13/04/2020
SOBREVIVEREMOS AO DESERTO
por Pr. Delmo Fonseca
"Sou como o pelicano no deserto,
como a coruja das ruínas.
Não durmo e sou como
o passarinho nos telhados"
(Sl 102.6,7)
A fé de Davi o capacitava a atravessar os desertos da vida.
Em meio a tantas aflições, o salmista exclamou: “Sou como o pelicano no deserto, como a coruja das ruínas. Não durmo e sou como o passarinho solitário nos telhados”. Ele recorreu à metáfora, figura de linguagem que se firma como a ferramenta dos poetas. Não satisfeito, se comparou a três aves: pelicano, coruja e pardal. Por ora, analisemos o pelicano: é uma ave extremamente adaptada ao ambiente marinho, se alimenta e vive praticamente toda a vida na água, retornando à terra apenas para aninhar. Um pelicano no deserto é um pássaro fora de seu habitat natural, suscetível às imposições do lugar, como calor e falta de comida. É certo que por livre vontade um pelicano jamais procuraria o deserto. Assim Davi se viu: “Como sombra que declina, assim os meus dias, e eu me vou secando como a relva” (v. 11). Por meio desta súplica o salmista abriu seu coração para Deus.
Ao que parece, neste tempo de pandemia e quarentena forçada, vivenciamos a inusitada condição de pelicanos no deserto. Muitos têm experimentado o calor da injustiça, a fome da paz e a sede de alegria. Porém temos um alento, pois o Senhor prometeu aos seus: “Não terão fome nem sede, a calma nem o sol os afligirá; porque o que deles se compadece os guiará e os conduzirá aos mananciais das águas” (Is 49.10). O Senhor Jesus Cristo é o nosso manancial. Nele encontramos a vida que vale a pena a ser vivida, o caminho que vale a pena ser percorrido, a sombra na qual vale a pena sentar e descansar. Em Cristo podemos depositar a esperança de que sobreviveremos ao deserto.
Por isso devemos orar, derramar nosso coração diante do Pai a fim de aprendermos mais a respeito de sua vontade: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jr 33.3)