12/07/2017
ASEOOO!!!
Itan Òsétúrà
Ifá diz que nos tempos remotos, quando era possível ir do òrun ao Ayè, Olódùmarè enviou 400 Irùnmolè masculinos e um Irùnmolè feminino, Òsún, a Terra para prepará-la para habitação humana. A jornada teve exito, quando eles chegaram ao ikole Ayè (Terra), os Irùnmolè masculinos realizaram a tarefa que Òlódúmarè havia lhes confiado. Eles excluíram Òsún. Eles nunca pediam sua opinião em suas deliberações, eles não a aceitavam e não pediam nada a ela, ou seja, ela de nada participava.
Durante um tempo tudo seguia naturalmente para eles, tudo que eles fizeram teve exito. Então amanheceu e Òsún viu que precisava mudar a situação, convencida de que tinha um bom argumento para demostrar o caso, Òsún levou sua queixa a Òlódúmarè. Quando ela chegou ao Ìkòlé òrun ela disse a Òlódúmarè que seus colegas masculinos a excluíram das deliberações e das decisões e ela se sentiam como se não fosse parte do grupo que foi enviado ao Ìkòlé Ayè para preparar a sua habitação. Quando Òsún terminou sua narrativa, Òlódúmarè lhe deu um poder especial, àse, que ela poderia usar para fazer qualquer coisa que ela desejasse.
Armada com seu poder recentemente adquirido, Òsún regressou ao Ìkòlé Ayè. Ela se sentia segura dentro de si. Ela estava determinada a exigir respeito por parte dos Irùnmolè masculinos. Como de costume eles continuaram fazendo suas tarefas sem se dar conta da existência de Òsún. Desconhecidos para eles, eles estavam prontos a ter uma grande surpresa. Derrepente tudo ao redor começou a ficar caótico. Nada do que eles faziam dava certo. Nenhum trabalho era concluído corretamente porque Òsún estava trabalhando com seu poder secreto e insuperável. Òsún se ocupava em atrapalhar os esforços dos Irùnmolè masculinos na tarefa de construir o mundo para sua habitação. Aas colheitas que eles faziam não eram produtivas, os caminhos que eles haviam construídos começaram ser danificados e seu esforço para construir qualquer coisa era em vão. Eles logo perceberam que estavam experimentando uma difícil situação e isto exigia uma solução urgente. No entanto, eles decidiram voltar ao ikole òrun e falar para Òlódúmarè sobre esta péssima experiência.
Eles foram para o ikole òrun sem dizer nada a Òsún, eles a evitaram mais uma vez e nem ao menos lhes disseram sobre os atuais problemas. Quando chegaram ao ikole òrun eles contaram toda história a Òlódúmarè, de como as coisas estavam começando a dar erradas repentinamente, eles também disseram que seus esforços para controlar a situação haviam falhado, por conseguinte, disseram a Òlódúmarè que a tarefa estava se tornando impossível para eles. Ao final de sua narração, segundo Ifá, Òlódúmarè perguntou aos 400 Irùnmolè masculinos:
E a única mulher que eu mandei junto com vocês?
Vocês a incluíram em suas deliberações?
Alguma vez vocês pediram seus conselhos?
Vocês a respeitaram como igual?
Os Irùnmolè responderam:
Nós não fizemos nada disso.
Òlódúmarè mandou que eles voltassem ao ikole Ayè e pedissem a Òsún o perdão por tê-la desacatado e mandou que retornassem as suas tarefas.
Quando os Irùnmolè retornaram ao Ìkòlé Ayè, eles foram ver Òsún e se desculparam com ela, pelos seus feitos passados e pediram que ela os perdoasse. Como falado por Òlódùnmarè, eles retornaram as suas tarefas continuaram de onde tinham parado.
Milagrosamente as coisas começaram a ficar bem novamente, eles invocaram o espirito de Eégúngún e ele respondeu, eles invocaram o espirito de Orò, e ele também respondeu. Eles oraram e as orações se manifestaram.
Surpresos e felizes eles começaram a corrigir seus erros, eles cantaram um refrão em uníssono:
Nós damos nossa reverencia a Òsún.
Mãe que se apresenta em todas as relações e reuniões.
