13/06/2026
A tradição de bater na porta da Igreja Matriz de Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, é um dos costumes mais populares e comentados da região, fortemente associado à busca pelo casamento e à fama do santo casamenteiro. No entanto, longe de ser um rito originado puramente na liturgia católica oficial, esse costume carrega raízes profundas no sincretismo religioso e nas práticas populares de fé. Para compreender a origem desse hábito, é preciso olhar para a história da devoção popular no Brasil, onde a linha entre a religião institucional, o curandeirismo e as religiões de matriz africana sempre foi tênue e compartilhada. Historicamente, o ato de “bater na porta” ou realizar clamores físicos nos portões dos templos reflete rituais ensinados por benzedeiras, rezadeiras e praticantes de magias populares que atuavam como pontes entre o sagrado e o cotidiano do povo, costumavam prescrever simpatias, amarrações e “feitiços” benignos voltados ao amor e à união. O ritual consistia em direcionar a energia da intenção diretamente ao solo sagrado, utilizando a força de Santo Antônio — que no sincretismo também é amplamente sincretizado com Exu — para abrir os caminhos afetivos das mulheres solteiras. Portanto, o gesto de bater à porta da igreja em Laguna vai além de uma simples brincadeira turística; é a sobrevivência de um antigo saber popular, um rito de matriz mística e sincrética perpetuado por gerações através do aconselhamento espiritual das antigas rezadeiras da terra.