missionários. Fomos evangelizados por grandes missionários, mas não nos tornamos missionários.
As deficiências missionárias são preocupantes e exigem um tratamento constante em cada Diocese.
"Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16)
PERGUNTAS
1) Formamos uma comunidade missionária? Sim? Não? Por quê?
2) Quais as dificuldades encontradas em nossa comunidade?
3) O que precisamos fazer para chegar a uma convivência comunitária mais missionária?
MISSIONÁRIOS COM MARIA MISSIONÁRIA
“Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser” (Jo 2, 5).
Maria, mulher sempre atenta às necessidades concretas do povo; Faz suas as angústias e necessidades e buscam solucioná-las.
O missionário é a pessoa não que busca, no seu íntimo, a si mesmo, nem sua própria realização, mas a vida em plenitude de seus irmãos e irmãs.