30/03/2024
A Páscoa nada mais é do que a festa da alegria, o triunfo da mensagem de vida de Jesus Cristo sobre o destino humano (a morte). E por isso chamamos de “ressurreição”.
Jesus foi fiel ao projeto do Pai, de um Reino de justiça, amor e paz, dando prioridade aos pobres. Através da sua prática libertadora e em razão de sua liberdade diante às tradições religiosas que oprimiam o povo, vivia o perdão e a misericórdia. Condenaram-no por isso. Ele não renunciou a seus princípios em nenhum momento. Manteve o projeto do Reino do Pai mesmo sendo perseguido, caluniado e, por fim, “justiciado” na cruz. Essa foi a fidelidade de Jesus que o levou a morte.
A ressurreição aqui, não significa a reanimação de um cadáver, mas sim o surgimento de um novo homem (1 Cor 15,45). Ele fez a passagem da morte para a vida, mas não voltou para a vida de antes, limitada e mortal como a nossa. Nele surgiu um novo tipo de vida, que representa a realização de todas as virtudes e potencialidades existentes no ser humano Jesus (e em nós).
São Paulo o chamou de “novissimus Adam”, o novo Adão, a nova humanidade. “Ele é o primeiro entre muitos irmãos e irmãs. Nós seguiremos a ele, isto é, também ressuscitaremos, cada um segundo o seu modo próprio”. (Rom 8,29)
Isso significa que nós, como seres humanos, devemos levar a vida na busca de sermos humildes de coração, ajudando o próximo, partilhando o pão e amando a todos. Viver em harmonia com a natureza e com nossos iguais, “um compromisso radical com os que menos vida têm”. Não vivemos para morrer simplesmente, vivemos para sermos dignos desta ressurreição.
A Ressurreição, e não a Cruz, é o centro do Cristianismo. Quem ressuscita é um derrotado e até abandonado por Deus na cruz. Mas suportou a grande tentação da desesperança e pôde concluir dizendo: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). É uma promessa para todos os que morrem anônimos e desprezados. Jesus foi um deles. Por isso estes serão os primeiros a herdar a Ressurreição.
Que todos ressuscitemos e nos alegremos nessa festa de Páscoa.
(Texto inspirado e retirado da entrevista do IHU com Leonardo Boff)