18/10/2020
Infelizmente, estamos vivendo em nossa sociedade este princípio moral e espiritual da sanguessuga.
Cuidado com os sanguessugas! Eles podem estar em qualquer lugar em nossa sociedade, em qualquer instituição pública, privada ou religiosa, pois os sanguessugas usam tudo e todos para satisfazer a sua volúpia de sangue, ou seja, de poder, de dinheiro, de fama. Fazem de tudo para obter o que não é seu. Sugam todas as forças de seu próximo. São egoístas cujo deus é o próprio ventre Por isso já dizia Horácio: “Se ele se apoderar de você, então a tortura será uma coisa temível. Ele se agarra a você até ver você morto. Ele é como uma sanguessuga, voraz pelo seu sangue. Ele não desiste de seu cruel domínio sobre você até explodir, cheio de tanto sangue”.
Agur, neste texto, ilustra os homens que anelam por mais e mais, uma natureza destrutiva de indivíduos sanguinários que nunca matam ou aleijam o suficiente, ou roubam o suficiente, ou corrompem o suficiente, ou exploram o povo o suficiente. Agur, portanto, revela a cobiça humana que jamais se satisfaz; a concupiscência de certas pessoas que sempre desejam mais e mais.
De acordo com Salomão, a sanguessuga é mãe de gêmeos homônimos. Suas crias são conhecidas com o sugestivo nome de “Dá”. Elas são comparadas a três coisas que nunca se fartam, e quatro que jamais dizem “basta”: a sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que em sua fúria, jamais se sacia.
Dá e Dá são a “igreja”, as instituições públicas, nós mesmos que numa relação incestuosa com o pecado, geram cada vez mais sanguessugas, ávidas de poder, fama e dinheiro. Talvez hoje, Salomão as chamasse de “Toma lá” e “Dá cá”.
A sepultura é aquela que recebe o cadáver, e o decompõe. Não há exceção: todos os que nela são colocados se corrompem (nos dois sentidos). A sepultura é semelhante às filhas da sanguessuga. No caso em questão, a sepultura é aquela igreja institucionalizada, que se tornou o ambiente onde cadáveres vivos, verdadeiros zumbis, estão se decompondo em plena luz do dia. A ética é relativizada e flexibilizada de acordo com os mais escusos interesses. Engolem-se camelos, enquanto mosquitos são cuidadosamente coados.
A madre estéril somos nós quando já não geramos filhos, pois vive de adesões, e não mais de conversões.
A terra, por sua vez, tem um incrível poder de absorção. Não importa o volume de água, ela sempre o absorve. Assim, por vezes, nós a igreja do Senhor viemos absorvendo as práticas do mundo, sob o pretexto de contextualizar-se, tornando-se menos intransigente, e mais atraente aos olhos do mundo, principalmente dos poderosos.
O fogo voraz não pode ser detido. Por onde passa, deixa um lastro de destruição e prejuízo. Tal é o apetite das filhas da sanguessuga.
A igreja dos sonhos de Deus é bem diferentes da sanguessuga e suas filhas. Enquanto estas jamais dizem “basta”, a genuína igreja é a que declara em uníssono com Paulo: “A Tua Graça me basta!”.
Pastor Sérgio Pereira