11/04/2025
MORTIFICAÇÃO DOS OUVIDOS E DA LÍNGUA: “LÍNGUA SOLTA É SINAL DE ALMA VAZIA.” – SANTA TERESA D’ÁVILA.
Essa mortificação requer que não se diga nem se ouça coisa alguma que seja contrária à caridade, à pureza, à humildade ou à alguma outra virtude, porque, como diz São Paulo: “Não vos deixeis enganar: Más companhias corrompem bons costumes” (I Cor 15, 33). Com efeito, quantas almas perverteram-se por terem escutado conversas desonestas ou contrárias à caridade? As palavras obscenas estimulam a curiosidade mórbida, despertam paixões, acendem o desejo e incitam ao pecado. As palavras pouco caridosas produzem discórdias, até mesmo nas famílias, desconfianças, inimizades e rancores. É preciso, portanto, ter muito cuidado em vigiar as palavras para evitar esses escândalos e fechar os ouvidos a tudo que possa perturbar a pureza, a caridade e a paz.
Mas, para ter maior sucesso, devemos por vezes mortificar a curiosidade, evitando fazer perguntas que a lisonjeiem, reprimindo a “coceira” para falar que nos leva a conversas intermináveis, não somente inúteis, mas também nocivas: “Não pode faltar o pecado num caudal de palavras; quem modera os lábios é um homem prudente” (Pr 10, 19).
Como os meios negativos não bastam, procuremos levar as conversas para assuntos não somente inofensivos, mas bons, honestos e até edificantes. Todavia, sem nos fazer pesados aos demais com conversas muito sérias, que não fluam naturalmente.
Adolphe Tanquerey, Compêndio de Teologia Ascética e Mística, editora Ecclesiae, p. 331.