25/08/2016
Missões! O Que Vemos No Brasil, Será Coerente Com Nossa Visão?
“E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo”
Lc 14:27
A Igreja Cristã Primitiva sofreu as perseguições dos religiosos da época e do Império Romano, que influenciou na dispersão e crescimento da Igreja. Esse crescimento foi tanto que chegou ao ponto de fazer com que o Império que a perseguia a admirasse pelo alcance de sua influência na vida das pessoas.
Crescer não é o problema, todos temos de crescer, enquanto pessoa saímos de nossa inexperiência da mocidade e partimos para um amadurecimento, o mesmo ocorre com nossa vida espiritual. A questão é que nesse caminho pode ocorrer um desvio do que aprendemos enquanto inexperientes.
No caso da Igreja Primitiva ela cresceu e acabou matando a essência dos princípios aprendidos com Cristo através dos apóstolos, se deixando levar pela vaidade humana.
Assim chegamos a Idade Média e agora ela deixou de cumprir seu papel de pregar o Evangelho e resgatar as almas perdidas, se tornando uma organização de política, poder e dinheiro.
Assim Deus permitiu que homens de santos que ainda preservaram a essência da Palavra, agissem de tal maneira que iniciou-se uma reforma e com isso nascia uma Igreja renovada pelos princípios cristãos perdidos.
Mais uma vez, a Igreja reformada é perseguida pelos religiosos da Igreja corrompida, por seu exército e os de seus aliados.
Estes homens, santos e despojados, lutaram o bom combate, viveram e morreram fiéis ao Senhor, demonstrando que o mais importante é Cristo, não poder ou dinheiro, mas o ensino e a expansão do Evangelho.
Assim com sangue derramado destes homens iniciou-se um processo de avivamento em todo o velho continente, indo para as Américas. Depois destes avivamentos na Europa e nos EUA onde esta Igreja cresceu e se fortaleceu, esses homens e mulheres começaram a partir dos EUA para o mundo, e como nazareno gostaria de listar os que passaram pelo Brasil.
Uma extensa lista de homens e mulheres nos foram enviados e serviram com amor, como: José Zito e Zilta OLIVEIRA-1956 a 1992, Earl e Gladys MOSTELLER-1958 a 1973, Charles e Joanne GATES-1958 a 1982, Ronald e Sarah DENTON-1959 a 1964, Joaquim e Guilhermina LIMA-1960 a 1995, James e Carol KRATZ (sr.)-1960 a 1989, Robert e Frances COLLINS-1962 a 1998, Roger e Mary Ann MAZE-1964 a 1973, Larry e Dolores CLARK-1968 a 1973, Eudo e Arlinda ALMEIDA-1970 a 1990, Jim e Sara BOND-1971 a 1972, Don e Linda STAMPS-1971 a 1972 (1), Antonio e Corsinia LEITE-1972 a 1979, Fernando e Maria Tereza SÁ NOGUEIRA-1972 a (*), Stephen e Brenda HEAP-1973 a (*), Rex e Edith LUDWIG-1973 a 2000, Floyd e Mary Elisabeth PERKINS-1975 a 1976, Elton e Margaret WOOD-1976 a 1991, Carl e Shirley ROMEY-1978 a 1990, Gary e Harriet BUNCH-1979 a 1992, Brian e Beryl ADAMS-1981 a 2003, Eldon e Kay KRATZ (jr.)-1981 a 2002, Terry e Joan READ-1982 a 1987, Steven e Deborah HOFFERBERT-1985 a 1993 e 2004 a 2011, Jim e Betty COOPER-1992 a 1996,Alfredo e Rute MULIERI-1999 a 2007, Will e Cathy HAWORTH-2002 a 2008 e os únicos brasileiros até então Manuel e Lídia Lima, desde 2009 servindo no Amazonas. {(*) Ainda servindo no Brasil}
É importante notar que o trabalho Nazareno em terras estrangeiras tem sido abençoado por Deus, mesmo em meio a erros e novas tentativas de acerto. Estes e outros pioneiros trabalharam fielmente, assim outros novos missionários precisam juntar-se a esta lista ao longo dos anos e esse é nosso grande desafio.
Olhando para a história vejo hoje no Brasil uma igreja que em muitos casos parece pálida frente às necessidades do campo, interno e externo, preocupada com a construção de grandes templos, enquanto deveria estar semeando e colhendo milhares de templos para o Espírito Santo habitar. Será que isso aconteceu porque ela cresceu? Por que tem o apoio de governantes? Ou porque tem dinheiro e poder?
Será que se esquecemos da história, se esquecemos de nossas origens, será que estamos tão preocupados com nosso sucesso local tendo o máximo de pessoas dentro de 4 paredes apenas para nos ouvir e contribuir com o enriquecimento desta igreja local e nos esquecemos que na verdade nós temos que libertá-las das garras do inimigo ensinando-as a ir e pregar a Palavra de Deus?
Em minha caminhada pelo Brasil e exterior como consultor, utilizando meu trabalho como mecanismo de promover missões, tenho visitado muitas denominações e treinado muitas de nossas igrejas e felizmente ainda encontrei alguns poucos que continuam lutando e dando um bom testemunho, sendo que quase todas tinham em comum que eram pequenas ou médias, em sua maioria de periferia, atuantes na comunidade, crescem de forma ordenada e com qualidade no ensino da Palavra.
Também cabe destacar alguns Distritos que apesar de serem pequenos nas finanças tem feito muito com o pouco que o Senhor lhes concede.
Com isso compreendi como é possível uma Igreja com seus 150 membros conseguir arrecadar mais em uma Oferta de Alabastro que a soma de todas as Igrejas de um Distrito de médio porte. A resposta: já vimos na história da Igreja.
Em meio a uma Igreja dividida, que se esfacela por perder sua origem, perder bons homens de Deus, ainda encontramos aqueles que acreditam no verdadeiro evangelho, onde a Palavra é pregada, vidas são transformadas, discípulos são preparados e muitos sendo enviados para onde quer que o Senhor os mande.
Gostaria de falar do exemplo incontestável dos missionários Alessandro e Cristiane Polônio, pois saíram de seu lugar de conforto, depois de 12 anos de pastoreio, onde tinham boa casa e boa remuneração, rumo ao incerto, por amor a Cristo; ou do amado Marcio Batista e sua Esposa Amber (se conheceram e casaram no campo missionário) e já passaram por vários países e hoje servem ao Senhor na Malásia, sempre confiantes na provisão do Senhor.
Em verdade muitas igrejas brasileiras quiseram tanto ser dos brasileiros que se abrasileiraram nas coisas erradas, perdendo o chamado e suas raízes.
O que seria de nós se não fossem os que foram enviados por Cristo a nós, e quantos ainda estão à espera que você bata na porta em algum canto do mundo e lhes fale a Palavra de Deus.
Oremos para os que como Eli se perderam em sua caminhada possam como Zaqueu ou Paulo, transformarem-se em servos arrependidos e santificados, que trabalham pela necessidade da Igreja e do povo de Deus, não olhando para riquezas materiais ou poder, mas simplesmente para que as almas sejam alcançadas e libertas.
Que o Senhor nos abençoe e nos guarde, que tenha misericórdia de nós e que nos de a Paz!
Pr. Ricardo Bueno