09/08/2026
⁴³ Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. ⁴⁴ Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; Mateus 5.43-44
Por Rev. Luciano Nunes de Araújo
Como cumprir o IDE de Jesus se caminhamos como os ímpios? O IDE de Jesus implica TESTEMUNHO! Posso desenvolver diversos trabalhos missionários, levantar recursos para missões, entregar folhetos e até levantar uma placa no sinal, mas o verdadeiro IDE é o TESTEMUNHO! Diante desse desafio de testemunharmos diante dos ímpios, daremos mais um passo importante.
O texto em questão apresenta uma interpretação incorreta. Em Levítico 19.18, temos uma orientação muito importante, mas os líderes da época de Jesus a interpretavam de forma incorreta (v. 43). Eles entendiam que deveriam amar apenas o próximo e, portanto, poderiam odiar o seu inimigo. A partir dessa interpretação, surge uma pergunta muito importante, a saber: “Quem é o meu próximo?”. Observe as palavras de Hendriksen: “Era somente o israelita? Ou era o israelita e o prosélito? Se esse era o caso, que tipo de prosélito: somente o genuíno, ou seja, o não israelita que pelo batismo e circuncisão fora feito judeu em todos os aspectos, exceto em que não era literalmente filho de Abraão? Ou deveria incluir também os demais prosélitos?”.
Em suma, a questão era: quem deveria ser considerado o “próximo”? Atenção: nós estamos falando de testemunho, e não de culto! No culto, não podemos nos colocar em jugo desigual. Não podemos estar em culto com várias religiões que acreditam em outros deuses. Mas o nosso testemunho deve ser dado a todos. Por quê? Porque, se na vida caminharmos como os escribas e fariseus, tentando identificar quem é o nosso próximo, automaticamente estaremos levantando muros!
Na época de Jesus, existia a separação entre judeus e gentios e também entre os bons israelitas, escribas e fariseus, e os maus israelitas, em suma, todos os que não conheciam a Lei! Esse é o contexto direto. Jesus, na parábola do “Bom Samaritano” (Lucas 10.25-37), mostra quem é o próximo, ou seja, aquele que precisa de ajuda! Interessante que, na parábola, Jesus está apresentando o conceito de misericórdia, que foi aplicado, por parte do samaritano, quando ele parou para cuidar de alguém que não conhecia e quando colocou os seus recursos à disposição. Jesus não conta a parábola à toa. Ele quer mostrar algo aos seus! E também Jesus não coloca esse texto logo após ter falado: “Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes”. Jesus quer mostrar algo aos seus!
Quando chegamos ao versículo 44, parece que Jesus está falando algo que eles nunca tinham ouvido. Hendriksen afirma que: “Sem pretender negar de forma alguma a declaração anterior, Jesus ensinou ao povo que ninguém deve perguntar: “Quem é o meu próximo?”, mas que cada um deve demonstrar que é o próximo do homem carente, seja quem ele for”. O ensino de Cristo até poderia ser considerado novo, pois Ele está “acrescentando” o amor e a oração pelos inimigos. Entretanto, não é algo novo, mas uma correção, pois a Lei não dava autorização para perseguir ou odiar ninguém! Mas quem são, afinal, esses inimigos a quem Jesus se refere e por quem Ele ordena que oremos?
Segundo D. A. Carson, “Os inimigos específicos para os quais Jesus chama atenção dos ouvintes são os perseguidores, provavelmente os que perseguiam seus seguidores por causa da justiça e do próprio Jesus”. Ou seja, Jesus não está falando de inimigos em sentido genérico, mas especificamente daqueles que perseguiam seus seguidores por causa da justiça e por causa do próprio Cristo.
Como já falei em outras ocasiões, pelo simples fato de sermos cristãos, sofreremos perseguições, pois o mundo é hostil à mensagem do evangelho. E, como somos chamados para ser embaixadores dessa mensagem, seremos perseguidos. Também podemos apresentar as perseguições que recebemos dentro da própria igreja, pelo simples fato de estarmos buscando viver corretamente o que está na Palavra. Quando estamos tentando cumprir o que Deus ordenou, rejeitar o que Ele rejeitou, enfim, as pessoas mostram os seus ídolos quando começamos a caminhar segundo a Palavra de Deus! O que fazer por esses inimigos, ou seja, aqueles que nos perseguem? Amar e orar!
Perceba que Jesus não está exigindo nada muito absurdo! Na realidade, só será absurdo se estivermos alimentando o nosso “eu”. Hendriksen nos ajuda na compreensão. Ele diz: “Ele não lhes pede que sejam apaixonados por seus seguidores. Porém, de forma definitiva ele pede que aqueles por quem iria morrer, embora por natureza sejam ainda inimigos de Deus (Rm 5.8,10), orassem pela salvação de seus inimigos, querendo dizer “pela salvação daqueles que os odeiam”. Ou seja, nós não sabemos se essas pessoas que nos odeiam e perseguem serão salvas, mas, como cristãos, devemos orar pedindo a salvação delas.
Devemos orar pela salvação daqueles que nos perseguem e odeiam! Pode ser que Deus esteja permitindo isso até mesmo para provar o nosso coração!
Continuaremos no próximo domingo.