16/01/2024
OGUM WARI – O senhor dos metais amarelos (ouro)
Ògún Wari, Woris, Warri, ou Worin - O joalheiro dos orixás.
Filho de Oxum Opará* (???) com Ogum Lagbedé é considerado o “Ogum dourado”, patrono dos ourives, joalheiros e artesãos que lidam com o ouro.
É uma qualidade de Ogum que precede a idade do ferro. Sendo assim suas ferramentas são feitas em latão (dourado).
É impulsivo e conquistador. Herdou de Opará e Ogun Lagbedê seus aspectos mais agressivos, guerreiros e bélicos.
Nessa condição o orixá apresenta-se muitas vezes com forças destrutivas e violentas.
Foi às margens de um rio na cidade de Èfòn, na Nigéria, que Ògún Wari presenteou Oxum Òpàrà com a Idá òdòdó (espada amarela).
Evocação: "Sijibó mi olú irìn òdòdó!" (Proteja-me, Senhor dos metais amarelos!).
Segundo os antigos a louvação patakori não lhe cabe, ao invés de agradá-lo ele aborrece-se.
Ogum Wari é representado pela Idá ide (espada de bronze).
É perigoso e feiticeiro, come com Oxum e tem ligações com Yemanjá. Tem temperamento muito difícil e autoritário.
Veste azul-marinho e dourado. É o dono dos metais dourados, ligado a Oxum, isso o faz ser o mais requintado dentre todos os Oguns.
Tem caminho com Oyá (Vive no Igbalé e é muito ligado a feitiçaria.).
Tem forte ligação com os Antepassados (Egungun).
Lutou pelo reino de Irê, saindo vitorioso.
Sua cor é o verde e em algumas casas o azul com o dourado dentro da maioria das outras tradições.
Um dos seus mitos narra que ele ficou momentaneamente cego.
É um Ògún perigoso, dado da feitiçaria, ligado ao màriwò, aos antepassados.; Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário o espírito dogmático.
Veste verde-claro com dourado, ou azul escuro com dourado, mas sempre pega muito dourado, tanto na roupa quanto nas armas e paramentos e principalmente no igbá.
Come com Oxum. Gosta de comer cabritos pequenos, aprecia a carne de marreco e não costuma comer frango em suas obrigações.
OPARÁ INVENTA A JÓIA ( A CONCEPÇÃO E NASCIMENTO DE OGUN WARÍS)
Diz à lenda que OSUN individualista, tinha que ser soberana e tirar proveito em tudo, com isso, usava seus feitiços para conseguir tudo que queria.
Cansada de contratar os serviços feitos por OGUN ALÁGBÈDÉ (Deus da Guerra e da Forja – Ferreiro do Céu), que muitas vezes não eram concretizados, pois OGUN além da forja, guerreava mundo a fora. Com isso, OGUN não dava conta de confeccionar tudo que a Deusa desejava.
Furiosa... OSUN decide se vingar:
Um dia OGUN ALÁBÈDÉ retornava da guerra com o corpo totalmente lavado de sangue (EJÉ) humano, isso estava levando-o a loucura, sua razão não mais existia, seu reconhecimento falho, foi quando ele passando próximo de um rio, e é chamado por uma Senhora. Era OSUN...
- OGUN... (chama OSUN), venha até minhas águas para que eu te alivie deste Asó Ejé (roupa de sangue) que vos deixa tão mal.
-Venha a mim senhor da Guerra, deixe minhas águas te tocar...
O interesse de OSUN era conquistar OGUN, no intuito de conseguir o segredo de manipular os metais para a confecção de suas jóias e armas. Tendo este conhecimento a mesma não iria precisar mais dos serviços do Senhor da Guerra e dos Metais.
-Quem sois bela ninfa, o que queres do mim o Grande Guerreiro? Por acaso acha que devo me banhar? Não lhe agrado assim com todo meu asé exposto? O que vês é o que sobrou de meus inimigos! Não sirvo para seu deleite estando vitorioso?
Sutilmente a Senhora das Águas rebate as palavras do Grande Orisá primordial:
-Sou OSUN, Grande Guerreiro... Deforma alguma meu Senhor...., como é que posso me deleitar com sua vitória se tu encontra-se tão longe de mim, não ha lugar melhor do que minhas águas para nosso colóquio...
-Venha, OGUN, venha...
-Venha ver o que de bom tem minhas Águas.
Enfeitiçado pelos encantos de OSUN, OGUN se aproxima das águas límpidas, arfante, olhos esgazeados, vacilava...
- Venha OGUN... Torna OSUN, toque um pouco em minhas águas e verás que está o seu gosto.
