18/07/2020
SIMBOLISMO ESOTÉRICO: AS SEREIAS
Caros peregrinos.
Este artigo, (simbolismo esotérico sobre as sereias), apesar de ser um pouco extenso, é com certeza um dos temas mais belos e inspiradores ao neófito que busca compreender os verdadeiros arcanos, os verdadeiros mistérios da iniciação.
Portanto aconselho o leitor superar sua desídia, deixar a preguiça de lado e se banhar no profundo simbolismo contido no MITO DAS SEREIAS.
Começarei este artigo com a seguinte indagação:
O que é e de onde surgiu o mito das sereias?
A Sereia é uma figura originalmente da mitologia (descrita em mitos antigos).
Elas (sereias) estão presentes nas lendas e mitos dos antigos mestres ancestrais gregos, que num caráter eXotérico, personificavam os perigos que os navegantes encontravam em sua viagem pelo grande mar.
(OBS: o caráter iniciático e eSotérico será revelado mais a frente neste mesmo artigo).
As sereias são representadas na mitologia grega, como criaturas hibridas (metade humanas e metade animais).
Nos primeiros contos as sereias possuíam corpo de PÁSSARO e a delicadeza encantadora das MULHERES.
Porém ao longo do tempo, mais exatamente na idade média, as sereias foram transfiguradas em lindas e encantadoras MULHERES, cujo baixo vente era composto por escama de PEIXE.
Encontraremos a primeira aparição da figura Sereia no livro Odisseia, que foi escrito por Homero (Homer = Homem) há quase três mil anos.
A Odisseia conta a história do Rei Ulisses (filho da guerra), que se uniu aos gregos na guerra contra T***a.
Após vencerem a guerra, Ulisses e seus homens fizeram uma longa viagem de retorno ao Lar original através do grande mar.
Nesta viagem de retorno Ulisses passou por incríveis aventuras até finalmente conseguir voltar para sua casa, para seu reino original, onde reencontra e casa com a sua única esposa, sua alma gêmea, a princesa Penélope.
É interessante também incluir a Princesa Penélope neste nosso artigo, para que a interpretação eSotérica sobre as Sereias fique ainda mais clara.
Penélope esperou por longos DEZ anos para o retorno do seu marido Ulisses, com quem havia tido um o filho, Telêma ou Telêmaco (Vontade).
(Antes de Ulisses ir para a grande batalha, nasce um filho, Telema, VONTADE, ou seja, antes de o iniciado se aventurar pela iniciação ele deve fazer nascer e fortalecer a sua verdadeira vontade).
Etimologicamente o nome Ulisses vem do grego Odyssés ou Odysséus que significa “Filho da Guerra”.
Penélope, após seu marido Ulisses partir para a guerra, passou a usar um véu para ocultar sua face diante os demais homens, aguardando retorno do marido herói.
Os anos passavam e surgiam notícia de Ulisses não estava mais vivo e que Penélope se tornara viúva (Portanto Telema ou Telemaco, a vontade, é um filho da viúva).
Assim o pai de Penélope sugeriu que sua filha se casasse novamente.
Penélope, fiel ao seu marido, recusou, dizendo que esperaria o herói retornar da grande guerra.
Após muita insistência do seu pai e por isto, para não desagradá-lo, Penélope resolveu aceitar a corte dos novos pretendentes à sua mão, homens comuns, porém Penélope estabeleceu a condição, uma regra de ouro, a obrigação de que o novo casamento somente aconteceria depois que ela terminasse de tecer um manto de linho a seu pai.
Durante o dia, aos olhos de todos, Penélope tecia o mando, mas à noite, secretamente, ela desmanchava todo o trabalho.
E foi assim que Penélope adiou por três anos o seu casamento com outro homem, até que uma de suas servas descobriu e contou toda a verdade ao pai de Penélope.
Penélope então propôs outra condição ao seu pai.
Penélope propôs que somente se casaria com um homem que conseguisse atirar uma flecha de forma tão potente como seu marido Ulisses.
