23/04/2026
O ORIXÁ OGUM tem todas ligações que se estabelecem em diferentes lugares: estrada de ferro, vias de acesso e caminhos (força emanada). É a vibração que nos impulsiona à luta, às guerras; é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer os constantes desafios que travamos em nosso cotidiano; é o patrono do ferro, não só o ferro que conhecemos como metal utilizado em matéria prima, mas também no papel biológico de nosso corpo nas ligações de ferro em nosso sangue.
A hemoglobina, por exemplo, que é formada por ferro e leva oxigênio por todo nosso sistema circulatório. Sua carência nos humanos pode causar, além da anemia, a anorexia, a sensibilidade óssea ao clima frio, prisão de ventre, distúrbios digestivos, tontura, fadiga, problemas de crescimento, irritabilidade, inflamação da língua e outros. Portanto, também temos uma grande importância do ferro no nosso corpo, onde a vibração de Ogum é atuante. É o Orixá da guerra, das batalhas, dos metais, da agricultura, dos caminhos e da tecnologia. É o guerreiro defendendo as leis e a ordem, representando todas as batalhas da vida e fazendo parte de tudo aquilo que é preciso de luta para alcançar vitória. O próprio Ogum forjava suas ferramentas e assim ensinava, os homens a manufaturar o ferro e o aço, tanto para a caça, como para a agricultura e para a guerra.
A importância de Ogum vem do fato de ser ele um dos mais antigos deuses Iorubas e, também, de sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam. Sem a sua permissão e proteção, nenhum dos trabalhos e atividades úteis, proveitosos seriam possíveis. A exemplo disto, por ser ele o dono do Obé (faca), não se faz os outros Orixás sem sua presença. Todos zeladores (as) de Orixá, tem o assentamento de Ogum, pois é ele o dono do Axé das facas.
SINCRETISMO REGIONAL:
Nos Candomblés em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia existem variações:
Ogum é o temível guerreiro, violento e implacável, deus do ferro, da metalurgia e da tecnologia, conquistador. Ogum se fez respeitar em toda a África negra pelo seu caráter devastador. Foram muitos os reinos que se curvaram diante do poder militar de Ogum. É um orixá importantíssimo na África e no Brasil. A sua origem, de acordo com a história, data de eras remotas. Ogum é o último Imolé (origem da criação dos elementos).
Foi Ogum quem ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. Ele tem um molho de sete instrumentos de ferro: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, espada e faca, com as quais ajuda o homem a vencer a natureza.
Em todos os cantos da África negra Ogum é conhecido, pois soube conquistar cada espaço daquele continente com a sua bravura. Matou muitos povos, mas matou a fome de muitos povos, por isso antes de ser temido Ogum é amado.
Espada! Eis o braço de Ogum.
OS CAMINHOS DE OGUM:
Ajaká: É o “Ogum Guerreiro”, sanguinário, que em princípio se veste de vermelho. Teria sido rei de Oyó e irmão de Xangô. Agressivo, um militar acostumado a dar ordens e a ser obedecido, seco e voluntarioso, irascível e prepotente;
Akorô: É o Ogum que usa o mariwô como coroa, sua roupa é o mariwô. Toma conta da casa de Oxalá, é irmão de Oxóssi e não come mel. Ligado à floresta, qualidade benéfica de Ogum invocada no padê. Filho de Ogunté, Akorô é um tipo de Ogum jovem e dinâmico, entusiasta, empreendedor, cheio de iniciativa, protetor, seguro, amigo fiel e muito ligado à mãe;
Alagbedé: É o Ogum dos ferreiros, o ferramenteiro, da ancestralidade, marido de Iemanjá Ogunté, pai de Ogum Akorô e de Ogum Wari. Representa um tipo mais velho de Ogum, trabalhador consciencioso, severo, que “não br**ca em serviço”, ciente de seus deveres tanto quanto de seus direitos, é exigente e rabugento;
Amene ou Ominí: Tem ligação com Oxum, cultuado em Ijexá, usa contas verdes claras;
Je Ajá ou Ogunjá: Um de seus nomes em razão de sua preferência por cães, tem ligação com Oxaguiãn e Iemanjá. É um Ogum particularmente combativo. Tem temperamento rabugento, solitário, veste-se de verde escuro e usa contas verdes. Acompanha Iemanjá Ogunté;
Masa: Um dos nomes bastante comuns do Orixá, segundo os antigos é um aspecto benéfico quando assim se apresenta;
Megê: É o mais velho de todos, a raiz dos outros, Ogum completo, velho solteirão rabugento. É o aspecto do Orixá que lembra a sua realização em conquistar a sétima aldeia que se chamava Irê (Meje Irê), deixando em seu lugar seu filho, Adahunsi. É aquele que toma conta das sete entradas da cidade de Irê, ligado a Exu, o guardião das casas de Ketu;
Meme: Veste-se de verde e usa contas da mesma cor, como Ogunjá, mas de uma tonalidade diferente;
Olode: Epíteto do Orixá destacando a sua condição de chefe dos
caçadores, originário de Ketu. Não come galo por ser um animal doméstico. Amigo do mato, dos animais, conhecedor dos caminhos, é um guia
seguro. Seu temperamento solitário assemelha-se ao de Oxóssi;
Onirê: É o título de Ogum filho de Onirê, quando passou a reinar em Irê. É um Ogum antigo que desapareceu debaixo da terra. Usa também contas verdes. Guerreiro impulsivo, é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados; orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente. Primeiro filho de Odúduwá;
Popo: Seria o nome de Ogum quando foi à terra dos Jeje, é um tipo
fanático;
Warí ou Waris (Woro em ioruba): é o ferreiro dos metais dourados, ligado a Oxum, ligado ao ar, por isso o mais requintado dentre todos os Oguns. Segundo os antigos a louvação “Patacori” não lhe cabe, ao invés de agradá-lo, ele se aborrece, dado à feitiçaria e ligado aos antepassados, possui ligação com Oyá Igbalé. Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário e de espírito dogmático;
Xoroke: É um Ogum que algumas pessoas tendem a confundir com Exu, agitado, instável, suscetível e manhoso. Xorokê é apenas um apelido que Ogum ganhou devido à sua condição extrovertida: xoro = falar, ke = mais alto. Usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo.
