Primeiros Passos na Ortodoxia - Brasil Ortodoxo

Primeiros Passos na Ortodoxia - Brasil Ortodoxo IGREJA ORTODOXA AUTOCÉFALA DA POLÔNIA "Ortodoxia = "crença correta" ou "glória correta" (ou "louvação correta"). Agora não é mais assim.

A Ortodoxia não é um tipo de Catolicismo Romano sem o Papa, mas sim alguma coisa muito diferente de qualquer outro sistema religioso do ocidente. No entanto, aqueles que olharem mais de perto esse "mundo desconhecido”, nele descobrirão muita coisa que, mesmo diferente, é, ao mesmo tempo, curiosamente familiar, "mas isto é aquilo no qual sempre acreditei!". Esta tem sido a reação de muitos ao apren

der, mais profundamente, sobre a Igreja Ortodoxa e sobre o que ela ensina; e eles estão parcialmente certos. Por mais de novecentos anos, o Oriente Grego e o Ocidente Latino têm se desenvolvido firmemente separados cada um seguindo seu próprio caminho, tendo tido, no entanto, solo comum nos primeiros séculos da Cristandade. Atanásio e Basílio viveram, no oriente, mas eles pertencem, também, ao ocidente; e Ortodoxos que viveram na França, Bretanha ou Irlanda podem, por sua vez, olhar para os santos nacionais dessas terras — Albano e Patrick, Cuthbert e Bede, Geneviéve de Paris e Augustine de Canterbury — não como estranhos, mas como membros de sua própria Igreja. Toda a Europa foi um dia tão parte da Ortodoxia como a Grécia e a Rússia são hoje em dia. Robert Curzon, viajando pelo Levante nos anos de 1830 à procura de manuscritos, que pudesse comprar por preço de barganha, ficou desconcertado ao descobrir que o Patriarca de Constantinopla nunca tinha ouvido falar do Arcebispo de Canterbury. As questões que se põe, certamente, mudaram, desde então. As viagens tornaram-se, incomparavelmente, mais fáceis; as barreiras físicas foram derrubadas. As viagens não são sequer necessárias atualmente: um cidadão na Europa Ocidental ou da América não precisa mais deixar seu país para observar a Igreja Ortodoxa em primeira mão. Gregos viajando para o leste por escolha ou necessidade econômica, e Eslavos que tomaram a direção do leste fugindo às perseguições, trouxeram sua igreja consigo, estabelecendo, por toda a Europa e América, uma malha de dioceses, paróquias, colégios teológicos e mosteiros. Mais importante de tudo, em muitas comunidades diferentes, no século presente houve um crescimento de um desejo sem precedente e compelidor pela unidade visível de todos os Cristãos; e isso deu origem a um novo interesse pela Igreja Ortodoxa. A diáspora Grego-Russa espalhou-se pelo mundo ao mesmo tempo em que cristãos ocidentais, em sua preocupação pela unidade, tomavam consciência da relevância da Ortodoxia, e ansiavam por conhecer mais sobre ela. No diálogo ecumênico, a contribuição da Igreja Ortodoxa tem se mostrado surpreendentemente iluminadora, precisamente porque os ortodoxos têm uma história diferente da história dos ocidentais, tendo sido capazes de abrir novas linhas de pensamento e sugerir soluções de há muito esquecidas para antigas dificuldades. Nunca faltaram ao Ocidente homens cuja concepção de cristandade não era restrita a Canterbury, Genebra e Roma; porém, no passado, tais homens eram vozes que clamavam no deserto. Os efeitos de uma alienação que durou mais do que nove séculos, não podem ser superados em curto prazo, mas ao menos se deu início. O que se entende por "Igreja Ortodoxa?” As divisões que resultaram na fragmentação presente da cristandade ocorreram em três estágios, a intervalos de aproximadamente quinhentos anos. O primeiro estágio da separação ocorreu no quinto e sexto séculos, quando as Igrejas Orientais "Menores" ou "Separadas" tornaram-se divididas do corpo principal dos cristãos. Essas Igrejas formaram dois grupos: a Igreja nestoriana da Pérsia e as cinco Igrejas monofisitas da Armênia, da Síria (denominada Igreja "Jacobita"), no Egito (a Igreja Copta da Etiópia e da Índia). Os nestorianos e monofisitas estiveram fora da consciência ocidental ainda mais completamente, do que vieram a estar fora da consciência da Igreja Ortodoxa mais tarde. Quando Rabban Sauma, um monge nestoriano de Pequim, visitou em 1288 (ele viajou até Bordeaux, onde deu comunhão para o Rei Eduardo I da Inglaterra), ele discutiu teologia com o Papa e com Cardeais em Roma, e parece que esses não se deram conta que de seu ponto de vista era o de um herético. Como resultado da primeira divisão, a Ortodoxia tornou-se restrita, em seu lado oriental, principalmente ao mundo de língua Grega. Ocorreu então a segunda separação, convencionalmente datada em 1054. O corpo principal dos cristãos torna-se então dividido em duas comunhões: na Europa ocidental a Igreja Católica Romana, sob o Papa de Roma; no Império Bizantino, a Igreja Ortodoxa do Oriente. A Ortodoxia estava agora limitada no seu lado Ocidental também. A terceira separação, entre Roma e os Reformadores no século XVI não vai nos ocupar diretamente aqui.

