22/03/2019
Nós temos uma missão
Depois da ressurreição, os discípulos esperavam que Jesus encerrasse o domínio romano sobre os judeus. Afinal, não seria difícil para quem venceu a morte. Por isso Lhe perguntaram: “Restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel”? Ao que Ele respondeu: “Não vos compete saber os tempos e as épocas que o Pai reservou à Sua própria autoridade; mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1.6-8).
Percebemos que a expectativa dos apóstolos era diferente dos propósitos do Mestre, apesar do tempo de convívio e dos ensinamentos recebidos. Nós também trazemos desejos e interesses diante de Deus, mas não nos esqueçamos de que Ele é o Senhor. Só ele sabe o que é melhor para nós.
A libertação política de Israel viria, mas não daquele modo nem naquele tempo. O verso 8 começa com um “mas”, conjunção adversativa que muda o assunto, dando um salto, do interesse humano ao propósito divino. Se você tem um chamado ministerial, deixe de focar nos aspectos políticos à sua volta e priorize o que é de cima. No mesmo versículo, Jesus apresentou aos discípulos um plano, uma missão de alcance mundial. Mesmo tendo passado três anos em preparação, eles ainda não podiam sair evangelizando. Seriam como soldados desarmados ou sem munição, apesar do treinamento realizado.
Jesus disse que os discípulos ainda receberiam algo: PODER. Não seria dinheiro, carro, casa ou casamento. O servo de Deus pode ter tudo isso ou não, mas essas coisas não dependeriam da morte de Jesus na cruz nem da vinda do Espírito Santo. Portanto, embora sejam importantes, não constituem elementos centrais do Evangelho.
Logo, nosso alvo é o poder? Não. Muitos se perdem no caminho porque buscam poder político e econômico. O texto se refere ao poder espiritual, mas nem este pode ser o nosso foco. Ele é um fator importante, mas o Espírito Santo é o principal naquela promessa de Jesus. Quem busca apenas o poder espiritual pode ser enganado por Satanás.
O poder do alto produziria um efeito imediato expresso pelo verbo utilizado. Jesus não disse “tereis” ou “fareis”, mas “sereis”. O Espírito Santo transformaria aqueles homens fracos e medrosos em quê?
Artistas? Pregadores? Não, pois podemos ser tudo isso sem o Espírito Santo. Eles seriam testemunhas de Jesus (e não de Jeová). A testemunha conta o que viveu, experimentou ou presenciou. Não é um mero repetidor de doutrinas. Finalmente, Cristo apresentou o campo de trabalho, começando pela conquista de cidades e alcançando toda a terra. Ele mesmo havia dito: “O campo é o mundo” (Mt 13.38). Os apóstolos queriam se ver livres de Roma, mas Jesus queria que os romanos fossem evangelizados. Assim, depois do Pentecoste, os primeiros cristãos saíram do cenáculo para pregar o reino de Deus. Nós estamos aqui hoje para continuar esse trabalho até os confins da terra ou de volta a Jerusalém.
:: Pr. Anísio Renato de Andrade