05/04/2023
*Devocional nº 09*
*Fruto do Espírito: Amor*
“Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.”
João nos dá dois exemplos, um de cada lado de seu argumento central em 1João 3.14:
• O exemplo negativo: Caim (v. 12,15). Caim era cheio de ódio, e o ódio levou à morte. É o que acontece. Se as pessoas se dizem cristãs, mas sua vida, suas atitudes e suas palavras são cheias de ódio, João nos adverte que talvez nem sequer tenham vida eterna, não importa o que digam.
• O exemplo positivo: Cristo (v. 16). Cristo era cheio de amor, e seu amor o levou a entregar a própria vida (e não tirar a vida de outro, como fez Caim). Portanto, a essência do amor é o sacrifício próprio em favor de outros. Foi assim que Jesus descreveu sua morte vindoura como bom pastor (Jo 10.11,15). E, como Paulo diz: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8).
João diz, portanto, que não devemos ser como Caim (nem mesmo em nossos pensamentos), mas como Cristo (não apenas em nossos pensamentos, mas na vida prática, “Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade.” (1João 3.18).
E então, caso imaginemos que o princípio do sacrifício próprio, de entregar a vida por outros (1 João 3.16), seja apenas para os momentos raros e extremos em que talvez tenhamos de morrer por alguém, logo em seguida, no versículo 17, João fornece uma ilustração do que ele quer dizer: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.”.
Ele está falando de oportunidades simples, comuns, cotidianas de mostrar verdadeira generosidade, bondade e cuidado práticos. “Se alguém tem recursos suficientes para viver bem e vê um irmão em necessidade, mas não mostra compaixão, como pode estar nele o amor de Deus?” Essa pergunta retórica incisiva tem como resposta esperada: “Não pode estar, não importa o que a pessoa diga”. Não podemos dizer que amamos a Deus, ou que seu amor está em nós, se não ajudamos os necessitados quando temos condições de fazê-lo. Podemos até afirmar que amamos a Deus, mas não passa de mentira, como João diz adiante com lógica arrasadora: “Se alguém afirma: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso, pois se não amamos nosso irmão, a quem vemos, como amaremos a Deus, a quem não vemos?” (4.20).