03/04/2020
By Dercinei Figueiredo
Primeiro: apelos ao patriotismo e à religiosidade são inversamente proporcionais à competência e ao caráter de quem apela.
Segundo: quadrúpedes lanosos, não atendam ao berrante messiânico, que sequer é um shofar. Este messias tem devotos e adoradores, mas não é o Messias. E todo cristo que não é o Cristo, é um anticristo.
Terceiro: isto é cristianismo de Estado; isto é messianismo personalista; isto é utilitarismo religioso; isto é a espiritualização do populismo; isto é política como religião; isto é manipulação da fé como propaganda ideológica e governamental; isto é a caudilhização da “Igreja Evangélica Brasileira”; e isto é uma abominação da desolação no lugar santo (quem lê, entenda).
Quarto: não existe uma convocação sequer de um chefe de estado ou de governo a qualquer jejum coletivo ou “jejum nacional” no Novo Testamento. E, no Antigo Testamento, se você – crente preocupado com o ideal e a vontade divinas como expressas na Palavra do Senhor, e não nas palavras dos ungidos do senhor – estiver interessado no jejum que agrada a Deus, leia Isaías 58.6-12.
E quinto (só pra não sair das narrativas anticotestamentárias e suas livres interpretações): esta convocação do messias para um jejum nacional em prol do Brasil, é como se o Faraó convocasse os judeus para um jejum nacional em prol do Egito. E, os mesmos judeus que reclamaram com Moisés dizendo que sentiam saudades da comida de escravizados que tinham no Egito, certamente atenderiam à santa convocação do jejum de Faraó.
PS¹ | Não se sinta mal se você não entendeu boa parte do que escrevi. É que lancei mão do balinês, um dialeto do evangeliquês, que, por sua vez, é um dos idiomas do crentês.
PS² | Como já sugeriu Ivi Campos: “Todos que irão jejuar voluntariamente, favor doar a comida deste dia para aqueles que fazem jejum diariamente.”