08/03/2018
Jesus não veio para os surdos
“... Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...”
Mateus 11:15
Nem todos os que tem ouvidos são capazes de ouvir, essa é a curiosa afirmação que Jesus nos faz no evangelho de Mateus. Mesmo sendo o ouvido um membro do corpo destinado exclusivamente a audição, muitos podem ter esse órgão e ainda assim não serem capazes de escutar. No entanto quando Jesus fala a respeito dos “que tem ouvido para ouvir” se refere aqueles que são capazes de escutar suas palavras, e escutar não signif**a apenas ouvir, mas ouvir com atenção.
Podemos perceber que Jesus indiretamente está chamando de surdo aqueles que possuem a chamada audição seletiva, que escutam apenas o que é interessante a eles, ou aqueles que não reproduzem suas palavras, uma vez que no texto o verbo ouvir pode ser compreendido como a manifestação, traduzida em ação, daquilo que se escutou. Veja bem que no mesmo capítulo que Jesus fala sobre audição encontramos: “Tocamos-vos flauta, e não dançastes; cantamos-vos lamentações, e não chorastes” o comportamento equivocado das pessoas do texto se deve ao fato de que elas ouvem os sons mas não são capazes de escutá-los, o que implica no fato de que não conseguem agir da maneira como deveriam. E a pergunta que podemos fazer é: Por que não se pode ouvir ao que se é anunciado pelo evangelho? Seja nos tempos de Jesus, seja nos dias atuais?
Muitas são as possíveis respostas para essa intrigante pergunta, muitas dessas podem ser bastante pessoais e você deverá procurar dentro de você mesmo, mas no geral, analisando o ser humano não apenas na contemporaneidade, nos deparamos com uma sociedade que sofre de uma audição seletiva generalizada. Estamos dispostos a reter apenas o que é interessante para nós mesmos, apenas o que não traz conflito ao que já estabelecemos, sejam valores, crenças, julgamentos, nada que nos faça perder, nada que nos faça sair do nosso comodismo, da nossa estabilidade, aaah…a estabilidade, como todos a perseguem! No entanto o que o Leão da Tribo de Judá fez foi bradar ferozmente a respeito a uma vida nada estável, diz respeito a amarras de amor seladas com obediência a uma sociedade que desde sempre se diz independente. A mensagem do evangelho que o tempo não pôde apagar nos anuncia a renúncia de um modelo social, quando o narcisismo e o individualismo crescem conforme a humanidade que ainda existe nos seres humanos é definhada.
Encontramos na bíblia a história do jovem rico que seguia a todos os mandamentos desde a juventude mas preferiu ignorar a ordenança de Cristo para que vendesse seus bens. Está aí uma clara exemplif**ação de um caso de audição seletiva. Essa seletividade pode ter consigo inúmeras consequências, transcorrentes desde a negligenciação da ordem espiritual vigente até a atuação de cada um de nós na qualidade de cristãos, seja no corpo de Cristo, na comunidade, ou em qualquer outra instituição. Dessas inúmeras consequências gostaria de mencionar o crescente empoderamento feminino, movimento esse que cada vez mais tem ganhado adeptas. Mulheres cada vez mais exercem papéis muito diferentes dos que a foi direcionado originalmente, pelo simples fato de cada vez mais os homens terem menosprezado a ordenança do Senhor de serem provedores do lar e cabeça da mulher assim como Cristo é o cabeça da igreja. A autossuficiência feminina tem tido como consequência não apenas o destaque dessas no cenário econômico, mas também o comprometimento dos relacionamentos conjugais, de maneira tal que as bases da instituição familiar têm sido abaladas.
Embora pareça extremamente exaustivo ou algumas vezes desagradável dançar quando a flauta toca, ou chorar quando o som é de lamentações, isso é, o comprimento do que nos é requerido, o mesmo senhor da ordenança diz que o descanso está no trabalho e não do contrário na ociosidade: “encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Desse modo deixando-nos ser guiados muitas vezes pela procrastinação ou o medo, sendo cativos do pecado da omissão e da desobediência, nos comportando tantas vezes como surdos que não podem escutar a doce melodia que o evangelho toca em nossas vidas.
- Natália Trindade