30/09/2023
Trecho do livro:
"HISTÓRICO DA MATRIZ CRISTO REI E DAS CAPELAS"
Onde conta um pouco da história da comunidade de Rio dos Índios.
"No início a comunidade era povoada apenas por índios, daí surgiu o nome do lugar. Mais tarde chegaram os jesuítas que viveram com a missão de catequiza-los. Logo chegaram também os europeus, vindos principalmente da Polônia e encontraram terra fértil para produzir, povo forte, com grande sentimento religioso e muita fé, cravaram no chão um cruzeiro, onde se reuniam e faziam as orações. Sobre as missas dessa época conta-se que eram realizadas em uma pequena casa de madeira.
Dia de São João, São Pedro, São Paulo eram muito comemorados, com fogueiras, salgados, doces e bebidas e todos festejavam juntos. As festas eram animadas com gaita e rebeca e a bebida era cerveja caseira. Essa toalha (foto 1) era usada na mesa do altar da casa onde eram realizadas as santas missas e festividades desde 1924 e existe até hoje. O terreno em que ficava essa casa pertencia ao Sr. Eugênio Okipny.
O padre tinha como meio de transporte um cavalo, para realizar as celebrações e mais tarde um Jeep.
Com o aumento da população e a chegada dos imigrantes, houve a necessidade da construção de uma escola para alfabetizar as crianças.
Políticos usavam essa escola (foto 2) em tempo de eleições. Muito lembrado é o senhor João Vargas de Oliveira (in memorian), candidato a deputado estadual que fez aí um grande discurso.
No dia 16 de julho ocorre a festa em homenagem à Padroeira Nossa Senhora do Carmo. Também comemora-se o dia de Nossa Senhora Aparecida (12/10).
Apartir do ano de 1965, o Pe. Francisco Madjel, reuniu as lideranças do lugar, pessoas de boa vontade como os Srs: José Chopek, Mário Correia, José Tomacheski, Francisco Tomacheski, Carlos Tomacheski, Miguel Topolski, Eduardo Korzenievski e o Sr. Francisco Krokocsz sugerindo que fosse construída uma capela. Eram tempos difíceis para o povo, muitos não acreditavam ser possível a construção, mas o Pe. os incentivava dizendo: "se cada um consegue fazer um paiol, nos todos juntos conseguiremos fazer a capela." Investiram então na ideia e saíram a cavalo para pedir contribuições para dar início a construção. Alguns os maltratava dizendo: "a igreja vai sair, assim como vai nascer cabelo na mão." Outros criticavam dizendo: "isso aí, é golpe de vida", e outros mais.
Mas com a ajuda da maioria das pessoas que doavamcom oque podiam inclusive ovos, conseguiram arrecadação para comprar a madeira que foi trazida de Cândido de Abreu, a primeira doação foi do Sr. João Blonski e com muito esforço e sacrifício deram início a construção da primeira capela, sendo os carpinteiros os Srs. Pedro Pitlovanciv (adventista) e Basílio Bobek. Passaram a fazer uma festa por ano, para arrecadar dinheiro e terminar a obra. Para pintar a capela foi emprestado dinheiro de pessoas da comunidade e depois pago com o lucro das festas.
Contam que o dinheiro das festas eram guardados em uma lata de alumínio, e quando foram pegar para contar tinha ferrujado tudo, tanto as notas de papel quanto as moedas.
A escolha da Padroeira tem duas histórias:
Uma é que um Padre missionário ao rezar a santa missa na escola deixou uma santinha de Nossa Senhora do Carmo, e o povo decidiu que ela seria a padroeira.
Outra é que a Sra. Ana Skeika Krokocsz, imigrante polonesa era muito devota da Santa e pediu que ela fosse a padroeira da comunidade.
Assim a mais de 100 anos ela foi escolhida para ser a padroeira.
Em abril de 2002, resolveram vender a Igreja de madeira, para construir uma de alvenaria, a qual foi iniciada em novembro do mesmo ano.
A santa missa é rezada duas vezes por mês, revezando-se entre os padres do rito católico ucraniano e do rito católico latino e culto todos os domingos. Acontecem duas festas por ano, sendo uma em fevereiro e a outra em julho da padroeira.
Cinco capelinhas visitam as famílias sendo: duas com a imagem de Nossa Senhora das Graças; uma com a Mãe da Divina Graça; outra com Nossa Senhora Aparecida e uma com Nossa Senhora de Guardalupe."