27/10/2022
Um Babalorixá ou uma Iyalorixá são sujeitos institucionais, ou seja, não são indivíduos comuns. Eles representam uma instituição.
Pastores, padres, lideranças eclesiásticas representam a instituição que os legitimam e defendem as suas instituições histórica, cultural e política.
Pais e mães de santo também são sujeitos institucionais, por isso a posição política destas lideranças deve se dar no sentido de proteger e fortalecer a instituição que representam.
Quando, politicamente, abrem mão da proteção e do fortalecimento institucional do que deveriam representar, abrem mão também da própria grandeza e legitimidade do lugar ocupado.
Uma liderança religiosa possui prerrogativas, inclusive jurídicas, diferentes de um cidadão comum. Uma liderança religiosa tem um compromisso com a sua comunidade e com a história/princípios e perpetuação da sua religião.
O terreiro é afroindígena, e nesse sentido, uma liderança de terreiro, sujeito institucional, não deveria apoiar políticos genocidas, ra***tas, contra os povos originários, contra a natureza, contra as mulheres, contra a vida.
A institucionalidade do cargo ocupado não permite esta liberdade, ou seja, não permite que, na individualidade, apoie ou se vote contra a própria vida e existência da instituição. Porque não há mais individualidade. Isso pela institucionalidade, no nível jurídico, e pelo fato de ser agora um corpo expandido pela ancestralidade afroindígena que a liderança representa ou deveria representar.
Em alguma medida, quando algumas denominações cristãs assumem a política da extrema-direita como mais apropriada a eles, alegam estar seguindo os princípios cristãos, ou seja, princípios institucionais e cabe a institucionalidade de uma liderança de terreiro defender a comunidade como um todo, compreendendo que o terreiro é espaço histórico ancestral de aquilombamento prioritariamente dos subalternizados e marginalizados.
Mãos que batem paó, não votam em homofóbico, ra***ta e misógino.
Texto do Prof. e Babalorixá Sidnei Nogueira.
Sou o Babalorixá Cristiano Ribeiro, Ogún Ipemí, filho de Obaraìyn de Xangô, e minha posição política é essa, pela vida, pelo respeito, pela igualdade e todo tipo de amor.