26/07/2024
SALUBA NANÃ!!!
Itan de Nanã
Nanã Burukú é o orixá dos mangues, do pântano, senhora da morte. É responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne) das almas; remete à nossa ancestralidade, um espírito antigo que conduz os espíritos desencarnados ao mundo espiritual, aconchegando-os em seus braços.
Ogum precisava chegar ao outro lado de um grande pântano, lá havia uma séria confusão ocorrendo e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lodaçal para não perder tempo.
Ao começar a travessia que seria longa e penosa ouviu atrás de si uma voz autoritária:
- Volte já para o seu caminho rapaz! - Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades - Para passar por aqui tem que pedir licença! - Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim, disse Ogun; Nanã, por sua vez, retrucou -Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio. Ogum riu com escárnio:
- O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá!
Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço. O barro agitou-se e de repente começou a se transformar em grande redemoinho de água e lama. Ogum teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos seus músculos retesavam-se com a violência do embate.
Foram longos minutos de uma luta sufocante. Conseguiu sair, no entanto, não conseguiu avançar e sim voltar para a margem. De lá gritou:
-Velha feiticeira, você é forte não nego, porém também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessa-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas. E assim fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém.
Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. Ficou furiosa por perder parte de seu domínio, mas intimamente orgulhava-se de seu trunfo: - Ogum não passou!
Oriki ty Nanà (Oração para Nanã)
Okiti Kata, Ekùn A Pa Eran Má Ni Yan
Olu Gbongbo Ko Sun Ebi Eje
Gosungosun On Wo Ewu Eje
KO Pá Eni Ko Je Oka Odun
A Ni Esin O Ni Kange
Odo Bara Otolu
Omi a Dake Je Pa Eni
Omo Opara Ogan Ndanu
Sese Iba O
Iba Iye Ni Mo Mo Je Ni Ko Je Ti Aruní
Emi Wa Foribale Fun Sese
Oluidu Pe O papa
Ele Adie Ko Tuka
Yeye Mi Ni Bariba Li Akoko
Emi Ako Ni Ala Mo Le Gbe Agada
Emi A Wa Kiyà Onile Ki Ile
"A todos o viventes na Terra,
que devem respeito a este material tão familiar e desconhecido.
Nós somos de Lama da terra e a Ela devemos respeito,
A água e o sopro da vida aqui existem,
peço a ancestralidade que minhas palavras não sejam falsas.
Bem-vinda, mãe da Terra, eu aprendo e com respeito caminho sobre este material sagrado, eu agradeço e saúdo a mãe dos orixás, senhora do material de qual foi me dado o sopro da vida, com respeito peço que eu não tenha problemas de saúde".