15/11/2020
Breve História da Umbanda
Ao contrário do que muitos acreditam, a religião de Umbanda não nasceu na África. A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, criada e fundamentada em solo brasileiro, por este motivo, seu culto não é restrito aos Orixás, são cultuadas divindades cujos arquétipos representam figuras de nossa cultura: os negros (pretos-velhos), os índios (caboclos), baianos e mineiros.
O marco inicial da Umbanda é o dia 15 de novembro de 1908, na cidade de Niterói (RJ) pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através de seu médium ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES (fundador da Umbanda).
Naquela ocasião, o jovem rapaz foi tomado por um comportamento estranho: ora agia como um velho ora se portava como um índio. Preocupada, a família de Zélio saiu em busca de ajuda para o filho. Foi então que um amigo de seu pai orientou-lhes que fossem à Federação Espírita do Rio de Janeiro, pois lá, certamente, ele seria "curado".
Eis que ao chegarem ao local indicado, Zélio foi convidado pelo dirigente a participar da sessão daquele dia.
Iniciados os trabalhos, Zélio, tomado por uma força desconhecida, levantou-se dizendo: “Aqui está faltando uma flor!” e, contrariando as normas que não permitem o afastamento de qualquer integrante da mesa durante a sessão, foi ao jardim e voltou portando uma rosa branca, que colocou sobre a mesa. Aquela atitude provocou uma grande estranheza entre os membros que ali estavam. Com a “corrente” recomposta, houve uma manifestação de vários espíritos de indígenas e de escravos africanos nos médiuns presentes, quando o dirigente do trabalho advertiu tais espíritos os convidando a se retirar devido ao seu suposto atraso espiritual. Zélio, ainda tomado por aquela força estranha, relata que apenas recorda de ouvir sua voz questionando o porquê daqueles dirigentes não aceitarem a comunicação de tais espíritos e os considerarem atrasados devido às suas cores e posições sociais enquanto vivos. Na tentativa de afastar o espírito desconhecido incorporado em Zélio, um dos responsáveis pela mesa questionou:
“Afinal, porque o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? E qual é o seu nome, irmão?”
A resposta manifestada através de Zélio foi:
“(...)se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho (Zélio), para dar início a um culto em que estes pretos e índios poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim.”
No dia seguinte, a casa de Zélio recebeu membros da Federação Espírita, parentes, amigos e desconhecidos, e às 20h o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou em Zélio e declarou que, a partir daquele momento, uma nova religião se iniciava, onde os espíritos de índios e de negros escravos poderiam trabalhar ajudando seus irmãos encarnados, independentemente da sua cor ou posição social, e que seu nome seria umbanda. O grupo fundado naquela noite pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, pois a tenda acolheria os que a ela recorressem em busca de ajuda.