É interessante notar como coincidem as divisões culturais e eclesiásticas. O Cristianismo enquanto universal em sua missão tendeu, na prática, a estar associado com três culturas: a Semítica, a Grega e a Latina. Como resultado da primeira separação, os semíticos da Síria, com sua florescente escola de teólogos e escritores, foram afastados do resto da cristandade. Seguiu-se a segunda separação, que abriu uma fenda separando as tradições grega e latina no cristianismo. No entanto, não se deve concluir apressadamente que a Igreja Ortodoxa é exclusivamente grega e nada mais, tendo em vista que padres siríacos e latinos também têm lugar na tradição ortodoxa completa. Enquanto a Igreja Ortodoxa tornava-se limitada, geograf**amente, primeiro no Oriente e a seguir no Ocidente, ela expandia-se para o Norte. Em 863, São Cirilo e São Metódio, os Apóstolos dos Eslavos, viajaram para o Norte para realizar trabalhos missionários além das fronteiras do Império Bizantino, e seus esforços contribuíram para a conversão da Bulgária, Sérvia e Rússia. Enquanto o Império Bizantino encolhia, essas novas Igrejas cresciam em importância e, quando Constantinopla foi tomada pelos Turcos em 1453, o principado de Moscou estava pronto para assumir o lugar de Bizâncio como protetor do mundo Ortodoxo. Durante os últimos 150 anos houve uma reversão parcial dessa situação. Apesar de Constantinopla ainda permanecer em mãos Turcas, uma pálida sombra de sua glória anterior, a Igreja da Grécia está novamente livre; mas a Rússia e outros povos Eslavônicos passaram, por sua vez, a viver sob as regras de um governo não-cristão. Estes são os principais estágios que determinaram o desenvolvimento externo da Igreja Ortodoxa. Geograf**amente, sua atuação se deu, nos primórdios, na Europa Oriental, na Rússia e ao longo da costa oriental do Mediterrâneo. Ela é composta, atualmente, pelas seguintes Igrejas Auto-governadas ou autocéfalas:

Os quatro antigos Patriarcados:

Constantinopla

Alexandria

Antioquia

Jerusalém. Apesar de muito reduzidos em tamanho, essas quatro Igrejas, por razões históricas, ocupam posição especial na Ortodoxia, tendo primazia em honra. Os chefes dessas quatro Igrejas usam o título de Patriarca. Outras dez Igrejas Autocéfalas:

