27/08/2026
O Ilê N’Ifé Omi Omô Posú Betá.
A Casa das Iyábás não negocia sua existência.
Soso
Não negociamos nosso atabaque, nossa saia rodada, nosso direito de cultuar na encruza sem olhar por cima do ombro.
Por séculos tentaram nos pôr de joelhos. Com o navio. Com a lei. Hoje, com o microfone em nome de Deus e o fuzil em nome da ordem. A história é a mesma, só muda o discurso.
Para nós, fé e voto não se separam.
Não se pede proteção a Ògún e se vota em quem celebra a violência.
Não se pede amor a Òsun e se escolhe quem espalha ódio.
Não se pede caminhos a Yemọjá e se vota em quem envenena suas águas e vende seu mar.
Não se bate cabeça para Nanã e se vota para voltar 200 anos no tempo.
Quem vota com a gente, reza com a gente.
Religião que precisa do nosso medo para crescer não é religião, é dominação.
Aprendemos com Mãe Mirian: axé não se pede de boca fechada, se conquista de cabeça erguida.
E cabeça erguida é saber: voto sem memória ancestral é armadilha. Voto que nos deixa fora da universidade, do posto e da terra, prende nosso próprio futuro.
O que queremos é ancestral e simples: segurança para girar, reparação para existir e representação para decidir.
Não pedimos licença. Existimos, resistimos e votamos.
Se seu Orixá é de luta, seu voto não pode ser de quem te oprime.
Sua bença Iyábinan.
E vamos pelas águas.