03/08/2026
Agelú é o Bará menino, e assim o ajudava com as chaves e correntes. O passeio era liberado por Oxum, desde que o menino não ficasse longe do rio por muito tempo. E assim era. Até que um dia, animado com as aventuras, se recusou a retornar. Ela, assim se desespera e adentra os reinos de Bará, ruas, estradas e todos os lugares onde ele poderia se esconder. Por onde passavam, ela era seguida pelas águas e as chuvas, sabendo que Lodê não tem proximidade com a água. Quando o encontrou, as chuvas pararam e os leitos dos rios voltaram à normalidade. É uma história contada que batuqueiros antigos diziam, em tempos de enchente, que Oxum andava a procurar Agelú e, como forma de oferenda, levavam um ebó de milho cozido (ou o que chamamos no Rio Grande do Sul de canjica amarela) com dois quindins, simbolizando o retorno de Agelú para a casa e buscando ajudar a firmar o tempo e retornar as águas à normalidade.
Referências
CASAGRANDE, Elisa Algayer. Memória ambiental e população negra em Porto Alegre: o aterro do bairro Praia de Belas. Caderno Eletrônico de Ciências Sociais, v. 12, n. 1, p. 95-118, 2024.