12/10/2023
12 de outubro
SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA
DA CONCEIÇÃO APARECIDA,
Rainha e Padroeira do Brasil.
Os devotos da Padroeira do Brasil mais uma vez homenageiam a sua Rainha. De todos os cantos do Brasil, eles voltam seus olhares para a cidade de Aparecida (SP), para homenagear a Imaculada Conceição, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja e Mãe do povo brasileiro – “Senhora Aparecida”, assim chamada carinhosamente por essa gente que a encontrou nas águas do Rio Paraíba do Sul em 1717.
Três humildes pescadores - João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia - mostraram para o Brasil a manifestação amorosa de Deus quando, em sua rede, ao invés de peixes, apareceu Aquela que reconstruiria a esperança e a fé do povo brasileiro. Maria, como Mãe, na história da salvação tem uma missão especial de conduzir, caminhar com os seus filhos até Cristo, pois Ela é medianeira de todas as graças. Santo Afonso de Ligório assim afirma: “Maria é o porto dos que naufragam, co***lo do mundo, resgate dos cativos, alegria dos enfermos”. De cor negra, Maria se identifica com os seus filhos que viviam sob a escravidão, injustiça, os pobres e os famintos daquela época. Ela traz marcada em sua pele a dor daqueles que eram explorados e maltratados pelos poderosos.
De estatura pequena, Ela recorda que Deus se fez pequeno, se fez humano na encarnação para conquistar o coração do homem. Na pequenez do coração humano, Deus transforma em coração divino. É a divindade de Deus que engrandece o homem. Maria também se fez pequena para que pudesse ser acolhida pelos seus filhos e mostrasse a grandeza de ser a Mãe do Redentor.
Na rede, Ela apareceu quebrada, corpo e cabeça separados. A união dos dois membros mostra-nos o quão quebráveis somos ou podemos estar. Deus anseia reconstruir nossa vida, nossa alma, nossa esperança, nossa fé, nossa comunhão com Ele, pois Ele é a “cabeça e nós o tronco” (Jo 15,15). No encontro da imagem, Maria ensinou que a união renova a esperança, congrega o povo, fortalece a fé em comunidade e em família. Sem união, quebramos a aliança com Deus, vivemos quebrados espiritualmente e corporalmente e a vida não tem mais alegria.
Ela também deu a lição de que veio para reunir todas as raças, libertar seus filhos da maldade humana e conduzir todos a Deus. Maria não foi encontrada por um pescador, mas sim três amigos pescadores que, cansados de jogar a rede, já tinham perdido a esperança de conseguir algum peixe. O encontro de Maria com os três pescadores afirma que a fé deve ser vivida em comunidade, em família.
Ninguém se salva sozinho. A missão não pode ser exercida em nome próprio. Por isso, “Jesus enviou dois a dois” (Lc 10,1-24). Ele também disse que "onde estiverem dois ou mais reunidos em seu nome, ali estará Ele” (Mt 18,20). Os três pescadores foram testemunhas unânimes de que, naquele rio, naquela cidade Deus estava entregando sua Mãe para o povo sofrido, para ser a sua intercessora.
Em seu Santuário, Mãe e filhos trocam o mais doce olhar, na face escorrem lágrimas que expressam sentimentos de gratidão, agonia, tristeza, desespero... Ela, como Mãe, sabe o que os filhos querem falar ou que desejam pedir. Do coração de cada devoto, nasce a mais perfeita oração espontânea, em forma de súplica ou de agradecimento, seja para si ou por alguém que os devotos levam para depositar nas mãos da Mãe.
tué Tudo édepositado no coração materno da Senhora da Conceição Aparecida, porque seus filhos sabem que, recorrendo ao auxílio da Mãe, Jesus dará a Sua graça.
Maria, mulher que Eva não superou, tonou-se para a humanidade a Arca da Aliança, pois, por ela, “Deus se fez homem para salvar o seu povo” (Hb 9,22).
Se Maria nos aproxima de Deus, então com Ela somos o povo de Deus, do qual foste selada a aliança (Gn 9,8). É exatamente isto que somos convidados a refletir durante a Novena e Festa da Padroeira do Brasil 2021. O tema central: “Com Maria, somos povo de Deus, unido pela aliança”, nos remete a sermos perseverantes nessa travessia até chegarmos ao encontro definitivo com o seu Filho Unigênito Jesus Cristo, nossa salvação.
O tema central reforça o apelo que o Concílio Vaticano II fez no segundo capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium, incentivando os leigos a assumirem seus ministérios na Igreja para ajudar na sua ação evangelizadora. A mesma também apresentou a Igreja como Povo de Deus em busca da santidade.
A Sagrada Escritura é a perfeita imagem histórica de Povo de Deus, que “caminha pelo deserto” (Sl 105,39). Ao mesmo tempo, somos convidados a refletir a dimensão de Povo de Deus, conforme nos pede o Concílio Vaticano II e a nossa busca pela santidade cotidiana.
Hoje somos o povo de Deus, que recebeu por herança a sua Aliança feita deste o Antigo Testamento (Gn 17,7). Por isso, o tema da festa traz a dimensão bíblica, que nos exorta a voltarmos à Sagrada Escritura, para fazermos uma releitura e redescobrirmos a companhia de Deus em nossa vida, pois Ele nunca esquece da Aliança estabelecida com o seu povo (Ex 6,5).
Senhora Aparecida, ajudai-nos a sermos esse povo de Deus, sede a nossa coragem no deserto da vida, abri nosso coração para escutar seu filho Jesus, aceitai nossa homenagem, ouvi nossas preces, intercedei pelos que te imploram e ajudai o nosso Brasil!
Viva a Mãe de Deus e nossa – Senhora Aparecida!
Irmão Carlos José da Cunha, C.Ss.R.
Missionário Redentorista – São Paulo SP
Graduado em Teologia pelo Centro Universitário Claretiano
Graduado em Administração e Pós-Graduado em Psicologia Organizacional
pela Universidade Paulista – UNIP