25/08/2026
UM AXÉ QUE TEM RAIZ NÃO MORRE
Há coisas que os olhos não conseguem compreender.
Há forças que não fazem barulho, não precisam se provar e não dependem da aprovação de ninguém para existir.
Assim é o Axé.
Há momentos em que o ser humano olha para um terreiro, para uma casa, para uma história e pensa que a força se perdeu.
Olha para as dificuldades e acredita que o sagrado enfraqueceu.
Olha para o silêncio e confunde com ausência.
Olha para as portas que se fecham e acredita que o caminho chegou ao fim.
Mas quem conhece o Orixá sabe: nem todo silêncio é morte.
Às vezes, o silêncio é apenas o sagrado trabalhando onde os olhos não alcançam.
Porque Axé não é aquilo que aparece.
Axé é aquilo que permanece.
É a força que continua existindo quando tudo ao redor parece dizer que não.
É a chama que permanece acesa mesmo quando o vento sopra forte.
É a raiz que continua segurando a árvore quando ninguém consegue enxergá-la debaixo da terra.
E quando um Axé foi verdadeiramente plantado, firmado e alimentado pelo Orixá, ele deixa de ser apenas um lugar.
Ele passa a ser memória.
Passa a ser chão ancestral.
Passa a carregar a energia daqueles que chegaram antes, daqueles que rezaram, cantaram, choraram, trabalharam, sacrificaram, ensinaram e entregaram suas vidas ao sagrado.
Um Axé verdadeiro carrega gente, mas também carrega ancestralidade.
Carrega histórias que não estão escritas em papel.
Estão escritas nas paredes.
Nos assentamentos.
Nas folhas.
Nos cantos.
Nas mãos dos mais velhos.
Na memória daqueles que aprenderam a chamar o Orixá pelo coração.
E talvez seja por isso que alguns não consigam compreender a força deste lugar.
Porque procuram a força naquilo que é visível.
E a força do Orixá nunca precisou ser vista para ser sentida.
São 27 anos de existência.
Vinte e sete anos de um chão que recebeu pés, lágrimas, sorrisos, obrigações, preces, oferendas, ensinamentos e sonhos.
Vinte e sete anos em que muitas coisas mudaram, muitas pessoas passaram e muitos ciclos se encerraram.
Mas uma coisa permaneceu:
O Orixá.
E onde o Orixá permanece, o Axé encontra força para continuar.
Pode haver tempestade.
Pode haver cansaço.
Pode haver momentos em que a esperança humana quase desapareça.
Mas existe uma diferença entre a esperança do homem e a força do sagrado:
o homem pode pensar que acabou.
O Orixá sabe quando ainda está apenas começando.
Por isso, não confundam dificuldade com fim.
Não confundam silêncio com abandono.
Não confundam transformação com morte.
Um Axé que tem raiz pode até se recolher, mas não deixa de existir.
Porque aquilo que foi plantado pelas mãos do sagrado não se desfaz pela vontade dos homens.
Aquilo que foi firmado na ancestralidade não desaparece simplesmente porque alguém deixou de enxergar.
E aquilo que nasceu do Orixá carrega dentro de si uma força que atravessa gerações.
O Axé não é apenas a casa.
O Axé é o que vive dentro dela.
É a energia que circula.
É a força dos Orixás.
É a presença dos ancestrais.
É o fundamento passado de geração em geração.
É aquilo que ninguém consegue tocar com as mãos, mas que muitos sentem quando colocam os pés neste chão.
Por isso, depois de 27 anos, este Axé continua dizendo:
Nós estamos aqui.
Não porque tenha sido fácil.
Mas porque houve fé.
Não porque nunca houve dor.
Mas porque houve Orixá.
Não porque nunca houve vontade de desistir.
Mas porque houve ancestralidade sustentando aqueles que permaneceram.
E enquanto houver Orixá, haverá Axé.
Enquanto houver Axé, haverá força.
Enquanto houver força, haverá caminho.
Que ninguém tenha pressa em anunciar o fim daquilo que o sagrado ainda sustenta.
Porque existem forças que o tempo não apaga.
Existem raízes que nenhuma tempestade consegue arrancar.
E existem histórias que não terminam quando os homens pensam que terminaram.
Elas continuam sendo escritas pelo próprio Orixá.
Este Axé tem 27 anos.
Tem memória.
Tem fundamento.
Tem ancestralidade.
Tem história.
Tem Orixá.
E, acima de tudo, tem vida.
E enquanto houver alguém disposto a cuidar desse chão, honrar os que vieram antes e lutar para que o sagrado permaneça vivo...
A chama continuará acesa.
O Axé continuará pulsando.
E a ancestralidade continuará falando através deste chão.
Àṣẹ.
Atenciosamente,
Babalorixá Kita.
Fundador do Axé e, há 27 anos, aquele que segue lutando, com fé, amor, resistência e compromisso com os Orixás, para manter este chão firme, vivo e honrando sua ancestralidade.