24/11/2023
Ação de graças pela Black Friday
“Já era quase meio-dia, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra” (Lucas 23.44).
Ontem foi celebrado o “Dia de Ação de Graças”. Hoje, o comércio e muitas pessoas, celebram o dia da “Black Friday”. Onde será quem tem mais pessoas presentes e envolvidas? Não é preciso ser um gênio de estatísticas para responder a esta pergunta, não é mesmo!?
É incomparável a força do comércio e do materialismo tomando as mentes, os corações e também os recursos materiais, emocionais e, infelizmente, até mesmo a força espiritual de muitas pessoas.
“Dia de ação de Graças” é celebrado nas Igrejas e nas casas, nos jantares em família e no coração das pessoas que reconhecem as bênçãos de Deus em suas vidas. Originalmente manifestava a alegria pelas colheitas abençoadas por Deus que alimentavam e sustentavam as famílias, gerando renda, mesa farta e corações agradecidos. Hoje, é mais um dia que marca a alegria e a gratidão do povo de Deus por bênçãos recebidas durante o ano e em todos os tempos. É claro que, para alguns, ele pode ser tão comercial quanto o Natal é para muitas pessoas.
A “Black Friday” acontece nas lojas, nos shoppings e, cada vez mais na internet com as compras online. Há muito deixou de ser apenas um dia para se tornar “a semana da Black Friday” ou, até mesmo, “o mês da Black Friday”, com o pressuposto do “aquecimento” para o “dia D”... “D” de “Dívida” mesmo. Esse dia já foi apelidado como “Black Fraude” (“O dobro pela metade do preço”), no qual as pessoas, na escuridão do entendimento e desconhecimento sobre “preço e valor” são seduzidas por promessas, muitas vezes enganosas de preços fraudulentos, na atração do consumismo que ilude, “alegra”, cega e conduz a dívidas, frustrações, tristezas e problemas que duram muito mais do que um dia, um mês ou até mesmo um ano, se a compra for dividida em 12 x ou mais.
Mas será que pode haver uma relação coerente entre Dia de Ação de Graças e Black Friday? Talvez uma reflexão sobre estes dois dias, uma reflexão que nem sempre é feita de maneira madura e profunda, nem sempre com clareza, sinceridade e responsabilidade a respeito disso, seja a concepção sobre “Preço” e “Valor”. Há coisas bem valiosas que não recebem tal consideração e pelas quais poucos estão dispostos a pagar qualquer que seja o preço. Na verdade, muitos as desvalorizam tanto que nem de graça as querem. E, por outro lado, há coisas pelas quais se paga um alto preço, mas que, na realidade, não têm nenhum valor. Quantas vezes você já comprou algo caro e depois constatou que não tinha nenhum valor para você? E quantas vezes você já desprezou algo precioso, por não estar disposto a investir o preço do seu tempo ou atenção? Jesus disse certa vez: “Onde está o seu tesouro, ali estará também o seu coração” (Mateus 6.21).
Mas não estou trazendo esta reflexão para tirar você da correria desenfreada e consumista deste dia tão marcado pelo consumismo ou oportunidades raras de adquirir algo material que valha a pena. Essa decisão é sua! Tampouco, quero colocar em você uma terrível dor de consciência por não ter celebrado o Dia de Ação de Graças ontem ou sequer ter agradecido a Deus por alguma coisa. Isso também é entre você e Deus. O que eu realmente quero é levar você a uma profunda reflexão de que pode haver Ação de Graças pela Black Friday. Como assim? Há uma “Black Friday” bem diferente dessa comercial, cujo termo em inglês, se traduzido literalmente, signif**a “Sexta-feira preta”. Houve na História uma Black Friday digna de Ação de Graças ao nosso Deus. É aquele Dia que podemos traduzir por “Sexta-Feira de Escuridão” ou “Sexta-Feira Escura”. É a Sexta-Feira Santa, em que Cristo deu sua vida para pagar nossos pecados na Cruz e nos garantir reconciliação com Deus e nos presentear com a Salvação e a vida eterna. Aquela Sexta Feira se tornou escura, sem o brilho do sol, (uma verdadeira “Black Friday”). O Evangelho de Lucas registra: “Já era quase meio-dia, e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra” (Lucas 23.44).
Também houve um grande abalo do solo e, junto com o véu do Templo, rasgou-se também todo o escrito de dívida que era contra nós pecadores miseráveis e sem recursos ou crédito para pagar o que Jesus pagou por nós.
*Não foi uma renegociação de dívidas com descontos e acordos. Foi dia de pagamento total e pleno de toda a dívida!
*Não foi uma falha completa nos sistemas de armazenamento de dados que registram e guardam movimentos de cartões de crédito, cheques e transferências de PIX ou outra forma de controlar os endividados. Aquilo foi a limpeza completa das fichas devedoras e sujas de cada um de nós.
*Nenhum de nós poderia pagar as dívidas acumuladas que culminaram naquele “Black Friday”!
Mas Jesus pagou! Pagou com um crédito que só ele tem: Seu santo (divino, perfeito, sem mancha de pecado) e precioso (de valor único e inestimável) sangue. Preço de morte e sangue... valor de perdão, vida e salvação eterna.
No exato momento daquele dia escuro em que todos os pecados foram colocados à venda, cobrados, e pagos por Jesus, que assumiu todas as dívidas impagáveis de todos nós, o Salvador disse: “Está consumado!” Ou seja: Está feito! Está pago! A salvação está garantida para todos os que creem nesta promoção planejada e executada do amor de Deus em Cristo. Esta Black Friday merece Ação de Graças. O que Deus ofereceu neste dia dá felicidade e satisfação eternas, mesmo em meio a todas as dificuldades de nossa vida! E o melhor: Em arrependimento e fé em Jesus, não f**a nenhuma dívida futura!
Rev. Walace Uhylig da Silva
Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Guarapari ES