Rússia

Romênia

Sérvia

Bulgária

Geórgia

Chipre

Polônia

Albânia

Tchecoslováquia

Sinai. Todas, exceto três dessas Igrejas - Tchecoslováquia, Polônia e Albânia - estão em países onde a população é inteiramente constituída de não-gregos; cinco das outras - Rússia, Sérvia, Bulgária, Tchecoslováquia, Polônia - são Eslavônicas. Os chefes das Igrejas Russa, Romena, Sérvia e Bulgária são conhecidos pelo título de Patriarcas. O chefe da Igreja da Geórgia é chamado Patriarca Católico; os das outras Igrejas são chamados de Arcebispos ou Metropolitas. Existem ainda várias outras Igrejas que, apesar de autogovernadas, não atingiram total independência. Elas são denominadas autônomas, não autocéfalas. São elas: Finlândia, Japão e China. Existem províncias eclesiásticas na Europa Ocidental, nas Américas do Norte e do Sul e na Austrália que dependem de diferentes Patriarcados e de Igrejas Autocéfalas. Em algumas áreas, essa "diáspora" ortodoxa está lentamente adquirindo auto-governo. Em particular, passos têm sido dados para formar uma Igreja Ortodoxa Autocéfala na América, mas isso ainda não foi oficialmente aceito pela maioria das outras Igrejas Ortodoxas. A Igreja Ortodoxa é assim uma família de Igrejas autogovernadas. Estão agrupadas não por uma organização centralizada, não por um único Prelado exercendo poder absoluto sobre todo o corpo da Igreja, mas pela dupla ligação: unidade da fé e comunhão nos sacramentos. Cada Igreja, ainda que independente, está em completa concordância com as outras quanto à doutrina, e entre elas existe uma completa comunhão sacramental. (Entre os russos ortodoxos existe certa divisão, mas nesse caso, a situação é totalmente excepcional e, espera-se, de caráter temporário). Não existe, na Ortodoxia, ninguém com uma posição equivalente a do Papa na Igreja Católica Romana. O Patriarca de Constantinopla é conhecido como Patriarca "Ecumênico" (ou universal) e, desde o cisma entre Oriente e Ocidente desfruta de uma posição de honra entre todas as comunidades ortodoxas; Ele não pode, no entanto, interferir nos assuntos internos de outras Igrejas. Seu lugar assemelha-se ao do Arcebispo de Canterbury, na comunidade Anglicana. Esse sistema descentralizado de Igrejas locais independentes tem vantagens por ser altamente flexível e facilmente adaptado a condições mutáveis. Igrejas locais podem ser criadas, suprimidas e restauradas de novo, com muito pouca perturbação para a vida da Igreja como um todo. Muitas dessas Igrejas locais são também Igrejas nacionais, pois, durante o passado, em países Ortodoxos, Igreja e Estado estavam unidos. Mas, enquanto um Estado independente freqüentemente possui sua própria Igreja Autocéfala, as divisões eclesiásticas, não necessariamente, coincidem com os limites geográficos dos Estados. A Geórgia, por exemplo, f**a dentro da antiga União Soviética, mas não é parte da Igreja Russa, enquanto que os territórios dos quatro antigos Patriarcados estão, praticamente, em vários países diferentes. A Igreja Ortodoxa é uma Federação de Igrejas locais, que nem sempre são Igrejas nacionais. Ela não tem como sua base o princípio político da Igreja de Estado. Entre as várias Igrejas existem, como pode ser visto, uma enorme variação em tamanho, com a Rússia em um extremo e Sinai no outro. As diferentes Igrejas também variam em idade, algumas datando desde os tempos Apostólicos, enquanto outros são mais novas que uma geração. A Igreja da Tchecoslováquia, por exemplo, só obteve sua autocefalia em 1951. Essas são as Igrejas que fazem a comunhão Ortodoxa como ela é hoje. Elas são conhecidas, coletivamente, por vários títulos. Algumas vezes são chamadas de Gregas ou Greco-Russa; mas isso não é correto, pois existem milhares de Ortodoxos que não são nem Gregos, nem Russos. Os Ortodoxos, freqüentemente, chamam suas Igrejas de Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja Católica Ortodoxa ou Igreja Católica Ortodoxa do Oriente, ou algo parecido. Esses títulos não devem ser mal entendidos, pois enquanto a Ortodoxia considera-se a verdadeira Igreja Católica, ela não é, no entanto, parte da Igreja Católica Romana; e apesar da Ortodoxia chamar-se de Oriental, não é algo limitado ao povo oriental. Outro nome muito empregado é Santa Igreja Ortodoxa. Talvez seja menos confuso e mais conveniente, usar-se o título mais curto: Igreja Ortodoxa. A Ortodoxia clama ser universal - não alguma coisa exótica e oriental, mas simplesmente Cristianismo. Por conta das falhas humanas e dos acidentes da história, a Igreja Ortodoxa esteve no passado muito restrita a certas áreas geográf**as. Ainda assim, para os próprios Ortodoxos, sua Igreja é algo mais que um grupo de corpos locais. A palavra "Ortodoxia" tem duplo signif**ado de "crença correta" ou "glória correta" (ou "louvação correta"). Os Ortodoxos por isso, fazem algo que, a primeira vista, pode ser uma afirmação surpreendente: eles olham sua Igreja como a Igreja que guarda e ensina a verdadeira doutrina sobre Deus e que O glorif**a com a correta louvação, isto é, nada menos do que a Igreja de Cristo na Terra. (A IGREJA ORTODOXA - Introdução - Bispo Kallistos Ware)

