25/03/2022
```MESTRE -EMANOEL PEREIRA - E DONA CHIQUINHA / NATAL / RN.
CAÇA AOS CATIMBOZEIROS /1947/.
Mestre Pereira e “Dona Chiquinha” apresenta seus rituais às autoridades policiais, em Natal (RN).
- A construção do imaginário do juremeiro, como uma pessoa associada a algo
maligno, diretamente ligado à prática da feitiçaria, ou, mais especificamente, do catimbó, tem repercutido desde a colonização, como vimos anteriormente. Por conta disso, a Jurema e os adeptos do catimbó, foram historicamente perseguidos tantos pelos colonizadores portugueses, por meio da inquisidora Igreja Católica, que a atribuiu aspectos “demoníacos”,
como pela polícia já no século XX, visto que a sua prática pública era proibida pela
legislação. Um exemplo disso foi a prisão de Manuel Pereira da Silva, o Mestre Pereira; e
Francisca Perera de Lima, a “Dona Chiquinha”, em 1947, descrita por Câmara Cascudo (1978). Eles foram detidos na Praia do Meio, em Natal (RN), junto com todos os seus artefatos rituais, com a acusação de várias queixas de feitiçaria. E como forma de provar a sua inocência, eles foram impelido a fazerem uma demonstração dos seus rituais “na presença de autoridades, fotógrafos e representantes da imprensa” dentro do prédio do Departamento de
Segurança Pública do Estado.
Para isso, utilizaram os mesmos elementos rituais apreendidos, e ainda estando “naquele ambiente hostil, de tantos assistentes incréus”, osespíritos descem para dar as devidas explicações às autoridades sobre o que representa cada um dos objetos utilizados por eles. Nessas condições, “o trabalho foi considerado ‘fraco’ pelos entendidos’”. Mas logo depois disso, o casal foi liberado.
A discrição na forma como eram conduzidos os trabalhos espirituais dos
catimbozeiros, com apenas a utilização das maracás, do ca****bo e dos cantos, ou mesmo emrelação ao local onde eram realizados, geralmente escondidos no “meio do mato” ou dentro dos ambientes domésticos, já constituíram, em si, uma estratégia que visava não chamar atenção para a repressão policial, visto à ilegalidade destas práticas mediúnicas.
Crédito --- Câmara cascudo /1947.
Enviado a mim por: Juremeiro Canindé.