17/02/2021
Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris. .
No sermão da Quarta-feira de Cinzas, proferido no ano de 1672, na Igreja Santo Antônio dos Portugueses (Roma), Padre Antônio Vieira exorta os fiéis, lembrando-lhes que do pó vieram, para o pó voltarão e, em verdade, são pó mesmo no tempo presente. Ao final do sermão, conclama: “Homens mortais, homens imortais, se todos os dias podemos morrer, se cada dia nos imos chegando mais à morte, e ela a nós; não se acabe com este dia a memória da morte.
Resolução, resolução uma vez, que sem resolução nada se faz. E para que esta resolução dure, e não como outras, tomemos cada dia uma hora em que cuidemos bem naquela hora. De vinte e quatro horas que tem o dia, por que se não dará uma hora à triste Alma? Esta é a melhor devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta Quaresma. Toma uma hora cada dia, em que só por só com Deus e conosco, cuidemos na nossa morte e na nossa vida. É porque espero da vossa piedade e do vosso juízo, que aceitareis este bom conselho, quero acabar, deixando-vos quatro pontos de consideração para os quatro cantos desta hora: Primeiro, quanto tenho vivido? Segundo, como vivi? Terceiro, quanto posso viver? Quarto, como é bem que viva? Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva? Memento homo?”
Que Nossa Senhora das Dores rogue por nós e nos auxilie a bem viver esse tempo de morte para nós mesmos.
Uma Santa Quaresma!
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