19/04/2021
“Não tenhais medo”
No momento de maior desespero, viram na escuridão a imagem de um manto flutuante, caminhando em sua direção, sobre a crista das ondas do mar. Gritaram de pavor diante da aparição, pensando se tratar de um fantasma que caminhava sobre as águas. Então, em meio à tormenta e às trevas — quando o mar parecia tão imenso e seu barco, tão pequeno —, chegou-lhes a voz sublime e confortadora de paz de seu Mestre, dizendo: “Sou eu, não tenhais medo” (Mateus 14:27).
Essa passagem das escrituras nos lembra que, quando nos achegarmos a Cristo, buscando Sua plenitude, ou quando Ele vem a nós para nos trazer essa plenitude, nosso primeiro passo pode nos encher de puro terror! Isso não devia acontecer, mas, às vezes, acontece. Uma das grandes ironias do evangelho é que nós, com nossa limitada visão mortal, fugimos justamente de nossa fonte de socorro e segurança.
Pelos mais diversos motivos, já vi pesquisadores fugirem do batismo. Vi élderes fugirem do chamado para a missão. Vi enamorados fugirem do casamento. Vi membros fugirem de chamados difíceis. E vi pessoas fugirem de sua condição de membros da Igreja.
É muito comum fugirmos exatamente daquilo que nos traria mais segurança e co***lo. Muitas vezes vemos nosso comprometimento para com o evangelho como algo a ser temido e abandonado.
O élder James E. Talmage (1862–1933) disse: “Na vida de cada ser adulto, existem experiências semelhantes à da luta dos navegantes sacudidos pela tempestade, com ventos contrários e mares ameaçadores; frequentemente a noite da luta e do perigo já está bem adiantada quando chega o socorro. E, então, muitas e muitas vezes, o auxílio salvador é confundido com um terror maior. [No entanto,] assim como [no caso daqueles discípulos] no meio das águas turbulentas, assim chega a todos que labutam arduamente, com fé, a voz do Libertador — ‘Sou eu; não tenhais medo’”.1