Sincretizados com Santo Antônio e São Jorge
O dia da semana: terça-feira
Comida: feijão preto, inhame e cará
Animal preferido: cachorro
Cor: Azul-escuro ou verde e vermelho (algumas qualidades)
Símbolos: Bigorna, Faca, Pá, Enxada e outras ferramentas
Elementos: Terra (florestas e estradas) e Fogo
Domínios: Guerra, Progresso, Conquista, Metalurgia e Tecnologia Saudação: Ogun Iê! Ou Patakori Ogun
Os caminhos de Ogum Avagã e Ogum Adiolá só existem no Batuque do Sul.
Qualidades: Avagã, Onira, Olobedé, Adiolá
Ogum Onira e Olobedé = São Jorge
Ogum Avagã = São Paulo
Ogum Adiolá = Santa Joana D’Arc
Saudação: Ogum Iê! (Salve Ogum)
Dia da Semana: Segunda-feira para Avagã e quinta-feira para os demais
Flores: Palma vermelha e cravo vermelho
Comida: Sete ripas de costela assada e farinha de mandioca
Doce: Marmelo e doce de frutas
Animal de estimação: Cavalo e cachorro
Função: Emprego, demanda
Número: 05 ou 07
Cor: Azulão e Vermelho no Oyó e Verde e vermelho para as demais Nações, exceto Adiolá que é Azulão e Vermelho na Nação Cabinda.
Ferramentas: Alicate, espada, faca, bigorna, búzios, moedas, martelo, lança, ferradura, revolver, facão, enxada.
Frutas: coco, limão, manga e laranja
Ervas: Espada de São Jorge, Arruda e Cipó Mil Homens
Legumes: Rabanete, espinafre
Dentro do panteão Umbandista, é o Orixá mais cultuado, é o soldado de Aruanda, Ogum é o general de guerra, o vencedor de demandas. É o patrono do ferro, dos metais em geral.
Sua cor geralmente é o vermelho e branco, mas varia muito dependendo do culto e da casa.
Suas festividades ocorrem no dia 23 de abril ou dias aproximados, seu sincretismo quase que absolutamente é São Jorge, mas também pode variar dependendo da casa e da liturgia praticada.
Na Umbanda, os filhos possuem um Caboclo de Ogum e sua Falange é muito vasta. Usam as ervas como folha de aroeira, mangueira, espada de São Jorge, losna, jurubeba, comigo-ninguém-pode, romã. O principal símbolo é a espada;
Saudação: Ogunhê! Ou Patakori Ogum;
Contas: vermelhas ou vermelhas e brancas
Pedras: hematita, ágata de fogo, rubi;
Metal: ferro;
Número: sete;
Comida preferida: inhame ou cará assado, feijão preto cozido com camarão seco dendê e cebola, feijoada, churrasco;
Bebida: vinho ou cerveja branca;
Frutas: manga espada, laranja,
Dia: terça-feira e quinta-feira (no sul do país)
Ogum domina a primeira Linha de Umbanda, que controla todos os fatos de execução e cobrança da vida de cada indivíduo ou grupo, daí serem soldados. É o responsável pela manutenção da Lei na Umbanda. As falanges de Ogum, que divergem muito de um terreiro para outro, combatem diretamente as falanges do mal. Como na Linha de Oxalá, todos os trabalhadores da Umbanda têm por Ogum tremendo respeito e obediência. Seus guerreiros são imbatíveis no combate ao mal e de qualquer outro espírito maligno que não o respeite.
Comparativamente, Ogum é o mesmo que a polícia é para o povo. Se a situação ameaçar sair do controle ou se nos sentirmos ameaçados por qualquer situação ou ação, ele agirá restabelecendo e mantendo a ordem.
Sintetizando: Ogum é o Faça, o Cumpra-se e Faça Cumprir.