25/04/2026
A vida solitária de um pai de santo: medos e julgamentos
Por Pai Bruno Brescancini
Ser pai de santo é um chamado. Não é vaidade, é missão, entrega e renúncia — e, muitas vezes, solidão. Por trás das guias, dos rituais e das velas, existe um homem com sentimentos, dúvidas, cansaços e medos, alguém que também carrega o peso da vida. A solidão começa na falta de entendimento: muitos julgam sem conhecer, rotulam sem respeitar, e o pai de santo segue, muitas vezes em silêncio. Existe o medo — não o que paralisa, mas o de falhar com quem confia, de não conseguir aliviar a dor de quem busca ajuda, de carregar a esperança de tantas pessoas fragilizadas. E existe o julgamento: da sociedade, da vida pessoal e de quem nunca entrou em um terreiro, mas já tem opinião formada. Ser pai de santo é ser forte quando o mundo pede fraqueza, é ouvir mais do que falar, é acolher dores alheias e continuar de pé. Mas o mais difícil é o silêncio do fim do dia, quando sobra apenas você e seus pensamentos. Quem acolhe o acolhedor? Quem cuida de quem cuida? É aí que a solidão pesa, porque a vida pessoal não para: há contas, problemas, cansaço, dias difíceis em que, mesmo com o coração apertado, é preciso sorrir e transmitir força. Há momentos em que também se precisa de colo, mas não se pode demonstrar; noites em que o cansaço emocional supera o físico; situações em que é preciso abrir mão de si pelos outros. A vida pessoal muitas vezes f**a em segundo plano, e nem todos entendem a ausência e o peso dessa responsabilidade. Ainda assim, ele segue acolhendo, ouvindo e sendo porto seguro, porque parar nem sempre é opção. O que sustenta é a fé — a que não se explica, a que levanta e lembra diariamente o propósito. Porque, apesar da solidão, dos medos e dos julgamentos, existe a missão cumprida, a gratidão de quem foi ajudado e o bem que se faz, mesmo invisível. Ser pai de santo é viver entre o humano e o espiritual, carregar cicatrizes invisíveis e ainda assim oferecer cura. Nem sempre haverá aplausos, mas sempre haverá propósito. E no fim, é isso que sustenta: servir, honrar o sagrado e ter a certeza de que, mesmo sozinho em alguns momentos, nunca se está realmente