Dentre todos os pretendentes, apenas um camponês humilde (quase um mendigo) conseguiu realizar tal proeza.
Foi com este camponês que Penélope teve que levantar seu véu e se casar. Porém quando levantou seu véu, imediatamente Penélope percebeu que o camponês era o seu amado Ulisses que havia retornado da guerra transfigurado.
INTERPRETAÇÃO INICIÁTICA DO SIMOLISMO ESOTÉRICO SOBRE AS SEREIAS
Ao me limitar apenas a história descrita em “A Odisseia”, o leitor poderá observar que temos de um lado o HERÓI (Ulisses) que de retorno ao seu lar original pelo grande mar, encontra a figura da sereia.
As primeiras sereias tinham a imagem de quimeras com metade pássaros e metade mulheres. Com o tempo essas quimeras ganharam a imagem de metade mulher e metade peixe.
Tiramos grande proveito dessa dupla natureza das sereias, pois retrata primeiro a sedução mental (metade pássaro) e depois a tentação emocional (metade peixe).
Quando o Herói encontra as sereias no meio do caminho de retorno, são momentos em que INICIADO é convidado a desistir de sua meta, do seu objetivo de retorno ao estado original de iluminação, pois é tentado a se unir aquele seu desejo ilusório de puro deleite e prazer que as sereias (lascívia) lhes oferecem numa ilha pacífica no meio do mar (na metade do caminho de retorno).
Portanto, neste sentido, as Sereias sempre serão uma armadilha (tentação) para desviar o iniciado, a iniciada, o mago, a maga, o bruxo, a bruxa, do seu objetivo, da sua meta heróica de retornar a sua origem onde reencontrará Penélope, uma clara representação da Deusa da Sabedoria Sophia, que está oculta e aguardando as bodas atrás do véu (subconsciente humano).
O mito a Odisseia retrata ou revela a grande jornada do homem caído de retorno a sua origem luminosa na cidadela celestial, quando se depara com várias efêmeras e ilusórias tentações (sereias).
O mito também pode ser visto como uma batalha entre o homem e seus baixos instintos se***is (simbolizados pelas sereias), que são os maiores inimigos ou adversários para a ascensão da Kundalini que iluminará integralmente o iniciado.
Este processo iniciático de retorno foi representado no anagrama “I N R I” que supostamente havia sido inserida no alto da Cruz onde “I E SH U A H” foi crucificado.
INRI – Igne Natura Regeneratur Integra (Fogo Natural Regenera Integralmente o Homem). de retornar ao
Por fim, não é menos importante e devemos atentar para o fato de Penélope não aceitar se casar (levantar seu véu) ao homem comum, e por esta razão ela tece e destece as cordas do manto do destino, que simbolicamente representa a evolução e aperfeiçoamento humano durante suas reencarnações dentro do ciclo da vida (dia) e da morte (noite).
Os três anos que Penélope consegue para tecer o manto do destino e evitar o casamento, representa o número três, a idade do aprendiz maçom, a tríade corpo-alma-espírito.
No final Penélope levanta o seu véu ao Herói Transfigurado que conseguiu atirar a flerxa com o mesmo poder viril que Ulísses.
Este novo pretendente de Penélope possui o mesmo poder sexual ou virilidade espiritual que Ulisses (homem original) possuía antes da queda (grande viagem).
Este pretendente, possuidor do poder sexual ou virilidade espiritual é um símbolo claro do novo homem, que após enfrentar a guerra contra si mesmo (vícios do homem inferior) e superar as adversidades no retorno (tentações representadas pelas sereias), adquire as virtudes necessárias para retornar, levantar o véu de Isis, receber o conhecimento superior (Gnose) e Sabedoria (Sophia), reintegra ao reino original de luz onde ilumina-se e torna-se num deus Imortal.
Evitemos as sereias.
Evitemos sucumbir as lascívias da vida.
Superemos todas as tentações que nos impedem de comungar com a Luz Invisível
•.FILÓSOFO VELADO