06/10/2025

Издавачка кућа Православне цркве у Пољској у сарадњи са удружењем Ортхнет (Orthnet), власником сајта www.orthphoto.net, уз благослов Митрополита варшавског и целе Пољске г. Сав...

Concorram a este ícone de São Serafim de Sarov ao ajudar a climatização da Paróquia de São Cosme e Damião! https://criar...
10/02/2024

Concorram a este ícone de São Serafim de Sarov ao ajudar a climatização da Paróquia de São Cosme e Damião! https://criarifa.com/d7m9Fn

Com a bênção de Sua Excelência Reverendíssima, Dom Chrisostomo, Arcebispo do Rio de Janeiro e Olinda-Recife, primaz da E...
13/11/2023

Com a bênção de Sua Excelência Reverendíssima, Dom Chrisostomo, Arcebispo do Rio de Janeiro e Olinda-Recife, primaz da Eparquia Ortodoxa Polonesa do Brasil, dirigimo-nos a você em nome da paróquia da Santa Neo-mártir Elisabete da Rússia.

Estamos enfrentando uma situação urgente e crítica na nossa igreja, cujo telhado e laje necessitam de reforma urgente, pois estão completamente condenados, tendo uma parte da laje cedido durante uma chuva forte. O custo estimado para a reconstrução é de 22 mil reais, um montante que está além de nossos recursos atuais, mas que precisa ser levantado com a máxima urgência.

Neste momento de necessidade, recorremos à generosidade daqueles que compartilham a fé e o compromisso com a Igreja de Cristo. Pedimos a todos os cristãos piedosos e, em particular, aos cristãos ortodoxos, que considerem contribuir com o fruto de seu trabalho para a restauração do local de adoração e refúgio espiritual para nossa comunidade.

Sua contribuição desempenhará um papel fundamental na preservação deste espaço sagrado e na continuação de nossa missão espiritual. Qualquer quantia que você possa oferecer será recebida com gratidão e utilizada com responsabilidade.

Para ajudar, você pode fazer uma doação direta à paróquia da Santa Neo-mártir Elisabete da Rússia ou entrar em contato conosco para obter informações sobre como contribuir.

Agradecemos profundamente sua generosidade e orações enquanto enfrentamos este desafio. Que Deus o abençoe e o recompense abundantemente por seu apoio.

Em Cristo,

Padre Nicolau
Reitor da Paróquia da Santa Neomártir Elisabete da Rússia

A PRESENÇA DE CRISTOSinta a Presença de Cristo ao seu lado.Todos nós precisamos de uma boa dose de oração silenciosa tod...
25/12/2022

A PRESENÇA DE CRISTO
Sinta a Presença de Cristo ao seu lado.

