19/07/2020
O Senhor de Fato(s): desconformando-se do dualismo, cientificismo e ateísmo
O dualismo é uma ideia muito perigosa que podemos acatar sutilmente, sem nem perceber. É a separação que muitas pessoas fazem entre o que é espiritual, e material. Ou seja: assuntos como Deus, religião, espiritualidade são restritos exclusivamente à esfera espiritual, enquanto assuntos como gostos, moda, filmes, música, política, são exclusivamente da esfera física/secular e não há nenhum ponto de contato entre as duas esferas. O fato de eu ser cristão não influencia no modo como eu vivo minha vida e o modo como eu vivo minha a vida nada tem a ver com minhas crenças. Todavia, de acordo com uma cosmovisão cristã correta, baseada nas Escrituras, aprendemos que o ser Cristão vem primeiro de tudo na nossa vida. É o que nos identifica como pessoas, filhos de Deus e isso deve influenciar o modo como pensamos cada assunto, seja ele espiritual ou secular.
Da mesma forma, o cientificismo é outro "ismo" ruim para um cristão. Vejam bem, espero que não haja desentendidos aqui, a ciência é boa, faz parte da criação de Deus! Se desconformar do cientificismo nada tem a ver com ser anti-científico, negacionista ou outra coisa do tipo. O cientificismo é uma corrente, surgida a partir do naturalismo, que estabelece que a única realidade que existe é a natural, a física e, devido a isso, somente o conhecimento científico é verdadeiro, útil e pode realmente conduzir à verdade em todas as suas formas e facetas, não sobrando mais nada pra qualquer outro tipo de conhecimento. Isso é ruim para o cristão pelo motivo de que nós cremos que Deus se revela na sua Palavra, as Escrituras Sagradas, na Bíblia, e o que Ele fala é verdade. Não que a Bíblia tenha o propósito de fornecer conhecimento científico, mas ela tem o propósito de dar o conhecimento do Criador dos céus, da terra e da ciência. É somente através dela que podemos conhecer a Deus, e esse conhecimento é tão verdadeiro quanto observar bactérias em um microscópio ou analisar padrões que se repetem em um gráfico.
Por último, chegamos ao ateísmo. Talvez ele dispense apresentações, mas é interessante pensar que o próprio ateísmo, na conjuntura em que se encontra hoje em dia, não se estabelece como uma via neutra, arreligiosa e superior intelectualmente. O ateísmo acabou se tornando uma "anti-religião", uma crença reversa ou, em outras palavras, uma religião sem divindade. Seus adeptos têm tanta fé e convicções em certas questões quanto os cristãos são convictos em afirmar que Cristo ressuscitou dos mortos. E é falsa e enganosa a presunção de uma "superioridadade intelectual ateísta" e de que é possível, nas próprias palavras deles, construir um caminho viável para a moralidade e a ética com preceitos 100% não religiosos, 100% seculares. Se os cristãos têm o problema do mal para resolver, os ateus têm um problema, no mínimo, tão complexo quanto o problema do mal: o problema do bem. De onde vem o senso universal de ética, do bom e do ruim, que permeia toda a humanidade? Qual é o padrão ético universal? Quem estabeleceu o que é bom e ruim, e de onde um ser humano tira sua ideia de bom ou ruim? F**a aí o questionamento.
Por Giovanni Fiori Tini