25/10/2022
Fidelidade no candomblé.
Acredito que nós de candomblé temos que ser fiéis, em primeiro lugar, ao Orixá e, subsequentemente, à nossa casa de candomblé.
Permanecer ou não em uma casa de candomblé é decisão particular (exceto os casos de expulsão), que tem de ser muito bem avaliada por quem está prestes dar esse passo.
Me preocupa muito os motivos esdrúxulos que alguns filhos e filhas de santo usam para justif**ar a sua saída de um terreiro, principalmente quando os evadidos saem alegando que o problema está no terreiro e não neles e nelas.
É impressionante que algumas pessoas que resolvem sair de uma terreiro não fazem uma autocrítica para avaliarem o quanto contribuiram para sua saída e quais foram seus erros, a maioria sai cheia de razão e convictas que tudo é culpa de todos e todas, menos dela.
Quando saem do terreiro é porque a mãe/pai de santo não presta, os irmãos e irmãs não prestam, a casa não presta, mas não param para rememorar o momento em que chegaram (normalmente em situação difícil) nesse lugar e foram acolhidas com amor, sem julgamentos sociais, aceitos como são e estão. E naquele momento de fragilidade o Orixá, o terreiro, sacerdotes, irmãos e irmãs que hoje não são suficientes para você, outrora eram tudo que você precisava.
Existem casas de candomblé ruins? Depende do que você vai buscar dentro do candomblé.
Eu penso que existe um terreiro para cada perfil de pessoa, claro que existem lugares que beiram, ou já são, verdadeiros absurdos, uma vergonha para religião, maculadores da memória ancestral de nossos antepassados e precisamos combatê-los para que o candomblé não seja mais deturpado do que já está sendo por alguns irresponsáveis e falsos religiosos.
Se sua convivência e estadia não estão agradáveis dentro de sua casa de candomblé, se algum problema te aflige, converse com seu babalorixá/yalorixá, irmãos e irmãs, busque uma solução em conjunto, não deixe um probleminha transformar-se em um problemão, para depois não tomar uma decisão precipitada e arrepender-se.
Outra coisa muito importante para agregar dignidade a sua decisão de sair de uma casa de candomblé, caso já não haja mais alternativa, é que você consulte seu Orixá sobre essa escolha. Já parou para pensar que seu Orixá pode não querer sair dali? Santo tem vontade própria e Assentamento não é bibelô para ser transportado de qualquer maneira, para lá e para cá, de acordo com nossa vontade, dentro de caixas sem preparativos ritualisticos e depois postos em um cantinho de parede ou quartinhos de despejo como se fossem meros objetos. Isso tem consequências!
Por fim, quero dizer que não estamos aprisionados em nossas casas de candomblé, nem muito menos nossos Orixás, mas antes de tomar uma atitude precipitada, converse e reavalie seus passos, oriente-se com o sagrado e aja. Se fores para outra casa de candomblé, não tem problema, só não tente ganhar espaço ou aceitação no novo ambiente desmerecendo sua antiga casa, falando mal das pessoas ou práticas feitas lá, os que fazem isso, com efeito, são nocivos ao candomblé e não merecem confiança.
Não seja leviano, tenha dignidade, aquela casa de candomblé que hoje desdenhas, te servil muito quando você mais precisou.