19/10/2023
FAROL
A função do farol é auxiliar as embarcações na navegação. Ele indica quando uma nau está se aproximando de uma região perigosa, da costa ou de um porto. Tanto de dia quanto de noite, o farol deve ser perceptível mesmo a uma grande distância. Logo, ele deve estar situado em um lugar alto e irradiar uma luz forte do alto da torre.
A tradução Bíblia para Todos da Sociedade Bíblica de Portugal sugere a seguinte versão para um conhecido salmo: “A tua palavra é o farol que me guia; é a luz do meu caminho”. (Sl 119.105 – BPT). De fato, o Livro Santo é o farol que nos orienta em todas as situações, seus princípios e diretrizes nos indicarão quando estivermos diante de uma região perigosa. A Palavra de Deus é o nosso farol!
De igual modo, a Palavra Encarnada se apresenta como sendo a própria luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. (Jo 8.12 – NAA). Com a eloquência que lhe é peculiar, Santo Agostinho esboça o momento em que as trevas que o cegavam foram dissipadas pela luz do Cristo de Deus: “Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira”. (Confissões, Santo Agostinho)
Estando n’Ele, estamos na luz e refletimos a Sua luz para o mundo. “Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu”. (Mt 5.14-16 – NTLH)
Esta luz não é nossa, é d’Ele. Assim como a Lua é um satélite natural que não tem luz própria, antes reflete a luz do Sol, de igual modo, somos nós. “Porque no passado vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor”. (Ef 5.8 – NAA).
ROCHA
A imagem de Yahweh como uma rocha é amplamente utilizada em toda a literatura do Antigo Testamento: dos livros da Lei até os Profetas: “O Senhor é a nossa rocha; ele é perfeito e justo em tudo o que faz. Ele é fiel e correto e julga com justiça e honestidade”. (Dt 32.4 – NTLH). “Ele só é a minha rocha e a minha salvação. É ele a minha alta torre; não serei abalado”. (Sl 62.6 – TB). “Confiem sempre no Senhor, porque o Senhor Deus é uma rocha eterna”. (Is 26.4 – NAA)
De maneira análoga, o Filho de Deus é apresentado em muitas passagens como sendo a Rocha. Por exemplo, a interpretação mais acolhida para o texto de Mateus 16.18: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” é de que Cristo é a pedra. Este ensinamento é reiterado em outras passagens do Novo Testamento. O apóstolo Pedro no início de seu ministério já ensinava que: “Este Jesus é a pedra que vocês, os construtores, rejeitaram, mas ele veio a ser a pedra angular”. (At 4.11 – NAA). A mesma instrução é encontrada nos anos finais do seu ministério quando Pedro enfatiza: “Chegando-se a ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa [...]” (1Pe 2.4 – NAA).
Igualmente, o apóstolo Paulo nos afirma que “[...] a pedra era Cristo” (1Co 10.4), e que “[...] ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”. (1Co 3.11). Além disso, Paulo ressalta que a Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, onde Cristo é a pedra fundamental: “Assim, vocês não são mais estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”. (Ef 2.20 – NAA). Apóstolos e profetas ilustram as Escrituras do Novo e do Antigo Testamento que são para a Igreja como uma rocha, um fundamento, um alicerce, sobre o qual o Povo de Deus, por meio do Espírito, edifica dia a dia.
De fato, a imagem aqui apresentada diz mais respeito aquele tipo de rocha que serve de alicerce, de fundamento, todavia, valendo-se de um tipo de “licença poética” ilustramos a rocha no logotipo com contornos mais evidentes.
SOL
A imagem de Cristo como luz é aqui reiterada agora com a metáfora do Sol. Malaquias, o último profeta do Antigo Testamento, vivia em um momento em que tanto a liderança quanto o povo estavam vivendo uma espiritualidade adormecida. Todavia, ele aponta para uma promessa de salvação através da figura do sol nascente: “Mas para vocês que temem o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas. Vocês sairão e saltarão como bezerros soltos da estrebaria”. (Ml 4.2 – NAA)
Antes, o profeta Isaías já falara a respeito de uma grande luz que surgiria dissipando as trevas: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz”. (Is 9.2 – NAA)
Com ambas imagens em mente, o Evangelho de Lucas (1.76-79) destaca que o que outrora havia sido proferido por meio destes profetas, tinha cumprimento com a chegada do Messias: “[...] para dar ao seu povo conhecimento da salvação, por meio da remissão dos seus pecados, graças à profunda misericórdia de nosso Deus, pela qual nos visitará o sol nascente das alturas, para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz”. (Lc 1.77-79 – NAA)
As palavras do Rev. Hernandes Dias Lopes dão a conclusão ideal:
“A maior recompensa do justo é o próprio Deus. Ele é a maior herança do salvo. Deus será para os justos naquele glorioso dia, o sol da justiça. O sol traz calor, luz e vida. Não há vida sem o sol. Deus é o nosso sol e escudo (Sl 84.11). Deus é a nossa luz perpétua (Is 60.19). Trevas e medo nunca mais estarão presentes. O pecado não mais nos afligirá. Deus vem como o sol da justiça. A justiça Dele é a nossa justiça. Brilharemos como o sol no firmamento. Seremos como ele é. Cristo é a fonte da luz: Ele é a luz do mundo. Ele ilumina todo homem. Quem o segue não anda em trevas. Cristo é a fonte da vida. O sol traz cura em suas asas. Sem sol não há vida, sem Cristo não há salvação. Cristo é a fonte da justiça: Sem Cristo, nossas obras são trapos de imundícia”. (Comentários Expositivos Hagnos – Malaquias, Hernandes Dias Lopes)