Robert McAlister, conhecido pelo povo de Deus como "Bispo Roberto", de nacionalidade canadense, veio para o Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, onde implantou uma grande obra de evangelização conhecida como “Cruzada de Nova Vida”. Robert McAlister nasceu em 13 de agosto de 1931, na cidade de London, província de Ontario, Canadá, distante apenas 200 km de Detroit (Estados Unidos). Vindos de uma fa
mília originalmente evangélica e com tradição no reavivamento pentecostal – seu tio, R. McAlister, foi o fundador das Assembleias de Deus no Canadá –, ele e seus irmãos, Elizabeth e Jack, foram criados na igreja e nunca saíram dela. Mesmo assim, Robert não queria saber de Deus. Era considerado a “ovelha negra” da família, apesar de seus pais nunca terem deixado de orar por ele. Seu pai, Walter E. McAlister, depois de implantar várias igrejas no Canadá, tornou-se pastor da “Igreja da Pedra” (nome atribuído pela característica arquitetônica da mesma), na cidade de Toronto. Era um homem extremamente humilde. Sua maior característica era nunca falar mal de ninguém. Sua mãe, Ruth, sempre foi dona de casa. Quando Robert se converteu, aos 17 anos de idade (no dia 18 de setembro de 1948), largou seu emprego em uma seguradora para estudar, durante três anos, em uma escola bíblica, a Eastern Pentecostal Bible College, em Peterborough, também em Ontário, a duas horas de ônibus desde o norte de Toronto. Após sua formatura, foi ordenado ao pastorado pelo seu próprio pai, então superintendente nacional das Assembleias Pentecostais do Canadá. Primeira missão e descoberta de um ministério “pentecostal”: Filipinas
Formado e ordenado, alentava o sonho de servir no campo missionário e, assim, juntou-se a um grupo de missionários que foi servir a Cristo nas Filipinas como solista (cantava desde cedo nos corais da igreja), uma vez que já havia pregadores escalados para as campanhas evangelísticas naquele país. Entretanto, nas noites em que não havia campanha, o jovem missionário realizava cultos com oração pelos enfermos em outros bairros de Manila, o que o levou a ser repreendido, especialmente porque aquele grupo era de cristãos cessacionistas (ou seja, criam que os dons do Espírito Santo cessaram após o período apostólico), o que para ele era inadmissível, pois ele próprio fora curado milagrosamente de uma gagueira. Com isso, juntou-se a um missionário americano que também estava nas Filipinas, Lester Summeral, a quem começou a acompanhar e com quem muito aprendeu sobre os milagres do Espírito Santo. Pr. Roberto decidiu permanecer mais tempo naquele país e, assim, convidou seu tio, Hugh McAlister, para unir-se a ele nas campanhas de cura divina que promoveram naquele país antes de retornarem ao Canadá passando, antes, pela Índia, onde fez uma cruzada evangelística. Casamento
De volta à sua terra, em 1955, foi para os Estados Unidos fazer uma cruzada e conheceu uma moça de Charlotte, em Carolina do Norte, chamada Glória Garr, filha do primeiro missionário pentecostal na Índia, Dr. A. G. Garr. Eles se conheceram em um sábado de manhã. Estavam tomando café na casa da mãe dela, onde ele estava hospedado. Eles conversaram e três dias depois ele a pediu em casamento (!). Ela perguntou porque ele tinha demorado tanto para se decidir (!!). E os dois casaram pouquíssimo tempo depois, no dia 10 de junho de 1955 (!!!). Quanto à lua-de-mel, o local escolhido foi um cruzeiro pelo... Brasil (!!!!). Aqui, quando ancorado em Santos (SP), foi convidado a pregar na Assembleia de Deus daquela cidade, o que o marcou. Outras missões: Alemanha, França e Hong Kong
Depois da lua-de-mel, retornou aos Estados Unidos e de lá partiu para fazer cruzadas de dois anos em países como França, Alemanha e Hong Kong, onde implantou uma igreja a qual chamou de New Life Church. Mas seu objetivo era estabelecer-se na Índia, desde sua primeira viagem àquele país. Geopolítica o impede de se estabelecer na Índia
Robert seria missionário em Calcutá, na Índia. No entanto, às vésperas da viagem descobriu que, como canadense, podia ir e sua esposa por ser americana, não (a Índia estava sob influência soviética, no auge da Guerra Fria). Por isso sua entrada foi proibida. O sonho de ser missionário na Índia havia acabado. Com isso, deu os US$ 5.000,00 dólares que tinha guardado para fazer a viagem ao seu melhor amigo, Mark Buntain, que foi missionário na Índia durante anos. Entre uma turnê e outra, foi convidado para pregar em uma igreja durante um ano em South Bend, Indiana, depois voltou para Charlotte, para o nascimento do filho Walter. O nascimento da Igreja de Nova Vida
Missões na França e nos Estados Unidos, e um convite que marcaria sua vida... como tudo começou no Brasil
Em 1956, foi ser missionário em Paris, na França, ao retornar para Charlotte, continuou com as missões e pregou algumas vezes na igreja de seus pais. Acostumado a realizar cruzadas pelo mundo inteiro, o então Pr. Roberto foi convidado por Lester Summeral para participar de uma campanha evangelística no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, em 1958. Ele só havia estado no Brasil uma única vez, em sua lua-de-mel. Quando a campanha terminasse, ele continuaria a correr o mundo pregando a Palavra de Deus. Foi neste dia que Roberto ouviu uma voz: “Este é o lugar para o qual eu o chamei para pregar a minha Palavra”. Era a voz de Deus e sua rota não foi mudada por um simples vento, como a do navegador, e sim por Aquele que é mais poderoso do que qualquer furacão: o vento do Espírito Santo. Ao final da campanha, teve que voltar correndo para o Canadá, pois sua filha tinha acabado de nascer.
