26/07/2023
A MÃO QUE TOCA O ORY
NÃO TOCA O CORPO.
Tiziano era um dedicado pai de santo, conhecido como José na comunidade religiosa em que atuava. Sua devoção aos orixás e aos ensinamentos das religiões de matriz africana era admirável, e ele tinha uma legião de filhos de santo que o reverenciavam e buscavam sua orientação espiritual.
No entanto, uma sombra escura pairava sobre José. Em meio a sua aparente devoção, ele nutria um desejo inaceitável e proibido: ele ansiava por ter uma relação sexual com um de seus filhos de santo, Pedro. Tal pensamento era abominável e contrário a todos os princípios éticos da religião que ele representava.
Um dia, tentado pelo mal que habitava seu coração, José tomou uma atitude terrível. Ele tentou seduzir Pedro, aproveitando-se da relação de confiança que tinham. No entanto, o jovem Pedro, sentindo-se assustado e profundamente magoado, recusou firmemente as investidas do pai de santo.
Essa atitude perversa de José não passou despercebida pelas divindades espirituais que regiam sua religião. Xapanã, orixá da saúde, testemunhou a atrocidade cometida por José contra um de seus protegidos. Sentindo-se indignado, decidiu aplicar um castigo exemplar ao pai de santo.
Naquela noite, José foi acometido por terríveis dores. Suas mãos encheram-se de feridas, e elas se tornaram duras como pedra. A dor insuportável lembrava-o constantemente do mal que havia cometido, do ato vil que desonrava a sua religião e a confiança de seus filhos de santo.
A notícia do castigo de José espalhou-se pela comunidade religiosa, e a vergonha caiu sobre ele como uma pesada tempestade. Sua reputação de líder espiritual foi manchada, e ele foi afastado do comando dos rituais e das orientações religiosas.
A história de José serviu como um doloroso exemplo para todos os líderes religiosos daquela comunidade e além dela. Foi um alerta contra a ambição desmedida, a quebra de confiança e a exploração dos fiéis. Xapanã, ao aplicar o castigo, deixou claro que nenhuma posição de liderança garante impunidade para comportamentos inadequados e moralmente condenáveis.
A lição deixada por essa história é a de que um verdadeiro líder religioso deve estar acima de quaisquer desejos pessoais e impulsos negativos. A ética e a moral devem ser os pilares que norteiam suas ações, e o respeito aos fiéis deve ser inegociável. A pureza da fé e a sacralidade das tradições espirituais devem ser preservadas a qualquer custo.
Assim, essa narrativa serve como um lembrete poderoso de que o caminho espiritual exige integridade, humildade e devoção verdadeira aos princípios que regem a religião. Somente através da conduta exemplar e da busca sincera pela conexão com as entidades espirituais é possível ser um autêntico pai/mãe de santo, guiando seus filhos de santo com retidão e amor no coração.
📝📸 Texto e Imagem por: Gilvan de Agandjú / /
Filho do vento