12/04/2026
A forma como André Luiz descreve a sua chegada ao mundo espiritual é simplesmente aterrorizante. É um verdadeiro soco no estômago.
Ele relata que perdeu completamente a noção de tempo e espaço. Imagina o desespero: ele tinha a certeza absoluta de que já estava morto, de que não pertencia mais ao mundo dos vivos. E, no entanto, para o seu terror, ainda sentia os pulmões puxando o ar de forma desesperada, como se estivesse sufocando numa atmosfera densa e pesada.
Ele se viu preso numa espécie de cela escura de puro horror, no Umbral. O medo que sentia era tão brutal que seus cabelos ficavam eriçados e o coração saltava no peito. André Luiz vagava no meio do nada, gritando como um louco, implorando por piedade. O mais perturbador é que, quando o silêncio daquele lugar bizarro não abafava os seus gritos, a resposta que recebia eram lamentos ainda mais dolorosos que os dele, ou gargalhadas sinistras e debochadas rasgando a escuridão. Ele se sentia cercado por prisioneiros da loucura.
A paisagem ao seu redor era medonha. Às vezes, surgiam rostos animalescos e formas diabólicas no meio de uma neblina espessa e cinzenta. A luz era pálida, e o sol parecia aquecer de muito longe, sem vida. Ele não parava de fugir. O pavor o empurrava como um vendaval, sem rumo. Ele perdeu totalmente o contato com a vida que conhecia: não sabia onde estava a esposa, os filhos, a casa... O choque de se ver fora do corpo sugou toda a sua capacidade de raciocinar. A consciência pesava tanto que ele desejava a ausência total da razão; ele preferia não existir a ter que encarar aquela realidade.
As coisas só pioravam. De vez em quando, exausto de tanto chorar, ele conseguia o alívio de um sono rápido. Mas até esse co***lo lhe era roubado bruscamente. Seres monstruosos e irônicos o acordavam, e a única opção que lhe restava era voltar a fugir deles.
É no meio de todo esse tormento que a ficha de André Luiz começa a cair. Ele havia sido um homem super culto na Terra, um médico cheio de teorias científicas, políticas e filosóficas. Mas ali, no Umbral, ele percebeu que nada daquilo importava. A dor o obrigou a reconhecer que a humanidade não é feita de gerações passageiras de carne e osso, mas de espíritos eternos. Ele compreendeu, tardiamente, que a fé e a ligação verdadeira com Deus são as únicas coisas que permanecem.
Ele faz uma autocrítica pesadíssima. Ele reconhece que não foi um criminoso na Terra; não roubou, não matou ninguém. Mas foi engolido pela "filosofia do imediatismo". A vida dele foi absurdamente egoísta. Ele teve pais generosos, formou-se sem grandes sacrifícios, curtiu os vícios da mocidade, casou, teve filhos e correu atrás de estabilidade financeira para garantir o conforto exclusivo do seu grupo familiar.
E é exatamente aí que a consciência apresenta a conta! Ele experimenta a amarga noção de "tempo perdido". Ele percebe que viveu na Terra, sugou todas as bênçãos e alegrias da vida, mas não devolveu um único centavo desse débito enorme. Ele trancou a esposa e os filhos numa teia feroz de egoísmo e fechou as portas do seu lar para todos os que palmilhavam o deserto da angústia. Ele se deliciou com as alegrias da família de sangue, mas foi completamente surdo aos deveres mais básicos de fraternidade com a imensa família humana.
Ele se define como uma "flor de estufa". Ele conta que sufocou as sementes divinas em sua alma por causa do desejo incontrolável de bem-estar material. Como ele não "adestrou" os seus órgãos espirituais na Terra através da caridade, ele acordou no Umbral como um aleijado espiritual. Ele foi jogado no rio infinito da eternidade sem conseguir acompanhar as águas. Era como um mendigo infeliz, exausto no deserto, vagando à mercê dos tufões das próprias imperfeições.
O relato termina com um apelo arrepiante para os que ainda estão na Terra. Ele diz: "Ó amigos da Terra! Quantos de vós podereis evitar o caminho da amargura com o preparo dos campos interiores do coração?" Ele avisa para acendermos as nossas luzes antes de atravessar a grande sombra e para buscarmos a verdade antes que a verdade nos surpreenda. Em resumo: ele pede para suarmos no trabalho do bem hoje, para não chorarmos depois.
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Este é um resumão de tudo o que você precisa saber sobre o capítulo 1 de Nosso Lar, psicografado pelo médium Chico Xavier.