Todos nós precisamos de uma boa dose de oração silenciosa todos os dias. Encontrar aquele lugar perfeito em sua casa que pode se tornar sua caverna, ou quarto de oração, proporcionará a você aquele espaço sagrado onde você pode ir fundo no coração e se conectar com Deus. Aquele lugar onde você pode fechar sobre sua família, suas preocupações, seu trabalho, suas distrações e ir no mais fundo de seu coração, onde você encontrará a paz que vem de Cristo.

A Oração de Jesus é a oração perfeita, pois é uma oração de adoração e louvor, e uma oração que proclama que Jesus é o Senhor e, como Deus, pode conceder misericórdia a você. A simples oração que invoca o Santo Nome de Jesus pode transformar a sua vida e levá-lo ao próprio Coração de Deus. Esta oração é conhecida como a Oração do Coração pela própria razão de ser do coração.

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador. Dito com a ajuda de um cordão de oração (assim trazendo seu corpo para a ação da oração), esta oração realiza a admoestação de São Paulo de que devemos "orar sem cessar". É uma oração que leva você para fora de si mesmo e para a comunhão com Cristo. É uma oração que pode mudar a sua vida porque através desta oração você pode saborear a presença de Cristo ao seu lado.

Amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

ABELHA OU MOSCA?Devemos procurar apenas o bem nos outrosO Ancião Paisios donMonte Athos disse que existem dois tipos de ...
11/11/2022

ABELHA OU MOSCA?
Devemos procurar apenas o bem nos outros

O Ancião Paisios donMonte Athos disse que existem dois tipos de pessoas: abelhas e as moscas. As abelhas são atraídas por flores e cheiros doces, enquanto as moscas são atraídas apenas por sujeira e mau cheiro. Pergunte a uma abelha onde há fedor e ela dirá "o que é fedor?". Pergunte a uma mosca, onde está o cheiro doce, e ela dirá "que é cheiro doce?". A abelha conhece apenas a doçura e o bem, enquanto a mosca conhece apenas o fedor e a sujeira.

Ao examinarmos nossa vida, devemos decidir se seremos uma abelha ou uma mosca. Julgamos os outros e procuramos apenas o fedor e a sujeira, ou procuramos apenas o bem nos outros e vemos o fedor apenas em nós mesmos. A aquisição do verdadeiro arrependimento e da verdadeira santidade só pode ser alcançada se nos comprometermos ver apenas o bem nos outros e o fedor e a sujeira em nós mesmos.

Com amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

Foto:
Lua (à minha esquerda na foto) é uma peregrina ortodoxa viajando de mosteiro em mosteiro, visitou nossa comunidade na última quarta-feira. Realmente ela é uma mulher encantadora.

SILÊNCIO INTERIORDeus é ouvido no silêncio do coração.O próprio coração do monaquismo ortodoxo é encontrado na hesíquia,...
26/10/2022

SILÊNCIO INTERIOR
Deus é ouvido no silêncio do coração.

O próprio coração do monaquismo ortodoxo é encontrado na hesíquia, isto é, manter a quietude. O hesicasta nega para afirmar. Com base na ordenança de Cristo no Evangelho de São Mateus de "ir ao seu quarto para orar", o hesicasmo na tradição tem sido o processo de retirar-se para dentro deixando de registrar os sentidos, a fim de alcançar um conhecimento experiencial de Deus.

Santo Issac o Sírio, diz que é melhor adquirir pureza interior do que converter todo o mundo dos pagãos do erro. O Venerável Issac não está desconsiderando o trabalho missionário, mas simplesmente dizendo que a menos que adquiramos um coração pacífico, nada mais pode ser realizado.

Neste mundo cheio de barulho, devemos dar tempo ao silêncio, pois Deus nos fala no silêncio do nosso coração. Essa busca pelo silêncio não é negação do mundo, mas sim, aceitação do mundo.

Com amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

Foto:
Meu cantinho pessoal de ícones de minha cabana monástica.

