22/07/2026
Qual é a nossa maior luta na Umbanda?
Muitas pessoas acreditam que a maior batalha de um médium é contra espíritos obsessores, sofredores, quiumbas, demandas ou encostos. Na minha visão, não é.
Nosso maior adversário está diante do espelho. Somos nós mesmos.
A verdadeira caminhada espiritual começa no autoconhecimento, na vigilância constante sobre nossos pensamentos, emoções, atitudes e escolhas. Quanto mais cuidamos de nós, menos espaço damos para influências negativas.
O autocuidado é sustentado por quatro pilares fundamentais:
- Físico
- Emocional
- Social
- Espiritual
Quando esses quatro pilares estão equilibrados, fortalecemos nossa mediunidade, melhoramos nossa qualidade de vida e nos tornamos muito menos vulneráveis às influências espirituais desequilibradas.
Os maiores inimigos do médium não vêm de fora. Eles nascem dentro de nós e se tornam portas de entrada para obsessores e espíritos mal-intencionados.
# As armadilhas do ego
Não proponho destruir o ego, pois ele é necessário para vivermos no mundo material. O desafio é aprender a dominá-lo, e não ser dominado por ele.
O ego se manifesta quando o médium:
- acredita ser superior aos demais;
- pensa que é "o escolhido";
- acha que já sabe tudo;
- se considera dono da verdade;
- acredita possuir um guia mais forte ou mais evoluído;
- julga outros médiuns com arrogância.
Quando o ego cresce, a humildade diminui. E sem humildade, não existe verdadeiro crescimento espiritual.
# A vaidade
A vaidade é um dos maiores obstáculos ao despertar espiritual.
O médium passa a acreditar que a cura, o aconselhamento ou o atendimento vêm dele, esquecendo que é apenas um instrumento do sagrado. Começa a buscar aplausos, reconhecimento e destaque.
Passa a preocupar-se mais com vestimentas, paramentos, maquiagem, guias chamativas e aparência do que com sua reforma íntima.
Há uma grande diferença entre respeitar os fundamentos ritualísticos dos guias e transformar a religião em palco para alimentar o próprio ego.
Os guias, muitas vezes, continuam trabalhando por compromisso com sua missão. Porém, quando a vaidade toma conta do médium, aos poucos eles se afastam, pois já não encontram espaço para manifestar seus ensinamentos.
# O excesso de autoritarismo
Não devemos confundir autoridade com autoritarismo.
A Umbanda é uma religião baseada na caridade, no respeito e na liberdade de consciência. Infelizmente, alguns dirigentes passam a exigir submissão cega, não aceitam questionamentos e utilizam a espiritualidade como ferramenta de controle.
Quando ego e vaidade dominam um dirigente, surgem práticas abusivas, como:
- manipulação usando entidades;
- exploração de pessoas fragilizadas ou inexperientes;
- criação de dependência emocional;
- impedir que os filhos de santo tomem decisões sem autorização da casa;
- exploração financeira;
- e, em casos mais graves, até abusos de natureza sexual.
Nenhuma dessas atitudes representa a verdadeira Umbanda.
# O apego material
O apego ao mundo material é outro grande obstáculo na caminhada espiritual.
Tudo o que possuímos é temporário. Nosso verdadeiro patrimônio são as virtudes, o conhecimento, a evolução moral e o amor que cultivamos.
Colecione momentos, não coisas.
Até nosso corpo físico é apenas um instrumento temporário para que possamos cumprir nossa missão nesta existência.
Como costuma dizer Seu Zé do Coco:
"Nada é nosso, tudo é emprestado."
Quando compreendemos essa verdade, o desapego deixa de ser sofrimento e passa a ser libertação.
Entre todos os bens materiais, existe um que frequentemente destrói o propósito das religiões: o dinheiro.
A ganância faz com que algumas pessoas utilizem a ligação com o sagrado para obter lucro, explorando seguidores, utilizando o medo, a culpa ou os momentos de fragilidade para enriquecer.
Assim, perdem completamente o propósito da missão espiritual.
A Umbanda verdadeira não trabalha em troca de dinheiro.
Ela vive da caridade.
Doamos nosso tempo, nossa energia, nosso acolhimento, nosso carinho e nossa dedicação.
Somos apenas instrumento dos instrumentos.
Quem realiza a cura, o amparo e a transformação é o Sagrado.
E o Sagrado não nos pertence.
Se não nos pertence, como poderíamos cobrar por aquilo que jamais foi nosso?
Axé 🌿
Amauri D'Ogum
Dirigente Espiritual
T.U Baiano Zé do Coco e Mestre Tranca Ruas