06/06/2022
Aprendizado.
No dia da festa em que o yaw é apresentado a comunidade, a primeira saída é a do Sarapocã. O iniciado sai com uma roupa representando este momento, pintado (corpo e rosto), adoxado e carregando a Akodidé.
Embora não seja a saída principal, o ritual é lindo! Veja todo o significado:
⚪️ A pintura: a união das cores tem a força e o poder dos elementos da natureza e, no ato da pintura, estas energias conjuntas são transferidas para o iniciado.
O axé que está contido nestes elementos, ao ser combinado com outros materiais simbólicos, catalisa o desenvolvimento e a multiplicação do axé do iniciado. E este axé se junta ao axé coletivo e promove o crescimento e melhorias para a casa de candomblé e a seus filhos. A pintura do yaò segue padrões que caracterizam o orixá e a sua nação.
Ela serve para que a divindade reviva as marcas identificatórias do seu passado. É feita no corpo inteiro, com desenhos especiais no rosto, nas orelhas, nos olhos e no orí.
O oxu: É um objeto sacralizado, preparado com favas, ervas e algumas substâncias sagradas.
Em formato de cone (assim como o do primeiro iniciado feito por Oxum, a galinha d’angola), é colocado na cabeça do recém-iniciado, após as incisões sagradas do orí, concluindo os rituais do yaò.
A partir deste momento o yaw é chamado de adoxu, que significa “aquele que é portador do oxu”. Quando colocado no orí, e em conjunto com as pinturas, o oxu faz a representação no novo adepto da religião.
Akodidé: É o símbolo iorubá da procriação e da geração de vidas. Pequena pena vermelha do papagaio da costa, é amarrada em um fio de palha-da-costa trançado e colocada na cabeça do iaô, na testa. É o símbolo do nascimento deste novo filho, de um ser recriado. Ogãs e ekedes usam também em suas iniciações porque estes também participam do processo de renascimento dentro do candomblé. Ela faz o elo de ligação da ancestralidade, Obatalá (o pai), com Iemanjá (a mãe), e também com a descendência, a filha Oxum, senhora proprietária do Akodidé.
Colocar o Akodidé insere o yaò no passado, aos pais, e no presente ao movimento, recebido de Exu, trazendo-lhe então a evolução.