12/03/2021
Há um ano, políticos e mídia nos convenceram de que fechar igreja, fechar comércio era amor. E acredito que, como eu, muitos atenderam, com medo de infectar alguém. Mas rapidamente, questão de duas semanas depois, percebemos o erro e voltamos com as reuniões. Pois quanto mais o tempo passava, mais se notava que fechar comércio e quebrar a economia não tinha nada a ver com saúde, e sim com poder. Gente que falava para o povo ficar em casa, enquanto ia para Miami. Jornalista que te intima a não sair, no mesmo instante em que saía para trabalhar numa edição repleta de colegas. Pois, é essencial o serviço deles de contar mentira em rede nacional, mas não é essencial o trabalho de um pastor de pregar a verdade, que inspira, traz co***lo e torna as pessoas mais fortes diante de qualquer doença; não é essencial o trabalho do homem que precisa do serviço do dia para trazer o pão para casa. Percebia-se também a incoerência: num mercado, repleto de filas (fila para entrar, fila para pegar frios, fila no açougue, fila para pagar) estávamos protegidos, numa academia ao lado, não. Em ônibus e metrô lotados, o covid não chega. Em Igrejas, bares e restaurantes, sim.
Ah! E a grande mídia. Boa parte dela é especialista em mentir apenas contando a verdade. As notícias saem mais ou menos assim: “Na cidade tal, os leitos de UTI estão lotados”. Ora, e quando foi diferente? Alexandre Garcia resume bem: “Eu trabalhei no noticiário local da TV por uns 30 anos, ora como comentarista, ora como apresentador. E sabe quando teve falta de leitos de UTI? Sempre. E sempre havia fila para UTI. Claro, o caso hoje agravou-se ainda mais, mas sempre foi grave”. É, antes do Covid, ninguém morria em fila de hospital, havia medicamento e leitos para todos, o SUS era um paraíso.
Inúmeros relatos de pessoas que perderam parentes por outras doenças, mas que foram atestadas com covid, sem ao menos ter feito um exame. Inúmeros hospitais de campanha vazios (e aqui, uma coisa interessante: lá atrás, disseram-nos que o lockdown era para o governo se preparar, criando novos leitos. Um ano se passou e não deu tempo? O governador de São Paulo montou e depois desmontou os hospitais de campanha. Qual a lógica disso?). O lockdown não possui nenhuma comprovação de eficácia. Quer dizer, um novo lockdown é a prova de que o lockdown não funciona. Afinal, se funcionou lá atrás, por que o numero de infectados subiu? E se não funcionou, por que fazer novamente? É razoável que, num mundo com inúmeras doenças que matam tanto e até mais que o covid, fechemos quase tudo, gerando desemprego e, como já anunciava a própria ONU, muitas mortes por fome? A ONU recomendou que países pobres não fizessem lockdown. É razoável, portanto, adotar um remédio pior do que a doença?
O cenário atual mais todos esses absurdos, informações desencontradas e corrupção nos levam a concluir que o covid é real e perigoso, porém muitos políticos são mais. Sendo assim, amparados pela nossa fé e a Constituição de nosso país, aviso que nossa igreja permanecerá com seus cultos. Minha fé, ancorada na Escritura, diz-me que cultuar a Deus é mandamento, minha Constituição, que é direito: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias” (Art. 5o). E o Artigo 19, Inciso I, ainda declara que: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios [...] embaraçar-lhes o funcionamento”. Ora, por que esses artigos estão aí? Justamente para nos proteger de governantes em momentos como este, que em nome do bem, sempre em nome do bem, tentam arrancar nossos direitos. Mas em situações extremas, alguns de nossos direitos, garantidos pela Constituição, podem ser cerceados? Sim. O Artigo 136, Estado de Defesa, e o Artigo, 137, Estado de Sítio, tratam disso.
Art. 137 – O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de:
I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa.
E o que o presidente, somente o presidente, pode fazer diante de comoção de grave repercussão nacional? Por exemplo:
-obrigação de permanência em um dado local; detenção em edifícios não destinados a esse fim;
-Suspensão da liberdade de reunião;
Meu Deus! Vale repetir: notou a quem pertence a prerrogativa de cercear alguns de nossos direitos fundamentais? Ao presidente, ainda assim, solicitando ao congresso. Estado de Direito é aquele em que todos, Estado e indivíduo, estão submetidos ao Direito, ou seja, às leis de nosso país. Fora disso, temos uma ditadura, em que políticos fazem o que lhes der na cabeça. Nenhum governador, nem o presidente, e muito menos o STF, que é guardião da Constituição, são maiores do que a Carta Magna.
Tenho visto muitos brasileiros indignados com a situação, esperando que alguém faça alguma coisa, que alguém venha nos salvar. Ninguém virá. Um ano já se passou, se nós, o povo, não fizermos, ninguém fará por nós. Como disse Burke: “Para que o mal prevaleça, basta que os bons não façam nada”. É hora de pararmos de escrever textos indignados e fazermos algo real: exercer nosso direito de trabalhar, mantendo o comércio aberto; exercer nosso direito de cultuar, cultuando.
Fechar igrejas, fechar comércio é inconstitucional, é imoral, é desumano, é doentio. Imploro aos meus amigos pastores que mantenham seus cultos, pois, como muitos já disseram, no momento mais terrível, em que as pessoas mais precisam de fé e ânimo, fechar o último reduto de esperança é, no mínimo, um absurdo e, quem sabe, covardia. Lembrem-se que descendemos de homens acostumados a ser presos e mortos por sua fé.
Que o Senhor nos fortaleça!