OGUN então deixa a ponta de seus pés tocarem as águas, e com um comando de OSUN esta se levanta, como um chafariz, elevando OGUN nas alturas e o lavando de todo o sangue que trazia no corpo...
O Sol, já iniciava sua jornada de repouso, mas seus raios refletiam, sobre OGUN sendo almejava pelas gotículas de água que o envolvia, OGUN então se deixa dominar, pela força da luz do sol daquela tarde, em contra partida as águas do rio que estavam vermelhas, estando também banhadas pelas luzes do Sol, OSUN então encanta e domina OGUN, iniciando um grande laço de sangue, s**o, amor e sedução.
Aproveitando a situação OSUN absorve parte do asé guerreiro de OGUN, e neste instante em que a natureza se encarrega de fazer a sua função unindo a força de ambos que se fundia, situação esta que fez OSUN ser fecundada por OGUN ALÁBÈDÉ. Terminado o ato, OGUN ALÁBÈDÉ segue a estrada rumo a cidade de Irê.
Assim a Senhora das Águas calmas recebe o título de Guerreira sob o nome de OSUN OPÁÀRÁ que significa: "Aquela que sustenta (Opá ) o sangue no corpo ( àrá )”. Passada as nove luas, OSUN OPÁÀRÁ dá a luz a um menino e da lhe o nome de OGUN WARI (o Senhor dos Metais Amarelos).
OSUN criou OGUN WARI cercado de mimo, vaidade, jóias e muito luxo.
Já adolescente OGUN WARI começa a dar sinais de interesse em manipular os metais, herança genética de seu Pai OGUN ALÁBÈDÉ. OSUN percebendo tal situação começa a estimular cada vez mais OGUN WARI, dando-lhe “toneladas” de ouro, em que o mesmo derretia e transformava em lindas jóias e armas.
Tornando-o Grande Ferreiro do Palácio de OSUN. Deslumbrada com tal fato OSUN se sente satisfeita e vingada de OGUN ALÁBÈDÉ e decide levar OGUN WARI até a cidade de Irê para apresentá-lo a seu Pai. Chegando em Irê OSUN adentra a cidade cantando e dançando a seguinte cantiga:
YEYÊ O MUREJÔ, JINGUELÊ, JINGUELÊ MUREJÔ...
YEYÊ O MUREJÔ, JINGUELÊ, JINGUELÊ MUREJÔ...
Dançando, sacudindo, e batendo seus idés, erguendo seu abèbé e sua espada OSUN se apresenta, assustado e sem entender nada OGUN ALÁBÈDÉ se aproxima e pergunta a OSUN o por que de tal afronta.
Ironicamente OSUN responde, lembra-te OGUN ALÁBÈDÉ o quanto me humilhei e corri atrás de seus serviços e não fui respondida, pois bem, depois daquela tarde maravilhosa que tivemos, descobri que tinha sido agraciada e que eu esperava um filho teu, chamado de OGUN WARI, que nasceu, esta sendo criado em minha cidade e lá permanecerá.
Em seguida OSUN OPÁÀRÁ chama seu filho OGUN WARI e lhe apresenta a seu pai. OGUN ALÁBÈDÉ reconhece seu filho. Daí OSUN OPÁÀRÁ se vira para OGUN WARI e diz:
- Vamos embora meu filho, não temos mais nada para fazer aqui.
Logo OSUN OPÁÀRÁ agradece OGUN ALÁBÈDÉ por ter dado a ela um filho com os mesmos dotes de seu Pai e que graças a isso ela não precisaria mais dele.
OGUN ALÁBÈDÉ seguiu em direção a sua casa.
OSUN OPÁÀRÁ e OGUN WARI voltaram para a cidade de Osogbô.
ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE OGUM WARIS
Lado Positivo
É um tipo mais calmo. Os regidos por este Ogum são mais dóceis, mais lentos, mais emocionais, pois estão ligados à regência da água, através de Oxum. Daí os filhos de Waris serem mais emotivos, carinhosos e atenciosos. São excelentes generais, pois estudam profundamente as estratégias. Amantes singelos, procuram sempre uma forma de agradar, e fazem o máximo possível para serem amados e não se sentirem solitários.
Lado Negativo
Os filhos de Ogum Waris usam táticas interessantes para chegar aos seus objetivos. Choram de forma mentirosa para enganar o inimigo. Usam de falsidade e intrigas e são mestres na arte de ludibriar. Atacam pelos flancos e são do tipo sádicos e temperamentais. Sua carências os torna cisudos e carrancudos, tem acessos de raiva e de tristeza. Seu sentimental é seu ponto fraco.
Kaiala