TREVASEvitando esta escuridão presente.Para aqueles que abraçam o prazer da festa e do entretenimento, tudo em uma tenta...
10/10/2022

TREVAS
Evitando esta escuridão presente.

Para aqueles que abraçam o prazer da festa e do entretenimento, tudo em uma tentativa de evitar as dificuldades e lutas da vida que fazem grandes almas, eles falharam em abraçar o elemento essencial que torna esta jornada de vida salvíf**a. Eles terão evitado seu serviço de amor suportando aquelas dificuldades que os unem ao amor de Cristo, e o próprio Paraíso terá sido sacrif**ado.

O Senhor nos prometeu que o jugo seria suave e o fardo leve (Mateus 11:30), se nos uníssemos a Ele. Cristo abre a porta do Paraíso, enche nossos corações com Seu amor divino e nos tornamos novas criaturas. Mas se não temos Cristo, não temos amor, e todo o nosso ganho material nos levará a um vazio espiritual que é a escuridão. Se não tivermos Cristo, mesmo nosso jejum, virtude, trabalho e oração não terão sentido.

Quando nos voltarmos para Cristo e deixarmos que Seu abraço nos tire da estagnação deste mundo presente, teremos conquistado tudo, a eternidade será nossa, e o amor terá preenchido o vazio que é esta escuridão presente.

Amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

ENCONTRANDO A ORTODOXIAEncontrando santidade e paz nesta Antiga Fé.A primeira vez que entrei em uma Igreja Ortodoxa, me ...
07/10/2022

ENCONTRANDO A ORTODOXIA
Encontrando santidade e paz nesta Antiga Fé.

A primeira vez que entrei em uma Igreja Ortodoxa, me senti atraído por ela. Havia um "puxão" interior tangível e uma sensação avassaladora de paz, santidade e admiração, emanando das próprias paredes do templo.

O clero servidor não era o foco do serviço, mas como eu havia o experimentado em minha educação protestante, parecia estar se movendo dentro das paredes de seu templo, como se fossem servos ou, dada a beleza de suas vestimentas, cortesãos de um imperador. O foco não estava nos homens, mas na santidade de Deus. Senti um desejo irresistível de fazer parte dessa religião, mas, na época, permiti que as diferenças étnicas e linguísticas me impedissem de voltar.

Eventualmente, como é evidenciado por minha vocação atual, eu voltei, e não posso nem imaginar como eu poderia ter f**ado longe, por cerca de vinte anos, depois de ter provado "o Reino Celestial". A Ortodoxia é assim, ela parece quase familiar para muitos iniciantes, como se conhecessemos essa fé desde a nossa concepção.

Lembro-me de ver meu primeiro ícone pintado à mão. Era um ícone de Cristo, e me senti atraído por ele, querendo abraçá-lo (ou, talvez mais corretamente, ser abraçado por ele). Este primeiro encontro foi em 1968, na pequena capela privada de um amigo. Esse encontro aconteceu cerca de um mês depois de eu dirigir pela Floresta Nacional de Redwood, no norte da Califórnia, observando as árvores altas e milenares. Tanto o ícone quanto os Redwoods tiveram um enorme impacto em minha jovem alma. Ambos pareciam me oferecer um santuário de sensação de paz. Ambos me fizeram sentir que encontrei algo precioso, eterno e sagrado. Ainda sinto o mesmo, e agora como um monge idoso.

Nós, humanos, somos seres materiais, tendo recebido nossos corpos do Criador. Este Deus Criador nos colocou em um mundo material, cercado por coisas que podemos tocar, ver, cheirar, provar e ouvir. Os templos ortodoxos, por sua própria natureza, nos permitem comungar com esse mesmo Deus, que deu a cada um de nós a capacidade de tocar, ver, cheirar, saborear e ouvir. É através do mundo material que Deus escolheu se unir a nós, Suas criaturas. O Lógos (o Verbo), o próprio Cristo, por Quem tudo o que é, veio a ser, desceu do céu, e nos abraçou, como Seu.

