09/05/2026
Peço licença poética,
Força, rima e inspiração,
Pra cantar uma história
Que sacode o coração,
De um santo humilde e puro
Que venceu a escravidão.
Poucos falam de seu nome,
Poucos buscam conhecer,
Mas a história desse santo
Tem um humano poder,
Que brotou lá na cozinha
Pra canção do mundo ser.
A Origem Humana e a Escravidão
Nas terras da Sicília,
Benedito então nasceu,
Filho de escravos pretos
Que o chicote conheceu,
Mas na alma daquele menino
O rancor nunca cresceu.
Sua pele era bem negra,
Como a noite sem luar,
E sofreu o preconceito
Que o mundo quis lhe dar,
Mas na fé do Deus Altíssimo
Ele soube caminhar.
Foi pastor de ovelhas livre,
Trabalhou com muito afã,
Depois foi para o convento
Como um simples guardião,
E na força da cozinha
Deu o exemplo de cristão.
O Milagre da Cozinha e dos Pobres
Não sabia ler os livros,
Não tinha doutoramento,
Mas a Bíblia ele sabia
Pelo bom sentimento,
E o que cozinhava pros pobres
Tinha o dobro de sustento.
Diz o povo que os anjos
Vinham lhe auxiliar,
Panelas vazias e frias
Começavam a fartar,
E o milagre do alimento
Ninguém sabia explicar.
Quando vinha o superior
Pra ver o que ele escondia,
O carvão virava flores,
Numa santa poesia!
Onde havia a miséria,
Brotava a santa alegria.
O Padroeiro do Povo Negro no Brasil
Quando o negro veio de longe,
Amarrado no porão,
Pra plantar o canavial
E sofrer no cativeiro deste chão,
Trouxe a fé em Benedito
Como força e proteção.
O Brasil que foi erguido
Pelo braço do escravo,
Sabe bem que Benedito
Foi um protetor calado,
Dando lenitivo e cura
Ao corpo que foi chibatado.
É por isso que o congado,
O moçambique e o maracatu,
Cantam vivas a esse santo
De norte, de oeste a sul,
Pois ele é o irmão da raça,
Sob este manto azul.
O Agradecimento Final
Glorioso São Benedito,
Santo preto e justiceiro,
Que não quis a vaidade
Deste mundo passageiro,
Abençoe a nossa mesa
E o povo brasileiro!
Obrigado, meu santinho,
Por sua história de luz,
Que mostra que a santidade
Na humildade reluz.
Viva o Santo Cozinheiro,
Fiel servo de Jesus!
Amém.