“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (João 3.8). Decidido a cumprir o chamado de Deus, poucos meses depois, em 1959, Robert McAlister veio morar no Brasil acompanhado da esposa, Glória, e de seus filhos, Walter, com dois anos e meio, e Heather Ann, de apenas seis meses. Primeiro foi para São Paulo, mas todas as portas se fecharam. Era a mão de Deus, pois ele estava sendo chamado para o Rio de Janeiro, por isso, foram morar no bairro de Santa Teresa e foi assim que tudo começou. A igreja que começou no rádio
A Igreja de Nova Vida nasceu de um programa de rádio, a “Voz da Nova Vida”, que foi transmitida pela primeira vez no dia 1º de agosto de 1960, às 6h30, através da Rádio Copacabana: “É tempo de ouvir uma mensagem de Nova Vida”. Foi assim que começou a primeira transmissão do início da Igreja de Nova Vida. Foi através deste programa que o missionário Roberto implantaria, posteriormente, a Igreja de Nova Vida. Como seu desafio era falar na rádio, o missionário teve que fazer um curso intensivo da língua portuguesa (oito horas por dia em um período de três meses), para poder fazer a locução do programa de 15 minutos. Tudo tinha que ser escrito, até mesmo a oração. “Tudo era lido, mas com unção, como se estivesse sendo só falado”, diz o Pr. Walmir Cohen, que trabalhou com o bispo nos programas de rádio por vários anos. A gravação dos primeiros programas foi realizada na casa do próprio Pr. Roberto, tendo como estúdio um quarto com cobertores pendurados nas janelas, a fim de abafar os ruídos dos carros. O grande impacto causado pelas mensagens de salvação do bispo levou-o a fazer dois programas diários, um às 6:30 e outro às 18:30. Em 1963, ele sentiu a necessidade de alcançar todo o Brasil com as Boas Novas e, com isso, transferiu o programa para a Rádio Mayrink Veiga, às 8:10. Depois foi à Rádio Guanabara, que também veiculou o programa até que fosse transferido para a Rádio Relógio, então comprada pela igreja em 1967. A partir daí a Igreja de Nova Vida começou a produzir mais programas, como o “Café Espiritual”. “A Rádio Relógio foi mais um dos grandes milagres de Deus, depois de muitas lutas, o contrato foi assinado e as duplicatas emitidas. Ela contribuiu muito para o crescimento da Igreja de Nova Vida. A sua venda foi como rasgar uma página da nossa história”, lamenta o Bp. Tito Oscar. Frases que lhe caracterizavam começaram a ser repetidas pelo povo, como “Que Deus o abençoe rica e abundantemente” e “É chegada a hora da oração”. A audiência foi crescendo e no primeiro ano de programa recebera doze mil cartas. Enfatizando a cura das enfermidades nas transmissões, com isso o Pr. Roberto sentiu necessidade de passar aos ouvintes a base bíblica de suas declarações. Naquele momento surgia o seu primeiro livro, “Perguntas e Respostas sobre a Cura Divina”, que era dado a quem escrevia para o programa. O livro esgotou-se no primeiro mês. Da rádio para as praças
Milhares de pessoas falavam sobre as pregações e suas vidas transformadas pela Palavra de Deus nos programas de rádio. Muitas pessoas procuravam a rádio para buscar orientação espiritual, até que alugou um escritório no “Edifício Central”, na Avenida Rio Branco, 156, artéria do centro do Rio. Mas o fluxo de pessoas era tão grande que não dava mais para ficar só na rádio e em escritórios. Um desejo começou a invadir o coração do missionário canadense: reunir todos os ouvintes num lugar para falar de Jesus. O poder de Deus no programa de rádio era tão grande que houve a necessidade de terem um local para reuniões. Para saber a respeito de quantas pessoas que ouviam o rádio se reuniram em culto, foi realizado um “Culto com os amigos do Pr. Roberto” na Praça Saens Peña, no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro), no encontro que ficou conhecido como o primeiro culto de Nova Vida. Depois, agendou uma reunião ao ar livre em um coreto do Jardim do Méier, encontrando uma grande multidão no local e teve uma grande experiência: ao começar a orar (em seu limitadíssimo português), uma mulher que era cega passou a enxergar, e vários outros milagres aconteceram naquele local. Se iniciava oficialmente,