30/04/2026
A Travessia de Madrinha Rita
Irmãos e irmãs,
Elevemos nossos pensamentos ao Astral Superior para honrar a travessia de uma grande alma que retorna agora à Casa do Pai.
Nossa querida Madrinha Rita Gregório, após completar 100 anos de vida nesta Terra, concluiu sua jornada entre nós e seguiu para o plano espiritual, deixando uma história que se funde com a própria caminhada da doutrina do Santo Daime.
Cem anos de vida é um ciclo inteiro da história humana.
Madrinha Rita nasceu no sertão nordestino, entre o vento da caatinga e a simplicidade das famílias que aprendem desde cedo a confiar em Deus e na força do trabalho. Mais tarde, como tantos brasileiros de sua geração, atravessou o país rumo à Amazônia, seguindo o chamado da vida e do destino.
Foi na floresta que sua história encontrou o seu grande companheiro de jornada: Sebastião Mota de Melo, que o mundo viria a conhecer como Padrinho Sebastião.
Conta-se que antes mesmo de se conhecerem, Sebastião havia sonhado com a mulher que um dia seria sua companheira de vida. Quando encontrou Rita na região do Juruá, reconheceu nela aquela figura que havia visto em sonho.
Assim começou uma união que não foi apenas de marido e mulher, mas de companheiros de missão espiritual. Juntos formaram uma família, criaram filhos e construíram, passo a passo, a base de comunidades que mais tarde se tornariam referência dentro da doutrina da floresta.
Ao lado de Padrinho Sebastião, Madrinha Rita participou da formação da comunidade da Colônia Cinco Mil, em Rio Branco, um lugar que se tornaria um dos grandes centros espirituais do Santo Daime.
Ali ela viveu como mãe, guardiã da família e sustentação silenciosa de uma obra espiritual que crescia e se fortalecia.
Muitas vezes, na história das tradições espirituais, os grandes líderes são lembrados por suas palavras e ações. Mas as comunidades também são sustentadas por presenças firmes e silenciosas, aquelas que cuidam da vida, preservam a união das famílias e mantêm a fé nos momentos mais difíceis.
Assim foi Madrinha Rita. Ela caminhou ao lado de Padrinho Sebastião nas lutas e nas vitórias. Acompanhou o crescimento da comunidade.
Viu nascer novas gerações dentro dessa obra espiritual.
E viu também a luz do Santo Daime se expandir da floresta amazônica para muitas partes do Brasil e do mundo.
Mas Madrinha Rita também deixou para todos nós um tesouro espiritual precioso. Um legado que continuará ecoando nas igrejas, nos trabalhos e nos corações de todos os irmãos e irmãs:
o seu hinário, o Hinário da Lua Branca.
Nele estão guardadas suas orações, seus ensinamentos e sua ligação profunda com o Astral. Cada hino é uma estrela dessa lua espiritual que continuará iluminando o caminho de muitos que ainda virão.
Hoje, após um século de vida, sua caminhada na Terra chega ao seu ponto de travessia. Mas aqueles que caminham na luz não desaparecem. Eles apenas seguem adiante.
Hoje Madrinha Rita retorna ao Astral, onde certamente reencontra seu companheiro de jornada, Padrinho Sebastião, e tantos outros espíritos que ajudaram a construir essa obra espiritual.
Que sua alma seja recebida com alegria. Que sua caminhada continue agora nos jardins luminosos do Astral Superior.
E que sua memória permaneça viva entre nós como exemplo de simplicidade, firmeza e amor à doutrina.
Sigamos então com fé e união.
Porque aqueles que vieram antes de nós continuam caminhando conosco — invisíveis aos olhos, mas presentes no espírito.
E sempre que os hinos da Lua Branca forem cantados, a presença de Madrinha Rita continuará viva entre nós.
Que a luz do Santo Daime conduza nossa querida Madrinha Rita Gregório em sua nova jornada.
Assim seja.
Ceu da Lua Cheia