Nós damos nossa reverencia a Òsún
Quem são os 400 irunmolés da direita? É a denominação dada a todos os “orixás masculinos e patriarcas da criação”, os orixás agbá, que são os anciãos de cada grupamento usuários da cor branca. São divindades de idade imemorial, chefiadas e administradas por Obatalá. Os estudiosos dizem que o número 400 não indica exatidão de quantidade, pois não há um número fixo exato, porém é necessário que se inclua o número 1, Exu. O primórdio da criação é quem responde pela movimentação e pela comunicação intergrupal. Estas divindades masculinas respondem pela calmaria e pela lentidão. São presentantes da serenidade, do equilíbrio e da harmonia. Pela sua senioridade por seu carrancismo, costumam ser muito rigorosos e exigentes com os seres humanos. Preferem manter-se mais distanciados dos homens, pois não compactuam e não costumam perdoar os seus erros. Um agravo a esses orixás costuma trazer graves conseqüências a quem o promove. Ori (cabeça) é um dos 401 Irunmole criado para executar forças e pensamentos a todo o ser humano. De acordo com os yoruba, a cabeça foi criada primeiro, para depois criar o corpo (ara), evidenciando que a cabeça é a parte do corpo mais preciosa que existe. Pode parecer simples esta explicação, mas para criar uma cabeça precisou da inteligência de um Orisa chamado Obàtálá (Rei dos panos brancos) e Ajala Mo pin, outro Orisa primordial que é o modelador das cabeças, para criar não só uma cabeça que apenas tem um vácuo dentro dela, mas sim elementos primordiais para o sagrado corpo.
Para fazer entender melhor a filosofia yoruba, basta colocar Orí como o orisa primordial para toda existência, seja ele sendo bom ou ruim, a primordialidade aqui é absoluta, Orí é um DEUS de todos, ele é individual.
Orunmila historicamente foi um grande adivinho, é o Eleri Ipin (testemunha da criação) e o grande comunicador entre os deuses yoruba, e também aquele que se comunica com Ori através do oráculo de Ifá. Orunmila é o irunmole que fez entender a si próprio, apenas tendo contato com Olodumare (Deus), e por possuir um Ori rere (bom), usou sua sabedoria para melhorar o caráter e comportamento do ser humano, sendo que, através de alguns odu Ifá (corpos de Ifá), desenhou uma linha de cada pensamento do ser humano, aprendendo com eles como interpretá-los.
Os “Igbamólè” são os primeiros 200 deuses que saíram respectivamente da mão direita e esquerda de“Olodumaré”. Subdividem-se em: “Igba Irúnmólè Owokótún"ou "Ojúkótún", que são as 200 divindades da mão esquerda. E "Igba Irúnmólè Owokòsì" ou "Ojúkòsì" que são as 200 divindades da mão direita. Deste modo, se somarmos ambos grupos obtemos um total de 400 divindades superiores.
Os “Igbamólè” nunca vieram ao mundo, nem encarnaram como homens, e se mantém até os dias de hoje dentro da Câmara Celestial de Olódùmàrè, são os Òrìsà que lhe acompanham e formam o Conselho Divino.
Irunmólè: São os 400 Òrìsà criados por Olódùmàrè, que vieram ao mundo, guiados por “Ògún” (A Guerra). São considerados “Seres Superiores” que podem conviver no planeta Terra (àiyé) junto ao homem sem causar-lhe a extinção. Denomina-se realmente “Òkànlénírinwó Irúnmolè”. Estes Òrìsà são aqueles que lhes rendemos culto diretamente, e com quem nos comunicamos, a quem lhes fazemos homenagens, oferendas e quem se manifestam no “processo de transe”. Eles vivem no Aiyé junto com todos nós.
Junto com “Èsù” formam o número 400+1. Dependem de Èsù para comunicar-se com nós e para que tenha uma conexão entre eles, os “Igbamólè” e“Olódùmàrè”. Quando vieram ao mundo, o homem ainda não havia sido criado e cada um buscou um lugar onde refugiar-se dentro da natureza.
Fonte: Corpo literário de Ifá e ensinamentos da cultura Yorubá.
(Compilação de fontes fidedignas de estudos e pesquisas.)
Bàbá Obataiyó
🔱👑Obataiyó⚔🛡: