09/05/2026
Hoje, o axé silencia em respeito à partida de um grande homem. Homem de palavra firme, de escuta generosa e de passos comprometidos com a coletividade.
Professor que ensinava muito além das salas; pesquisador que buscava na memória do povo as respostas que a história tantas vezes tentou calar.
Seu corpo caminhava entre livros, mas sua alma caminhava entre gente.
Foi daqueles que entenderam cedo que conhecimento sem partilha é vaidade. Por isso fez da própria existência um gesto contínuo de resistência, de cuidado e de permanência.
Nos movimentos sociais, nas rodas de conversa, nos terreiros da vida e da luta, sua voz nunca serviu ao silêncio da injustiça. Era voz de quem carregava os ancestrais nos ombros e o futuro nas mãos.
Hoje choram os familiares de sangue e também os familiares do axé, porque há pessoas que não pertencem somente a uma casa,pertencem a uma comunidade inteira de afetos, saberes e proteção.
Sua ausência atravessa, mas sua memória permanece acesa como fogo de fundamento: não se apaga, se transforma.
Que Oyá lhe conduza com seus ventos ao Orun, abrindo caminhos suaves para sua travessia.
Que os Sagrados lhe recebam entre honra, luz e festa.
E que a ancestralidade, essa grande mãe que nunca abandona os seus, acolha e conforte os corações dos amigos, alunos, companheiros de caminhada e de todos aqueles que tiveram a bênção de ser tocados por sua existência.
Porque homens assim não morrem por inteiro.
Encantam-se. E seguem vivendo onde a luta continua, onde o saber floresce e onde o povo ainda pronuncia seus nomes com respeito e saudade! 🖤🏳️