26/05/2025
*"Silêncio Ancestral: Aprender a Ouvir o que a Cidade Quer nos Fazer Esquecer"*
*_“Àwọn tí kò mọ òrò, ni kò mọ ohun.”_*
_(Quem não conhece o silêncio, não conhece a voz.)_ — Provérbio Yorùbá
Respire.
Lentamente.
Permita-se... apenas... respirar.
Enquanto a cidade grita... buzinas, notificações, tarefas, boletos, expectativas...
Enquanto o concreto da vida pesa nos ombros...
Você se lembra que existe um lugar dentro... onde tudo silencia?
É no silêncio que os ancestrais falam.
É no silêncio que Ọrún (o mundo espiritual) envia suas mensagens.
É no silêncio que Esù reorganiza os caminhos.
É no silêncio que Òrìṣà sopra respostas no vento.
Quantas vezes você parou... realmente parou... para escutar?
Na tradição de Ifá, o Odù Òfún Méjì nos ensina:
*“Bí ẹni bá fẹ mọ ohun tí Ọlọrun ń sọ, kó gbọ tí kò sọ ohunkóhun.”*
_(Se alguém deseja saber o que Ọlọrun diz, que aprenda a ouvir sem dizer nada.)_
O silêncio não é ausência.
O silêncio é presença.
Presença de quem você é sem os barulhos do mundo.
Presença da sua própria voz sem os gritos das expectativas alheias.
Presença do axé que te habita e que muitas vezes você ignora.
*“Ìkànsí l'ó ń jẹ kó tó ọdẹ gbọ ẹkún ọdẹ.”*
_(É o silêncio que permite ao caçador ouvir o grito da caça.) — Provérbio Yorùbá_
Na correria, esquecemos que há um ritmo mais antigo que qualquer relógio:
O ritmo do vento, da água, do fogo, da terra e do nosso próprio corpo em alinhamento com o Òrún.
Ifá adverte no Odù Irosun Méjì:
*“A kì í gbọ ti Ọrún kí a má gbọ ti Ayé.”*
_(Não se pode ouvir o que vem do céu sem também ouvir o que vem da Terra.)_
Quando não escutamos o silêncio, nos perdemos no barulho.
Quando não escutamos o silêncio, nossas escolhas se tornam cegas.
Quando não escutamos o silêncio, nos afastamos de quem realmente somos.
Mas quando paramos...
Quando respiramos...
Quando escutamos...
O silêncio nos revela quem somos.
O silêncio sussurra:
"Você não está só. Seu caminho tem axé. Seu corpo é sagrado. Sua voz importa. E seus ancestrais nunca te abandonaram."
Odù Osa Méjì também traz um aviso:
*“Eniyan tí kò gbọ, yóò fi ẹsùn kàn Olúwa rẹ.”*
_(Quem não escuta, acaba culpando até seu próprio criador.)_
Por isso hoje...
Permita-se.
Agora.
Aqui.
Sente-se.
Feche os olhos.
Respire.
Imagine suas raízes descendo até as profundezas da Terra.
Sinta os ventos antigos tocando sua pele.
Perceba as águas internas do seu corpo fluindo com leveza.
E no calor do seu peito, acenda uma chama: a chama da escuta, da presença, da ancestralidade viva em você.
O que você precisa saber.....o silêncio te conta.
*“Ojú l'ọrùn rí, ẹsẹ ni yóò gbé e.”*
_(O céu vê, mas é a terra que sustenta.)_ — Provérbio Yorùbá
Por isso, volte ao seu centro.
Volte ao seu axé.
Volte para si.
Que Esù te ensine a decifrar os sinais nas encruzilhadas.
Que Ọṣọọsì te ensine a ouvir até o som das folhas.
Que Ọṣun te banhe com sabedoria para ouvir a própria intuição.
Que Ṣàngó acenda em você o poder do discernimento.
Que Ọrúnmìlà te guie com as palavras não ditas, com o saber que mora no silêncio.
Porque no silêncio...
O axé se faz palavra.
🖤 Àbórú, Àbòyè, Àbọṣíṣẹ!
🕊 Àṣẹ irẹ!
🙏 Olódùmarè bùkún fún yín!
💧 Beba sua água
🧼 Lave suas guias
⚪️ Vista seu branco
✊ E venha para a luta!