Minha última viagem pelas Redwoods trouxe de volta lembranças do meu primeiro encontro com um ícone de Cristo. Como não poderiam, pois é o próprio Cristo, retratado no ícone, Quem criou as sequóias e tudo o que é belo e sagrado.

Com amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

Foto:
Antiga Catedral Ortodoxa Russa da Santíssima Virgem em San Francisco, CA (EUA).

IMITE O PUBLICANOOs santos: modelos para nossas vidas.Nossa vida cristã ortodoxa não foi projetada para ser inventada à ...
05/10/2022

IMITE O PUBLICANO
Os santos: modelos para nossas vidas.

Nossa vida cristã ortodoxa não foi projetada para ser inventada à medida que avançamos, pois, pela própria natureza da Igreja, somos instruídos a usar como nosso modelo de vida a vida dos santos que existiram antes de nós. Suas vidas são apresentadas diante de nós como exemplos de santidade. Sua caridade deve se tornar nosso modelo de caridade. Seu sacrifício deve se tornar o modelo de nosso sacrifício. Seu ascetismo deve ser o modelo de nosso próprio ascetismo. A humildade deles deve ser o modelo pelo qual devemos levar uma vida com toda a humildade. Seu amor a Deus e ao próximo deve se tornar o exemplo supremo para nossa própria luta para amar a Deus acima de tudo e amar o próximo como a nós mesmos. Sua disposição de sofrer perseguição por amor a Cristo deve ser o modelo pelo qual estamos dispostos a enfrentar perseguição e até martírio por nossa fé.

Santa Sinclética, uma mãe do deserto do século IV, disse: "Imite o publicano e você não será condenado com o fariseu. Escolha a mansidão de Moisés e você encontrará seu coração que é uma rocha transformada em fonte de água". Enquanto o fariseu se orgulhava diante de Deus e dos homens por sua piedade e realizações, até mesmo com ousadia no templo em toda arrogância, agradecendo a Deus por não ser como os outros homens, o publicano ficou longe, de cabeça baixa, batendo no peito e dizendo: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" (Lucas 18:13). Devemos lembrar que o Senhor Jesus Cristo disse a seus discípulos que o publicano foi embora justif**ado.

Devemos cuidar de quem colocamos como modelo para nossa própria vida, para que não tomemos como exemplo o homem que é mundano, egocêntrico, ganancioso, sem amor e desprovido de qualquer interesse na vida espiritual. Em vez disso, devemos olhar para os santos como exemplos de como viver e como amar, que nós, como o publicano, estaremos diante de Deus tendo sido justif**ados.

Com amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

A OBRA DA IGREJAA adoração é a principal obra da Igreja.O Cristianismo Ortodoxo é conhecido principalmente por sua adora...
28/09/2022

A OBRA DA IGREJA
A adoração é a principal obra da Igreja.

O Cristianismo Ortodoxo é conhecido principalmente por sua adoração, pois o cerne de nossa vida cristã ortodoxa encontra-se nos cultos realizados em nossos templos. Li em algum lugar que durante o auge do período de repressão soviético, um cardeal católico romano, ao visitar a Rússia, perguntou a um metropolita ortodoxo como eles estavam conseguindo sobreviver aos horrores e a repressão do Estado ateu.

O metropolita respondeu dizendo que não importava o que acontecesse, os cultos eram sempre celebrados. Todos os dias, de manhã e à noite, os cultos continuaram. Embora a Igreja fosse proibida por lei de operar escolas e hospitais, ensinar crianças ou visitar doentes e presos, os serviços continuaram a ser celebrados.

A Igreja Russa agora tem capelas em prisões por todo o território russo, opera escolas e hospitais, tem capelães servindo nas forças armadas, refeitórios públicos ("casas de sopa") e órgãos de caridade que atendem aos pobres, mas ainda assim, até hoje, ela ve a celebração dos Serviços Divinos como sendo a principal obra da Igreja. A centralidade do culto sempre foi a principal obra da Igreja, e assim permanecerá até o fim dos tempos.

Com amor em Cristo,

+ Abade Tryphon.

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Mamanguape, PB
58280000

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